
(Ilustração do Epoch Times, Madalina Kilroy/Epoch Times, Tom Gantert/Epoch Times, Departamento de Justiça, Doral Chenoweth III/Columbus Dispatch via AP)
DANVILLE, Ohio — Na varanda da frente da casa de Tycen Proper, em Danville, Ohio, havia uma almofada com a bandeira americana sobre uma cadeira.
Isso não parece fora do lugar nesta cidade de pouco mais de 1.000 habitantes.
Bandeiras americanas piscam no painel eletrônico do posto de gasolina da esquina e estão penduradas nos postes de telefone que margeiam a rua principal. Elas tremulam no único parque da cidade, ao lado de um canhão, e acima das homenagens fotográficas aos moradores que servem nas Forças Armadas e nas forças de segurança, espalhadas pelos postes de luz ao longo da rua principal.
Até mesmo o bar local, o Hangout, tem uma bandeira americana acima da entrada e em cima do refrigerador de exposição.
Cercada por terras agrícolas por milhas, esta é a pequena cidade de Ohio onde Proper cresceu e onde, supostamente, teria conspirado com um grupo online de americanos antigovernamentais na tentativa de realizar um ataque em massa durante o evento do Ultimate Fighting Championship (UFC) na Casa Branca, em 14 de junho.
A polícia local, que atendeu em 10 de junho a uma ligação da mãe de Proper devido à preocupação dela de que as teorias da conspiração antigovernamentais do filho pudessem levar à violência, conhecia bem a família. A delegacia fica a menos de 500 metros da casa onde Proper morava com os pais.
O pai de Proper, Adam, disse ao Epoch Times que a família ainda não estava pronta para dar entrevistas. Os moradores da cidade relutam em falar sobre ele oficialmente. É uma cidade, disse um barman, onde os boatos perduram para sempre.
O celular de Tycen Proper se tornou o fio que desvendou uma suposta trama para desencadear uma revolução nos Estados Unidos.
Outros estão irritados com a publicidade negativa trazida à cidade por repórteres de fora.
“Ninguém se importou quando nosso policial foi morto”, disse uma mulher de meia-idade de Danville que estava do lado de fora de uma loja de conveniência. “Mas esse garoto..”.

(Canto superior esquerdo) Uma bandeira americana pisca em um painel eletrônico do lado de fora de um posto de gasolina na zona rural de Danville, Ohio, em 25 de junho de 2026. (Canto superior direito) Um estabelecimento local demonstra orgulho pela cidade em Danville, Ohio, em 25 de junho de 2026. A cidade, com cerca de 1.000 moradores, ganhou destaque nacional depois que Tycen Proper, morador de Danville, foi indiciado por supostamente conspirar para realizar um ataque durante o evento do Ultimate Fighting Championship na Casa Branca. (Canto inferior esquerdo) Uma placa dá as boas-vindas aos visitantes em Danville, Ohio, em 25 de junho de 2026. (Canto inferior direito) O Memorial Park de Danville exibe um canhão e bandeiras, em Danville, Ohio, em 25 de junho de 2026. A cidade é o foco de uma investigação federal sobre uma conspiração para derrubar o governo que envolve réus de sete estados. (Tom Gantert/The Epoch Times)
Em janeiro de 2016, o policial Thomas Cottrell foi morto a tiros por Herschel Jones III, que pretendia matar um policial naquele dia. Uma placa em homenagem a Cottrell com a inscrição “Os heróis vivem para sempre em nossos corações” está afixada na parede do lado de fora da entrada da delegacia.
Esta é uma cidade que exibe com orgulho seu patriotismo, seu apoio às forças de segurança e às Forças Armadas, e seu amor pelo time de futebol americano do colégio. Agora, ela é o centro de uma investigação federal sobre uma conspiração para derrubar o governo.
Um ano antes, Proper havia ameaçado se suicidar a um pastor local, de acordo com um relatório da polícia de Danville obtido pelo Epoch Times. Quando sua mãe ficou alarmada com sua retórica antigovernamental cada vez mais extrema em junho, a família entrou em contato com a polícia.
Nas mãos das autoridades, o celular de Proper tornou-se a pista que desvendou uma suposta conspiração antigovernamental envolvendo vários estados, com o objetivo de desencadear o que um dos conspiradores esperava que fosse uma revolução americana.
As autoridades federais já indiciaram oito homens de seis estados em conexão com a suposta trama para atacar o evento do UFC nos jardins da Casa Branca.

