Epoch Times · Edição especial

    Mais de 450 milhões de chineses renunciaram ao Partido Comunista

    Esse é o maior movimento de direitos civis da história, inspirado pelo Epoch Times.

    Em 2004, O Epoch Times, o principal jornal do mundo em chinês não ligado ao Partido Comunista, publicou repetidamente uma série de 9 editoriais sobre a história e natureza do Partido, que, embora proibida pelo governo, continua até hoje a circular amplamente de forma clandestina.

    Uma mulher lê a primeira edição especial com todos os nove comentários juntos em novembro de 2004
    Uma mulher lê a primeira edição especial com todos os nove comentários juntos em novembro de 2004. Essa é a única foto disponível daquela edição.

    Com amplo alicerce em fatos históricos, a obra explica de forma profunda e sistemática, pela primeira vez na história, como a filosofia de luta do Partido Comunista Chinês (PCCh) causou o grande sofrimento de ter metade da população, no que era o país mais populoso do mundo, perseguida por um regime ditatorial.

    As ações do PCCh resultaram em mais de 60 milhões de mortes apenas na China, mais do que as duas guerras mundiais juntas — e esta é uma estimativa conservadora.

    Para grande parte do povo chinês, educado com uma versão distorcida e revisada de sua própria história sob o comunismo, esta foi a primeira vez que entenderam a verdade sobre próprio país.

    Manifestantes chineses em Nova Iorque andam com um cartaz celebrando os 20 anos da publicação dos Nove Comentários
    Manifestantes chineses em Nova Iorque andam com um cartaz celebrando os 20 anos da publicação dos Nove Comentários.

    O texto ressoou profundamente com leitores em todo o mundo, tocando corações e ampliando mentes. Mas algo muito maior estava prestes a acontecer.

    “Esperamos que aqueles que ainda permanecem enganados pelo PCCh enxerguem agora claramente sua natureza, expurguem seu veneno do espírito, libertem suas mentes de seu perverso controle, despojem-se das amarras do terror e abandonem para sempre todas as ilusões a seu respeito.”
    — Introdução dos Nove Comentários

    Em 29 de novembro de 2004, 10 dias após a publicação, o Epoch Times recebeu uma correspondência: uma declaração pública de renúncia ao comunismo chinês, que foi publicada no jornal logo em seguida.

    Em primeiro de janeiro de 2005, 50 académicos enviaram uma declaração conjunta de suas renúncias ao PCCh. No mesmo dia, o Epoch Times estabeleceu um site e uma base de dados para aceitar mais renúncias.

    Um homem segura uma maquete gigante de uma das edições de Os Nove Comentários Sobre o Partido Comunista em uma manifestação
    Um homem segura uma maquete gigante de uma das edições de “Os Nove Comentários Sobre o Partido Comunista” em uma manifestação.

    Cada renúncia tem um número individual de identificação e o total é atualizado em tempo real, publicamente disponível em tuidang.org. O número de renúncias rapidamente passou de algumas poucas dezenas a cada dia para centenas, e depois para centenas de milhares, chegando a um total de 449 milhões em 2025.

    Coletânea de renúncias escritas em papel, dinheiro e coisas aleatórias
    Coletânea de renúncias escritas em papel, dinheiro e coisas aleatórias.

    No tempo em que você está lendo isto, cerca de 250 chineses renunciaram ao PCCh. Isto se tornou efetivamente o maior movimento de direitos já conhecido, diante da mais brutal ditadura da história.

    Como funciona o PCCh

    As 3 renúncias

    Oficialmente o PCCh só diz ter 100 milhões de membros. Como é possível que tantas pessoas renunciem?

    Além do PCCh, há organizações afiliadas a ele. Através delas, praticamente toda a população da China jura lealdade ao Partido Comunista em algum ponto da vida. Enquanto apenas cerca de 7% da população da China formalmente se torna membro do PCCh, 95% fizeram o juramento ao comunismo.

    Os Jovens Pioneiros

    Crianças cantam o hino nacional na escola Beichuan, província de Sichuan, 2015
    Crianças cantam o hino nacional na escola Beichuan, Sichuan, 21/01/2015 (Fred Dufour/AFP via Getty Images).

    Essa é a instituição do Partido Comunista para crianças de 6 a 14 anos.

    Todas as crianças devem compulsoriamente participar do sistema de educação altamente controlado pelo Estado, e tradicionalmente realizam o juramento à bandeira comunista ao se matricular na escola, e novamente em datas comemorativas.

    “Eu sou um membro dos Jovens Pioneiros da China. Sob a bandeira dos Jovens Pioneiros, eu prometo que: Amarei o Partido Comunista da China, a pátria e o povo; Vou estudar muito e me exercitar bem, e vou preparar-me para contribuir para a causa do comunismo.”

