Um míssil MANPAD (Sistemas Antiaéreos Portáteis) é detonado ao longo da costa em frente ao campo de tiro, a leste da capital líbia, Trípoli, em 11 de dezembro de 2011. (Ismail Zitouny/Reuters)

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Informações dos serviços de inteligência dos EUA indicam que o PCCh poderia estar se preparando para enviar mísseis antiaéreos ao Irã nas próximas semanas, em meio a um cessar-fogo, sinalizando uma mudança do apoio indireto para o envolvimento militar direto, apesar de se apresentar como um pacificador.

De acordo com uma entrevista da CNN a fontes familiarizadas com avaliações recentes de inteligência, os sistemas que Pequim está se preparando para transferir são sistemas de mísseis antiaéreos lançados do ombro, conhecidos como MANPADs, que são portáteis, fáceis de ocultar e difíceis de interceptar. O envio, se confirmado, marcaria uma escalada significativa no apoio material chinês ao Irã e ocorreria durante um frágil cessar-fogo de duas semanas entre o Irã e os Estados Unidos.

Os MANPADs foram usados com eficácia contra aeronaves americanas voando a baixa altitude durante as primeiras cinco semanas do conflito. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um caça americano provavelmente foi abatido por um míssil lançado do ombro, que o Irã alegou fazer parte de um novo sistema de defesa aérea. O estoque de MANPADs do Irã estava esgotado, e o suposto carregamento chinês parece ter como objetivo reabastecê-lo.

A China ampliou sua parceria com o Irã por meio de acordos econômicos e transferências de tecnologia de dupla utilização vinculadas ao acordo de 2021. Analistas afirmam que esse apoio contribuiu para mortes de civis ao aprimorar as capacidades de mísseis e drones do Irã. Especialistas norte-americanos estão investigando se os recentes ataques a Israel e aos países do Golfo envolveram componentes de fabricação chinesa, particularmente aqueles ligados a sistemas de combustível sólido.

A China forneceu materiais e conhecimento técnico para a produção de combustível sólido para foguetes, incluindo perclorato de amônio, aumentando o alcance, a capacidade de sobrevivência e a velocidade de lançamento dos mísseis. Essas remessas costumam ser encaminhadas por redes complexas para contornar sanções, e informações de inteligência sugerem que as entregas de MANPADs podem seguir canais secretos semelhantes. O apoio adicional incluiu ferramentas de fabricação, sistemas de orientação e assistência técnica que melhoram a precisão e a confiabilidade.

A China também tem sido associada a remessas de materiais relacionados a mísseis, incluindo perclorato de sódio entregue em portos como Chabahar e Bandar Abbas. O Irã tem buscado armas chinesas avançadas, incluindo mísseis antinavio supersônicos que poderiam ameaçar o Estreito de Ormuz. Alguns analistas observam que essa cooperação poderia alterar o equilíbrio militar regional e prejudicar as relações de Pequim com os Estados do Golfo.

Um menino observa o Sistema de Navegação por Satélite BeiDou em uma exposição que marca o 40º aniversário da reforma e abertura da China, no Museu Nacional da China, em Pequim, em 27 de fevereiro de 2019. (Wang Zhao/AFP via Getty Images)

Além do hardware, a China pode ter fornecido acesso ao seu sistema de navegação BeiDou, melhorando a capacidade do Irã de atingir alvos dos EUA e de Israel. O aumento da precisão dos ataques do Irã reforça as preocupações sobre o aprimoramento das capacidades de orientação, enquanto seu programa espacial continua a desenvolver tecnologias aplicáveis a mísseis balísticos intercontinentais.

A parceria conta com redes logísticas que utilizam empresas de transporte marítimo, empresas de fachada e centros de transbordo em países terceiros para ocultar transferências sensíveis. Apesar de ataques anteriores dos EUA à sua infraestrutura de mísseis, o Irã reconstruiu capacidades-chave, sugerindo apoio externo contínuo. Empresas chinesas também utilizaram inteligência artificial, imagens de satélite e dados de rastreamento de voos para mapear movimentos militares dos EUA e compartilhar inteligência com o Irã. Componentes chineses foram identificados em drones iranianos utilizados por grupos aliados regionais e exportados para a Rússia para uso na Ucrânia.

A China suspendeu a maioria das transferências diretas de armas para o Irã após o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovar a Resolução 2231 em 2015, passando a oferecer, em vez disso, apoio em produtos de dupla utilização e relacionados à defesa. Pequim nega fornecer armas, descartando relatos de transferências de armas como falsos, e provavelmente emitirá negativas semelhantes em relação ao suposto envio de MANPADs.

Nesse contexto, a China tem procurado se apresentar como pacificadora e os Estados Unidos como belicistas. Alguns meios de comunicação atribuíram ao PCCh o mérito de ter ajudado a intermediar o cessar-fogo, mas essa caracterização é exagerada. Autoridades iranianas, falando anonimamente ao New York Times, afirmaram que uma intervenção chinesa de última hora ajudou a convencer Teerã a aceitar a proposta de cessar-fogo do Paquistão. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, agradeceu publicamente à China por seu apoio, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da China limitou-se a declarar que Pequim havia feito “seus próprios esforços”, sem chegar a reivindicar crédito direto.

A propaganda do PCCh posicionou a China como uma potência global responsável e um contrapeso ao que descreve como belicismo dos EUA, e mesmo alegações limitadas de um papel pacificador servem a essa narrativa a um custo mínimo. No entanto, as fontes primárias que atribuem um papel decisivo à China são o Irã e o Paquistão, nenhum dos quais pode ser considerado objetivo. O Irã depende da China em termos de dinheiro, tecnologia e apoio para seus programas de mísseis e nucleares, o que lhe dá todos os incentivos para dar crédito a Pequim de maneiras que elevem a China enquanto minam a posição dos EUA na comunidade internacional.

O Paquistão, cuja relação com a China é descrita como uma “irmandade de ferro”, depende fortemente do investimento e do apoio diplomático chinês e sediou as conversas de cessar-fogo em parte para elevar seu próprio status regional. Atribuir o mérito à China não acarreta nenhum custo para Islamabad e reforça uma relação da qual depende.

Washington não confirmou que a China tenha desempenhado um papel significativo no cessar-fogo. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, limitou-se a afirmar que “houve conversas entre os altos escalões do nosso governo e do governo chinês”, uma declaração vaga que está muito aquém de atribuir a Pequim o mérito de ter mediado a trégua.

Quando questionado pela Agence France-Presse (AFP) se a China havia ajudado a trazer o Irã para a mesa de negociações, Trump respondeu: “Ouvi dizer que sim”, um reconhecimento de segunda mão, não uma afirmação direta. A mediação do Paquistão foi o mecanismo publicamente confirmado. O papel da China, se é que houve algum, permanece não verificado por nenhuma parte sem interesse direto em afirmá-lo.

Em suma, o regime comunista chinês não é o pacificador global responsável pelo cessar-fogo no conflito entre os EUA e o Irã. Em vez disso, parece ter mudado de apoiar a guerra por meio de tecnologia de dupla utilização para o fornecimento direto de armas que poderiam ser usadas contra aeronaves e pessoal dos EUA.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

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