A montagem do evento “Ultimate Fighting Championship Freedom Fight”, marcado para 14 de junho, no gramado sul da Casa Branca, em 11 de junho de 2026. Os conspiradores supostamente planejavam lançar pequenos drones com explosivos para detonar sobre o lado norte da arena, forçando alvos de alto valor a evacuar o local; o grupo então atuaria como atiradores de elite e atiraria nessas pessoas, afirmaram os promotores. (Madalina Kilroy/The Epoch Times)
Os réus são Proper, de 19 anos; Abraham Hermosillo Alvarez, de 31 anos, de Omaha, Nebraska; Daniel K. Eskridge, de 32 anos, de Hamilton, Missouri; Bryan Omar Roa, de 25 anos, de Calimesa, Califórnia; Michael Alan Thomas, de 32 anos, de Pinon Hills, Califórnia; William Lee Spartacus Falkner, de 21 anos, de Belfair, Washington; Jordan W. Rincker, de 28 anos, de St. Joseph, Missouri; e Chandler Scaggs, de 21 anos, de Chapmanville, Virgínia Ocidental.
Todos enfrentam acusações federais de conspiração relacionadas ao suposto plano. Proper também é acusado de tentativa de homicídio de um agente federal, posse de arma de fogo para a prática de um crime violento e recebimento ou transferência de arma de fogo para uso em crime grave, de acordo com os autos do processo.
A Grande Revolução
As denúncias criminais apresentadas pelo Departamento de Justiça dos EUA traçam o retrato de um grupo de homens que tinha planos grandiosos de iniciar uma revolução, mas carecia da logística necessária para levá-la adiante de maneira realista.
O que os investigadores encontraram no celular de Proper transformou o caso de uma simples ocorrência local relacionada à saúde mental em uma ampla investigação federal sobre terrorismo. As conversas criptografadas, os planos organizacionais e as conversas armazenadas no aparelho de Proper levaram os investigadores a uma suposta rede cujos membros discutiam uma revolução para derrubar o governo americano.
As conversas no celular de Proper mostraram que a hierarquia do grupo online ia além de um único ataque.

O logotipo do Departamento de Justiça na sede do departamento em Washington, em 27 de abril de 2026. Autoridades federais indiciaram oito homens de seis estados em conexão com uma suposta conspiração para atacar um evento do Ultimate Fighting Championship no Jardim Sul da Casa Branca. (Madalina Kilroy/The Epoch Times)
Thomas disse ao grupo: “O que precisamos é de operadores habilidosos para atuarem como fantasmas. A maioria das missões que envolvem contato serão missões de infiltração. E isso ainda vai demorar um pouco. Há muito que podemos fazer antes de entrarmos em confronto direto”.
Eskridge afirmou que, em breve, milhões se juntariam ao movimento deles.
Ele acreditava que metade das forças armadas se uniria à causa deles e não seguiria “ordens ilegais”, e que havia a possibilidade de 3% da população apoiar o grupo.
“Acredito que estamos no ponto do ‘evento desencadeador’. Ou seja, para dar início a isso, precisamos de um ou mais eventos que levem as pessoas a perceber que a revolução começou oficialmente”, disse Eskridge.
O Plano
O objetivo final do ataque, segundo Thomas, era criar caos suficiente para derrubar o governo americano.
As denúncias criminais do Departamento de Justiça revelam um plano ambicioso para lançar um ataque ao complexo da Casa Branca em 14 de junho, durante o evento do UFC, com drones carregados de explosivos e equipes de atiradores de elite. Os detalhes da investigação levantam dúvidas sobre se o grupo teria realmente conseguido levar o plano adiante.
A operação teria envolvido cinco equipes de três pessoas cada: um atirador de elite, um operador de Nível 1 como apoio e um operador de drone.

Um fuzil do tipo AR e um fuzil bullpup supostamente adquiridos por Tycen Proper estão pintados com a bandeira americana, nesta foto de arquivo fornecida pelo Departamento de Justiça. Proper havia dito a seus pais que odiava o governo e afirmou que seu grupo online estava planejando “missões” para lidar com ele, segundo a polícia. (Departamento de Justiça)
Falkner falou da importância de manter em segredo as conversas sobre o planejamento do ataque. Em uma postagem, ele comentou como o governo poderia rastrear conversas online por meio de cookies e endereços IP.
“Se eles soubessem o que eu estava tramando, eu estaria em uma cela [agora mesmo]”, escreveu Falkner. “A intenção de cometer um crime ainda é um crime”.
Ele continuou: “Bem, isso não vai ser uma operação de bandeira falsa como as últimas dez tentativas contra a vida dele. Toda semana ouvimos falar de algum cara que foi lá sozinho com uma arma e levou um tiro. Não entendo o que há de tão difícil em simplesmente lançar alguns drones e conseguir ajuda para fazer isso”.
Thomas comemorou o massacre que o grupo esperava desencadear.
“Vai ser um [palavrão] banho de sangue”, escreveu Thomas, acrescentando um emoji de coração após sua declaração. “E transmitido ao vivo pela TV [sic]”.

