
O vice-presidente dos EUA, JD Vance (à esquerda), e o secretário de Estado, Marco Rubio, saem do Edifício Executivo Eisenhower, no complexo da Casa Branca, após uma reunião com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, em Washington, em 14 de janeiro de 2026. (Brendan Smialowski/AFP via Getty Images)
O mundo pode ter esquecido a crise sobre a Groenlândia, mas os Estados Unidos ainda não esqueceram — ao menos segundo Jeff Landry, enviado especial de Trump para a ilha e governador da Louisiana.
Em entrevista ao Breitbart, Landry disse na quarta-feira que conversou recentemente com Donald Trump e que o presidente voltou ao tema:
Precisamos adquirir a Groenlândia. Trump não se esqueceu disso.
A Groenlândia não é apenas uma ilha remota. Para Washington, ela combina três ativos decisivos:
posição militar no Ártico;
acesso a rotas marítimas emergentes;
reservas de minerais críticos em uma disputa cada vez mais direta com Rússia e China.
O que aconteceu
Landry afirmou que, após visitar a Groenlândia, saiu convencido de que há espaço para aproximar o território dos Estados Unidos.
Segundo ele, os groenlandeses querem:
relação mais próxima com Washington;
mais professores de inglês;
maior presença militar americana;
mais comércio direto;
menos dependência da Dinamarca.
Uma pesquisa da Verian de janeiro de 2025 mostrou que 56% dos groenlandeses apoiavam a independência da Dinamarca, mas apenas 6% diziam querer fazer parte dos Estados Unidos. Outra pesquisa, publicada pelo Copenhagen Post em fevereiro, indicou que 76% se opunham à adesão aos EUA.
Ou seja: há interesse em autonomia e em mais opções externas, mas anexação continua sendo politicamente sensível.

Um mapa que mostra a Groenlândia, a Islândia, as Ilhas Faroé e a Dinamarca está exposto no interior do escritório do representante da Groenlândia em Copenhague, na Dinamarca, em 25 de março de 2025. A Groenlândia, que se tornou uma colônia dinamarquesa no início do século XIX, recebeu autonomia limitada em 2009, permitindo que a ilha administrasse seus assuntos internos, ao mesmo tempo em que se mantinha o controle dinamarquês sobre suas políticas de defesa e relações exteriores. (Leon Neal/Getty Images)
O valor estratégico
Ainda sim, Landry chamou a Groenlândia de “incrivelmente importante” para os Estados Unidos.
O motivo é geográfico. A ilha fica entre a América do Norte e a Europa, próxima de rotas aéreas, marítimas e militares essenciais no Atlântico Norte e no Ártico.
Na prática, a Groenlândia serve como:
posto avançado de vigilância;
ponto de alerta contra mísseis;
base para monitorar atividades russas;
ponte entre América do Norte, Europa e Ártico;
plataforma para defesa espacial e sensores.
Os EUA já mantêm ali a Base Espacial de Pituffik, no noroeste da ilha. Durante a Segunda Guerra e a Guerra Fria, a presença americana foi muito maior. Laundry disse ao Epoch Times qual foi o erro de Washington: “logo após o fim da Guerra Fria, os dividendos da paz dos Estados Unidos basicamente falharam com a Groenlândia, porque, na prática, esvaziamos as bases”.
O fator Rússia e China
A importância da Groenlândia cresceu porque o Ártico voltou ao centro da disputa entre grandes potências.
A Rússia revitalizou dezenas de instalações militares soviéticas no Ártico, ampliou bases, radares, aeródromos e portos de águas profundas. A China, por sua vez, se declarou um “Estado quase-ártico” e busca presença em mineração, infraestrutura e rotas marítimas na região.

O quebra-gelo russo movido a energia nuclear no Polo Norte, em 18 de agosto de 2021. A Rússia possui mais de 60 quebra-gelos, enquanto os Estados Unidos têm apenas dois, segundo o deputado Mike Waltz. (Ekaterina Anisimova/AFP via Getty Images)
O cálculo americano: se Washington se afastar, Moscou e Pequim ocuparão o espaço.
Por isso, Trump já defendeu adquirir ou anexar a Groenlândia “por uma questão de segurança nacional”, antes que interesses russos ou chineses se consolidem no território.
Recursos e rotas
A Groenlândia também é rica em petróleo, gás, pesca, metais e terras raras.
Esses recursos importam porque os EUA ainda dependem fortemente da China em minerais críticos usados em tecnologia, energia e defesa. A Groenlândia tem potencial em ferro, grafite, tungstênio, paládio, zinco, ouro, urânio, cobre e terras raras.
Há outro ponto: com o derretimento do gelo, rotas marítimas árticas podem ganhar peso comercial e militar. Controlar ou influenciar esses corredores reduziria a dependência de gargalos tradicionais, como Suez e Panamá.
Como Washington quer avançar
Landry defende uma aproximação gradual, não apenas uma compra direta.
As medidas incluem:
enviar mais militares;
repovoar antigas bases;
criar rota marítima direta com os EUA;
estabelecer voos diretos;
ampliar comércio;
fortalecer educação e saúde;
aumentar o intercâmbio com os groenlandeses.
Os EUA já deram um passo simbólico: inauguraram em maio um consulado maior em Nuuk, capital da Groenlândia.
Para Trump e Landry, a Groenlândia voltou a ser peça central da segurança americana. A disputa não é só territorial. É militar, econômica, tecnológica e geopolítica.

Uma embarcação de patrulha com a inscrição “P571” passa ao lado de tanques de armazenamento de combustível ao longo da costa, perto do Aeroporto de Nuuk, com ilhas cobertas de neve ao fundo, em Nuuk, na Groenlândia, em 20 de janeiro de 2026. (Jonathan Nackstrand/AFP via Getty Images)
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.