    Juramento dos Jovens Pioneiros. Quase todos os chineses fazem durante o ensino fundamental.

    Liga da Juventude Comunista da China

    Membros da Liga da Juventude Comunista da China em cerimônia, 1999
    Membros da Liga da Juventude Comunista da China em cerimônia, 1999 (Liu Jin/AFP via Getty Images).

    Essa é a instituição do Partido Comunista para jovens e adultos de 14 a 28 anos.

    Funciona como uma incubadora para recrutar e treinar pessoas para que se tornem os futuros membros do Partido Comunista. É o primeiro passo para entrar no PCCh, e também sua força reserva e auxiliar. Oficialmente, diz ter 75 milhões de membros.

    Não tem aceitação universal como os pioneiros. É necessário enviar uma solicitação que é avaliada por um ramo local da liga.

    Um membro da liga deve comparecer a aulas e treinamentos especiais para estudar comunismo e a ideologia do Partido, além de enviar relatórios várias vezes ao ano demonstrando seu alinhamento ideológico.

    Há pelo menos uma avaliação anual para se manter na liga, e mais autorrelatos de posição ideológica são esperados em datas sensíveis ao PCCh, em circunstâncias especiais ou quando uma promoção ou filiação ao partido está próxima.

    O Partido Comunista Chinês

    Primeira sessão plenária do 12º Congresso Nacional no Grande Salão do Povo, Pequim
    Primeira sessão plenária do 12º Congresso Nacional, “Grande Salão do Povo”, Pequim (VOA East).

    Após uma aplicação formal, recomendação de dois membros do PCCh, aprovação preliminar, sessões de educação e pelo menos um ano de período probatório, a pessoa finalmente passa por uma cerimônia onde jura “…lutar pelo comunismo durante toda a vida, estar pronto a todo momento para sacrificar tudo que tem pelo Partido e pelo povo e nunca trair o Partido”.

    Apesar do juramento, poucas pessoas de fato se juntam ao partido por ideologia: os membros do Partido têm acesso às melhores posições nos diversos setores da sociedade. Em 2002, só 5% da população era filiada ao Partido; mas o número subia para 65% entre as pessoas com pós-graduação. Membros do Partido tinham um salário 43% maior que não-membros.

    É difícil entender a coragem que requer renunciar publicamente ao Partido Comunista e suas organizações. Se um estudante quiser encontrar um bom emprego, se um funcionário quiser avançar sua carreira, se um empresário quiser manter as portas abertas, eles precisam se filiar ao Partido. As pessoas precisam fazer isso para viver uma vida normal.

    O ato de renunciar

    O que significa renunciar ao PCCh?

    Um jovem segura um certificado de Tuidang em uma manifestação nos Estados Unidos, ao lado de Yi Rong, a presidente do Centro Global para Renunciar ao Partido
    Um jovem segura um certificado de Tuidang em uma manifestação nos Estados Unidos, ao lado de Yi Rong, presidente do Centro Global para Renunciar ao Partido. (Tuidang)

    Segundo o estatuto do PCCh, não é possível sair do Partido oficialmente sem uma reunião entre os membros, e antes a pessoa deve ser “educada” para “corrigir seus erros a tempo”.

    Em vez disso, a renúncia de Tuidang é um registro da escolha individual de cada pessoa que, apesar de ter sido educada na China e de ter jurado lealdade ao PCCh, entendeu a verdadeira natureza do Partido Comunista e não quer mais estar associada a ele; não quer ajudá-lo a espalhar mentiras; não quer ser responsabilizada por seus muitos crimes e não se identifica mais com uma ideologia que compactua com sua ideologia.

    Exatamente para que todos possam tomar essa decisão mantendo sua segurança, muitos renunciam ao Partido com um nome falso.

    Embora não seja um documento governamental, alguns países, inclusive os EUA, aceitam o certificado de Tuidang com o nome verdadeiro da pessoa como uma prova de não-filiação ao PCCh no processo migratório. E, embora não tenha valor oficial, o enorme número de renúncias está levando o Partido ao colapso.

    Da mesma forma que uma pessoa tem corpo e mente, a estrutura organizacional do Partido é o seu corpo, e o conjunto de teorias e ideologias comunistas é a sua mente. Porque as pessoas aceitam as doutrinas maléficas, o Partido pode se estabelecer no mundo e formar uma organização. Porque as doutrinas são postas em prática, o comunismo pode cometer seus crimes. O Partido Comunista, na verdade, existe no coração das pessoas. Se todos puderem ver através das mentiras e esquemas do PCCh, ele não conseguirá mais enganar ninguém, e irá entrar em colapso.

    O grande sucesso do movimento Tuidang é a força dos nove comentários em exorcizar o espectro comunista, e da vontade do povo chinês de se libertar do PCCh.

