Comprimidos de mifepristona em uma clínica da Planned Parenthood em Ames, Iowa, em 18 de julho de 2024. (Charlie Neibergall/AP Photo)

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

A questão do aborto não vai desaparecer, por mais que muitos políticos desejem que isso aconteça.

Ela persiste porque a discussão e o debate dizem respeito à nossa própria existência. O que é a vida?

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso Dobbs v. Jackson Women’s Health Organization, em 2022, revogou a decisão Roe v. Wade, que definia o panorama do aborto nos Estados Unidos desde 1973. Esse panorama estabelecia o direito ao aborto como protegido pela Constituição dos Estados Unidos.

Dobbs reverteu isso, concluindo que a Constituição não contém tal direito e determinando que a questão fosse “devolvida ao povo e aos seus representantes eleitos”. Na sequência disso, cada estado tomou a iniciativa de definir seu próprio regime de aborto.

Mas isso pode realmente funcionar?

Não funcionou na primeira grande questão que dividiu os EUA: a escravidão. Todos os homens são iguais aos olhos de Deus? Se sim, então não são todos iguais aos olhos do governo? A escravidão aceitava a inferioridade de alguns. Os americanos, em última instância, lutaram e rejeitaram a premissa de que a igualdade de todos aos olhos do nosso Criador pudesse ser diferente de estado para estado.

E o mesmo se aplica ao aborto.

A Declaração de Independência americana afirma que conferimos ao governo a responsabilidade de proteger nosso direito à vida, concedido por Deus.

Como esse entendimento pode variar de estado para estado? A compreensão da vida, de sua natureza e santidade define a essência dos EUA. É um valor nacional.

Estamos agora lidando com essa questão em relação a um medicamento abortivo chamado mifepristona.

Quando o medicamento foi disponibilizado pela primeira vez, havia a exigência de que ele só fosse dispensado mediante consulta pessoal a um médico.

Essa regra foi flexibilizada temporariamente em 2021 devido à COVID-19 e, em seguida, tornou-se permanente em 2023, durante o governo Biden.

Mas será que podemos realmente permitir que qualquer pessoa acesse a internet e encomende um medicamento que destrói uma criança que vai nascer, da mesma forma que se encomenda um livro ou um par de sapatos?

Precisamos de um médico para prescrever algo tão básico quanto um antibiótico.

Dada a realidade atual nos EUA, em que alguns estados proíbem o aborto e outros o permitem, como lidar com aquelas que vivem em um estado onde o aborto é ilegal e encomendam mifepristona online de um fornecedor em um estado onde o aborto é legal?

Há agora inúmeras histórias sobre a integridade das mulheres sendo prejudicada por aqueles que querem que ela aborte contra sua vontade, por exemplo, um namorado que quer que sua namorada aborte contra sua vontade e que, furtivamente, lhe dá o medicamento.

Há também opiniões muito divergentes sobre o quão segura é a droga.

O estado da Louisiana processou a FDA (equivalente a Anvisa do Brasil) no ano passado, alegando que a disponibilidade legal da mifepristona pelo correio minava a proibição do aborto em seu estado. Na semana passada, a Louisiana obteve uma decisão a seu favor no 5º Tribunal de Apelações do Circuito dos EUA, em Nova Orleans.

Agora, os fabricantes do medicamento entraram com uma petição na Suprema Corte contestando a decisão do tribunal de apelações, e o juiz Samuel Alito suspendeu temporariamente a decisão enquanto a Corte analisa o pedido. As questões técnicas sobre por que a proibição da venda do medicamento online, sem consulta médica, deve ser mantida — minando as proibições ao aborto em vários estados, a exposição das mulheres a alguém que as induza secretamente a tomar o medicamento contra sua vontade, a segurança do medicamento — são todas relevantes.

Mas o mais relevante é a questão central do que significa a santidade da vida para nossa nação.

Os problemas sociais que abundam em nossa nação hoje refletem a cultura de Roe v. Wade, que colocou a escolha da vida no mesmo plano que o planejamento das próximas férias.

Sexo sem amor. Relacionamentos sem compromisso. Gravidez sem casamento. Ter filhos sem assumir responsabilidade por eles.

Temos agora uma nação envelhecida, com o casamento, a família e os filhos desaparecendo.

Em outras palavras, à medida que a santidade da vida foi comprometida, nosso futuro foi comprometido.

Nosso presente e nosso futuro estão em jogo. Nada menos do que isso.

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