Autoridades chinesas recebem o presidente dos EUA, Donald Trump, ao desembarcar do Air Force One no Aeroporto Internacional da Capital de Pequim, em Pequim, em 13 de maio de 2026. (Alex Wong/Getty Images)

Os primeiros dois anos, mais ou menos, da Guerra Civil dos EUA foram um desastre para o Norte. Embora o Sul tivesse muito menos homens, armas, ferrovias e dinheiro do que o Norte, o Sul conquistou vitória após vitória e chegou até a invadir o Norte.

Foi nessas circunstâncias frustrantes que o presidente Lincoln fez uma reflexão profunda e decidiu que precisava transformar a guerra em uma luta pelo fim da escravidão, e não simplesmente pela preservação da União, como havia feito inicialmente. Isso culminou na promulgação da Proclamação de Emancipação, que libertaria os escravos no Sul. Assim que essa nova prioridade ficou clara, as peças para a vitória do Norte começaram a se encaixar e se concretizaram menos de um ano depois, nas decisivas batalhas de Gettysburg e Vicksburg. O resto é história.

Na reorientação de Lincoln durante a guerra, há um exemplo instrutivo para o presidente Trump. O novo acordo de paz com o Irã parece destinado a desmoronar a qualquer momento; e, se não for agora, talvez mais tarde — e pior ainda, quando a explosão possa ser nuclear. É uma situação em que a vitória escapa aos Estados Unidos, semelhante àquela que o Norte enfrentou no início da Guerra Civil.

É hora de fazer uma reflexão profunda novamente. É claro que não queremos que o Irã tenha uma arma nuclear para aterrorizar Israel e o resto do mundo. No entanto, se compararmos o regime iraniano com o regime comunista chinês, os resultados são interessantes.

O Irã ameaça Israel, uma nação de 10 milhões de habitantes; tem abusado perigosamente dos Estados Unidos em sua retórica; e tem aterrorizado seu próprio povo por meio de seu controle totalitário da sociedade e de sua ideologia doentia e monolítica. Portanto, o Irã não pode possuir uma arma nuclear e foi devidamente punido por tentar obtê-la — incluindo a destruição de sua marinha, força aérea e a maior parte de seu arsenal aéreo.

Enquanto isso, a China ameaça Taiwan, uma nação de 23 milhões de habitantes; também tem atacado perigosamente os Estados Unidos em sua retórica (veja o livro “Guerra Irrestrita”, publicado por dois coronéis do exército chinês); e também aterrorizou seu próprio povo por meio de seu controle totalitário da sociedade — lembre-se da perseguição a praticantes do Falun Gong, cristãos e uigures — e, mais uma vez, encontramos uma ideologia doentia e monolítica — que chega a permitir o assassinato de cidadãos inocentes para a venda de seus órgãos. Acrescente-se a isso a enorme influência da China sobre as universidades americanas e Hollywood, bem como sua infiltração política e tecnológica.

No entanto, a China possui armas nucleares desde a década de 1960 e mantém relações comerciais normais e permanentes com os Estados Unidos. Em suma, a China também mantém uma relação comercial positiva com os Estados Unidos, que apresentam um déficit comercial de US$ 200 bilhões com a China.

É de se admirar que o Irã não tenha escrúpulos em buscar uma arma nuclear por quaisquer meios desonestos que forem necessários? A China é o modelo de “irmão mais velho” que o Irã admira.

O cálculo predominante que levou ao tratamento incongruente das relações com o Irã e a China tem sido a prosperidade econômica dos Estados Unidos — a política do “America First” (América Primeiro, na tradução). É também por isso que tivemos que encerrar rapidamente o conflito com o Irã, abrir o Estreito de Hormuz e fazer com que o petróleo chegasse ao mercado internacional — para manter baixos os preços na bomba.

Mas agora imagine se, em nossas relações exteriores, simplesmente deixássemos de lado a preocupação com a prosperidade econômica e apenas a segurança de longo prazo permanecesse como objetivo principal. Nesse cenário, poderíamos desafiar o Irã e a China de maneiras novas e interessantes — maneiras que também poderiam levar, eventualmente, à prosperidade econômica, mas que não a tomariam como foco (assim como o fim da escravidão se tornou o foco e, secundariamente, manteve a União unida).

Nesse realinhamento, podemos manter o bloqueio ao Irã, independentemente do impacto nos preços dos combustíveis. No entanto, talvez não precisemos fazer das armas nucleares do Irã um ponto de discórdia nas negociações. Como a China, a Rússia, a Coreia do Norte e o Paquistão possuem armas nucleares, as perspectivas de segurança a longo prazo não são significativamente piores pelo fato de o Irã também as possuir. Em vez disso, buscaríamos maneiras de incentivar mudanças dentro do Irã por parte do próprio povo iraniano, como garantir de forma agressiva que a população tenha acesso a informações sem censura que exponham o regime, impor sanções ao regime iraniano, punir seus funcionários por vias legais e liquidar seus ativos congelados. (E, é claro, punir de forma não tão pacífica quaisquer ações específicas que o Irã venha a tomar contra os Estados Unidos ou seus aliados.)

Na China, poderíamos reconhecer sem medo Taiwan como uma nação que, naturalmente, não deseja ser comunista e expor a longa lista de atrocidades do Partido Comunista Chinês. Podemos tomar medidas mais agressivas contra cidadãos chineses que entram nos Estados Unidos, assim como fazemos contra cidadãos iranianos — não importa o quanto as universidades da Ivy League reclamem. O Senado dos EUA aprovaria a Lei de Proteção ao Falun Gong e às Vítimas de Extração Forçada de Órgãos, que está sendo analisada atualmente, e o presidente Trump a assinaria — que se danem as consequências econômicas de curto prazo.

O Congresso dos EUA também pode tomar medidas contra empresas americanas que fornecem ao PCCh tecnologia utilizada para perseguir pessoas inocentes na China. A gigante da tecnologia Cisco Systems foi recentemente acusada exatamente disso, e uma investigação da Associated Press no ano passado mostrou como o Vale do Silício possibilitou prisões em massa brutais e vigilância na China. Nós nos curvaríamos à segurança, não aos bolsos das gigantes da tecnologia.

A segurança de longo prazo leva naturalmente à confiança, à estabilidade e à boa vontade. Esses fatores, aliás, são o terreno fértil para negócios prósperos, grandes e pequenos, e o solo fértil do qual brota a prosperidade econômica. Precisamos apenas definir bem nossas prioridades e ser pacientes. “America First”, sim, sem dúvida, mas isso deve significar segurança de longo prazo em vez de ganhos de curto prazo.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

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