    Depoimentos

    O que estão dizendo: histórias de renúncia ao Partido

    Oficiais, ativistas, dissidentes e personalidades de todas as áreas estão renunciando ao PCCh.

    Hao Fengjun

    Hao Fengjun

    Tuidang em junho de 2005

    “Os Nove Comentários expõem os aspectos obscuros da China, que são todos fatos. Depois de ler os Nove Comentários, eu tive a ânsia de sair [do Partido].”

    Ex-oficial do escritório 6-10 da cidade de Tianjin: a polícia secreta encarregada de perseguir a minoria religiosa Falun Gong. Trabalhou também no “time 4”, encarregado de perseguir cristãos e outras religiões. Desertou para a Austrália e renunciou ao Partido com seu nome real.

    Chen Yonglin

    Chen Yonglin

    Tuidang em 4 de junho de 2005

    “Acho que o movimento ajuda o povo chinês a se libertar das amarras mentais impostas pela lavagem cerebral e intimidação do Partido, encorajando a pensar e a agir de forma independente. Quando todos os chineses verem através das mentiras e esquemas do Partido, ele não conseguirá mais enganar ninguém, e irá entrar em colapso.”

    Era primeiro-secretário do Consulado Chinês em Sydney, na Austrália, quando fez sua renúncia ao PCCh através do site do Epoch Times, usando seu nome real. Anunciou sua saída do Partido no aniversário do Massacre na Praça da Paz Celestial, desertando do regime chinês.

    Lin Yudan

    Lin Yudan

    24 de janeiro de 2023

    “Nasci em uma família cristã. Desde a infância amo o país e o odeio o PCCh. Me recusei a entrar nos Jovens Pioneiros. Era criança, e não rejeitei porque achei bonito. Mas eu estava errada, e me arrependi. Eu aqui renuncio aos Jovens Pioneiros com meu nome verdadeiro, para cortar qualquer relação que eu ainda tenha com o trapo vermelho do PCCh.”

    Ex-jornalista no Jornal Legal de Xangai, o principal instrumento de propaganda do Comitê Municipal do PCCh.

    Xue Yinxian

    Xue Yinxian

    Tuidang em 8 de setembro de 2017

    Foi médica-chefe de múltiplos times desportivos nacionais, inclusive em 3 Olimpíadas. Famosa por expor o doping sistêmico de atletas chineses.

    Guan Guimin

    Guan Guimin

    Tuidang em 27 de março de 2005

    Renomado tenor com participação na trilha sonora de mais de 50 filmes e novelas, lembrado como uma celebridade da década de 1980 na China.

    Gao Zhisheng

    Gao Zhisheng

    Tuidang em novembro de 2005

    Advogado de Direitos Humanos nomeado ao Prêmio Nobel da Paz; autor de “A China More Just”.

    Outras renúncias registradas

    Jian Ge

    15 de dezembro de 2007, Província de Hunan

    “Eu trabalhava na Praça da Paz Celestial como um policial armado em Pequim. Naquela época, eu participei da perseguição ao Falun Gong. Agora eu entendo a verdade. Eu aqui renuncio à minha filiação aos Jovens Pioneiros e à Liga da Juventude Comunista, e declaro nulos os juramentos que fiz [a essas organizações].”

    Wang Yang

    13 de abril de 2015, China

    “Sou promotor-adjunto de um condado na China continental. Meu trabalho não me permite lidar com os casos de acordo com a lei, mas de acordo com o que meus supervisores e o Partido me dizem. Eu agora reconheço a natureza ditatorial, maligna e criminosa do Partido Comunista Chinês e aqui renuncio ao maligno PCCh e suas organizações afiliadas. Eu rompo meus laços com o Partido Maléfico.”

    Xuanxuan

    14 de maio de 2012, Xangai

    “Sou um estudante. Na escola, eu sou obrigado a vestir o lenço vermelho e participar da cerimônia de filiação aos Jovens Pioneiros. Estudantes que recusam o lenço não podem entrar na sala de aula. Eu aqui anuncio minha renúncia à Liga da Juventude Comunista e organizações afiliadas e não reconheço nenhuma delas… O que eu coloco todos os dias ao redor do pescoço é só um pedaço de pano vermelho. Não significa nada, e não é símbolo de coisa nenhuma.”

    Yao Dahai (姚大海)

    28 de fevereiro de 2025, China continental

    “Sou membro desmobilizado das Forças Armadas, que no passado se juntou às organizações ateístas do Partido Comunista Chinês, sua Liga da Juventude e os Jovens Pioneiros. Sob a política de planejamento familiar do PCCh [a política do filho único], eu fui desfiliado do Partido por ter um segundo filho. Hoje, eu renuncio completamente ao meu envolvimento com as organizações malignas do PCCh ateísta; retiro de mim a marca da besta que vem com elas; e eu dou as boas-vindas a um futuro brilhante sob a graça dos Deuses e Budas.”

