
Soldados de 2ª classe da Bateria Bravo, 1º Batalhão, 43º Regimento de Artilharia de Defesa Aérea, realizam uma validação do sistema em um lançador Patriot em 24 de abril de 2019, na Base Aérea de Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos. Equipes certificadas mantêm cobertura 24 horas por dia para garantir a manutenção e o desempenho adequados do sistema de mísseis Patriot que protege a base. (Foto da Força Aérea dos EUA tirada pela Sargento Técnica Jocelyn A. Ford)
Os Estados Unidos estão tentando colocar sua indústria de defesa em ritmo de guerra antes que um conflito prolongado revele, tarde demais, se o país consegue produzir armas na velocidade necessária. É esse o balanço feito por um relatório publicado em julho pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês).
Segundo a organização, Washington fez "progresso significativo" nessa direção. Mas os planos e anúncios de investimento ainda não se converteram em capacidade consolidada: munições críticas levam anos para serem fabricadas, estoques seguem pressionados e cadeias de suprimento estratégicas continuam vulneráveis.
O que significa "pé de guerra"
O ponto de partida é uma meta anunciada pelo Pentágono em novembro de 2025: colocar a base industrial americana em "wartime footing" (pé de guerra, em tradução livre). A base industrial de defesa é o conjunto de empresas, fábricas e fornecedores que produzem armas e equipamentos militares. Estar em pé de guerra, na definição citada pelo relatório, é "a condição de estar preparado para dissuadir e, se necessário, prevalecer em um conflito prolongado".
Em outras palavras: não basta ter armas hoje. É preciso conseguir fabricá-las e repô-las de forma contínua, caso uma guerra dure anos.
McGinn e Dilts, autores do relatório, listam sinais concretos de mudança. Cerca de 10 mil novas empresas entraram no mercado de defesa nos últimos dois anos, e companhias não tradicionais — que normalmente não vendem ao Pentágono — receberam mais de US$ 120 bilhões em obrigações contratuais no ano fiscal de 2025.
As obrigações contratuais em munições, segundo análise do CSIS, subiram 330% desde 2010. O Departamento de Defesa vem assinando acordos plurianuais com fabricantes de munições "em escala histórica", garantindo demanda por vários anos e estimulando as empresas a ampliar fábricas.
Há também uma mudança de perfil nas compras. O Pentágono quer mais munições baratas, produzidas em massa, ao lado dos mísseis sofisticados e caros. No orçamento de 2027, armas de baixo custo representam 49% das munições solicitadas; a projeção para 2031 sobe para 70%.
"Planos não são resultados"
Apesar dos avanços, o relatório faz uma ressalva central: "planos industriais não são o mesmo que resultados". Investimento isolados também não equivaleria a poder industrial de fato.
Segundo o relatório, os estoques americanos de várias munições-chave, consumidos na guerra no Irã, correm o risco de ser insuficientes para conflitos futuros, especialmente os interceptores de defesa aérea e antimíssil.
O problema, escrevem McGinn e Dilts, não é apenas comprar mais armas — é o tempo de fabricação. Com base nos documentos orçamentários das Forças Armadas, munições críticas têm prazos de produção entre 25 e 51 meses. Ou seja: um míssil encomendado hoje pode levar mais de quatro anos para ser entregue.
Em uma crise, esse intervalo define se os estoques podem ser repostos no ritmo em que são consumidos. É por isso que o CSIS tratam os prazos de fabricação como um dos principais indicadores de que a base industrial "ainda tem um longo caminho a percorrer" para alcançar resiliência.
Terras raras e a dependência da China
O relatório também trata das terras raras — um grupo de 17 elementos químicos usados em ímãs de alto desempenho presentes em mísseis guiados, radares, drones e praticamente todos os grandes sistemas militares. Sem esses materiais, a produção de defesa trava.
Nesse setor, a dependência americana ainda é ampla. A China responde por 69% da produção global de terras raras, quase 90% da capacidade de processamento e refino e mais de 90% da fabricação de ímãs. De 2021 a 2024, os EUA importaram 71% de suas terras raras da China.
Em resposta, o governo americano anunciou US$ 7,6 bilhões em investimentos não acionários em projetos de terras raras entre 2025 e junho de 2026 — alta de 321% sobre os US$ 1,8 bilhão anunciados de 2020 a 2024.
Ainda assim, o relatório afirma que os esforços para reconstruir essa cadeia "estão em estágios iniciais" e levarão anos.
A aposta nos aliados
Nesse cenário, os Estados Unidos teriam necessidade de cooperação internacional, o que está ocorrendo. As vendas militares externas dos EUA — exportações de armas negociadas de governo para governo — cresceram 347% entre os anos fiscais de 2015 e 2025.
Para o relatório, esse crescimento aponta para uma possível integração industrial mais estreita com aliados e parceiros, que também estão elevando seus gastos de defesa.
Uma condição que se constrói
Segundo McGinn e Dilts, pé de guerra "não é um destino que se declara, mas uma condição que deve ser continuamente construída, testada e sustentada".
O objetivo final é dissuadir conflitos — e isso dependerá cada vez mais de os Estados Unidos e seus aliados conseguirem "gerar, empregar e reconstituir capacidade militar mais rápido do que os adversários conseguem exauri-la".