    Zhang Kaichen

    Tuidang em 1 de janeiro de 2010

    Ex-diretor de relações institucionais do Departamento de Propaganda do Município de Shenyang.

    A missão

    O que é o Epoch Times e porque escrevemos os Nove Comentários

    O Epoch Times nasceu para falar a verdade ao mundo sobre a perseguição religiosa na China. Esta é a principal história da China contemporânea e o cerne de tudo que o PCCh faz desde 1999, quando começou a perseguição ao Falun Gong.

    “Falun Gong”, também conhecido como “Falun Dafa”, é classificado como uma religião por alguns governos, mas é mais comumente descrito como uma “prática espiritual” ou prática de “autocultivo”. Ele tem diversos elementos encontrados na tradição oriental: possui um conjunto de exercícios suaves que lembram tai chi chuan e qigong; uma meditação sentada que lembra o budismo; e uma filosofia com princípios morais para ser uma pessoa boa, com base nos princípios da Verdade-Compaixão-Tolerância. A prática foi divulgada por Li Hongzhi em 1992, na China, e ele também compilou os ensinamentos a respeito no livro “Zhuan Falun”.

    O sistema de meditação se espalhou como um fenômeno na China e, em poucos anos, segundo estimativas do próprio governo chinês, o número de praticantes alcançou 100 milhões — cerca de uma a cada 12 pessoas no país e o equivalente à metade da população brasileira. O Partido originalmente o louvou na mídia pelos benefícios de saúde e encorajou as pessoas a praticarem.

    Prática coletiva de Falun Dafa no sul da China em 1998
    Prática de Falun Dafa no sul da China em 1998.

    Jiang Zemin era o líder do PCCh à época e também o primeiro líder a não ter passado pelas revoluções que instauraram o regime atual na China. Ele não tinha a bagagem dos líderes anteriores, nem uma teoria política bem estruturada como eles. Além disso, embora o Falun Gong dissesse claramente que não estava interessado em política e não queria nenhum envolvimento em assuntos políticos, o grande número de praticantes era visto como uma ameaça ao controle ideológico total que o PCCh exige sobre o povo, além de ser visto como uma oportunidade para que Jiang Zemin conquistasse algum tipo de reputação ao participar de uma campanha de luta e repressão — algo comum na história do PCCh.

    Em 20 de julho de 1999, o PCCh mobilizou a força total da nação mais populosa do mundo e mais de meio século de experiência em controle autoritário, campanhas de perseguição política e genocídio, para atacar o grupo espiritual pacífico que ele antes incentivou, com as diretrizes de: “arruinar suas reputações; levá-los à falência; e destruí-los fisicamente”.

    Milhões ficaram sem emprego ou moradia e perderam suas economias. Crianças ficaram sem poder ir à escola, familiares e amigos que não praticavam Falun Gong foram implicados por associação, milhares foram mandados a campos de tortura. Para voltar toda a população contra o Falun Gong, toda a mídia do país passou a transmitir propaganda contra a prática 24 horas por dia, e exames escolares pediam que os alunos escrevessem críticas e diminuíssem o Falun Gong.

    Para a mídia de fora da China, o PCCh era a única fonte de informação, e em diversos países, as mentiras do PCCh foram reproduzidas sem qualquer exame, efetivamente contribuindo para a perseguição e tornando outros países cúmplices sem que soubessem.

    O Epoch Times foi fundado por praticantes de Falun Gong vivendo nos EUA e, para muitos, se tornou rapidamente a única fonte sobre a realidade do que ocorre na China — desde nossas análises de documentos internos e nossa rede secreta de informantes até, mais recentemente, nossa cobertura pioneira das origens da Covid e de como foi a pandemia na China. Em poucos anos, a pequena publicação feita por voluntários se tornou uma gigante com alcance global, presente em 23 línguas e 36 países. Nossa edição em inglês é o quarto jornal mais assinado dos EUA.

    Peter Yuan Li ferido após invasão à sua casa por agentes do PCCh em 2006
    Peter Yuan Li, então CTO do Epoch Times e praticante de Falun Gong, tem sua casa invadida por agentes secretos do PCCh em 2006. Ele é espancado e dois de seus computadores são roubados.

    Esperamos que, sabendo realmente a verdade, o povo chinês e todas as pessoas ao redor do mundo tenham a chance de se posicionarem sinceramente contra a perseguição, entender o que é o Falun Gong, o que é o PCCh e por que essa perseguição ocorre até hoje, e assim não apenas evitar que sejam cúmplices desse genocídio, mas também levar ao fim dele o mais rápido possível. Para cumprir nossa missão, colocamos nos Nove Comentários sobre o Partido Comunista a exposição mais cabal sobre o que exatamente ele é.