(Esquerda) Uma captura de tela de uma denúncia apresentada no Distrito Central da Califórnia mostra mensagens e mapas no celular de Tycen Proper. Proper e um grupo de associados supostamente planejavam usar drones carregados de explosivos para forçar uma evacuação em massa no evento do Ultimate Fighting Championship na Casa Branca, permitindo que atiradores posicionados alvejassem os participantes em fuga. (À direita) Uma captura de tela de uma denúncia apresentada no Distrito Central da Califórnia mostra mensagens e mapas no celular de Tycen Proper. O grupo supostamente planejava usar o rio Potomac como rota de fuga, de acordo com o Departamento de Justiça. (Departamento de Justiça)
Recrutamento e Estrutura
Os membros eram avaliados por meio de vídeos, treinamento físico e compras de equipamentos. Membros de confiança passavam a utilizar plataformas criptografadas, incluindo Signal e SimpleX. Grupos maiores eram divididos em células operacionais menores.
Thomas teria escrito que o movimento seria dividido em quatro “níveis” que abrangeriam tudo, desde “guerra no estilo gorila [sic]” até recrutadores, influenciadores da rede social, angariadores de fundos e uma equipe de divulgação na mídia.
Os membros do Nível 1 estariam envolvidos no combate e receberiam alimentação, transporte, locais seguros e apoio caso se tornassem fugitivos. Ele também discutiu planos para “tirá-los da prisão” se necessário.
Os investigadores encontraram um grande chat com cerca de 19 participantes, além de grupos menores de planejamento baseados em funções.
Eskridge disse que não tinha “nenhum treinamento oficial de combate ou tático”, mas vinha “realizando exercícios de combate” com um grupo local.
Os investigadores identificaram Eskridge como o segundo no comando do grupo online, tendo Alvarez como líder. Proper foi identificado como estando na base da hierarquia de liderança, na função de “líder de equipe”.

Equipamento tático recuperado pelo FBI em uma busca realizada em 13 de junho na residência do réu Daniel Eskridge, nesta foto de arquivo. Os investigadores identificaram Eskridge como o segundo no comando de um grupo online de supostos conspiradores. (Departamento de Justiça)
O motivo
De acordo com um boletim de ocorrência divulgado ao Epoch Times pelo Departamento de Polícia de Danville, Proper havia dito a seus pais que odiava o governo porque eles eram malignos e adoradores de Satanás. Ele também contou aos pais que seu grupo online estava planejando “missões” para lidar com o governo maligno.
O conteúdo do celular de Proper forneceu aos investigadores informações adicionais sobre o que motivava os supostos conspiradores.
O suposto conspirador Michael Alan Thomas alertou os membros do grupo: “Considerem-se inimigos do Estado.”
“Quando as leis deixarem de ser escritas e aplicadas por criminosos, aí sim vou me importar em cumpri-las. O que estamos fazendo não é apenas nosso direito de nascença, mas também nosso dever como americanos”, escreveu Eskridge.
“O que fazemos aqui vai repercutir pelo mundo e ecoar por toda a história”.

Policiais de Danville examinam o estacionamento da delegacia onde o colega Thomas Cottrell foi morto a tiros, em Danville, Ohio, em 18 de janeiro de 2016. Danville ganhou destaque na mídia nacional quando Cottrell foi morto por um atirador que disse à namorada que estava tentando matar um policial. (Doral Chenoweth III/Columbus Dispatch via AP)
Thomas advertiu os membros do grupo: “Considerem-se inimigos do Estado”.
Stan Kephart, um chefe de polícia aposentado que atuou como administrador de segurança nos Jogos Olímpicos de 1984 em Los Angeles, disse que o FBI precisa levar essa ameaça a sério, mesmo que não haja recursos financeiros.
“Há motivação e intenção”, disse Kephart ao Epoch Times. “Não se pode ignorar isso. ... Essas pessoas ainda são perigosas”.
Falta de financiamento
A discussão online entre o grupo de conspiradores levou a uma conversa sobre a necessidade de dinheiro para adquirir os drones e os explosivos. Um dos conspiradores perguntou quanto seria necessário.
Thomas disse US$ 800 e acrescentou: “Estou sem um centavo. Posso contribuir com mão de obra, mas aposto que você conseguiria arranjar US$ 100 em uma semana de alguma forma. Talvez bastasse segurar um cartaz na beira da rodovia dizendo: ‘financiem os guerreiros da liberdade’”.

O chefe de polícia aposentado Stan Kephart é entrevistado para um documentário da EpochTV em 2 de junho de 2022. Kephart disse ao Epoch Times que, embora a iniciativa envolvendo Proper e outros supostos conspiradores carecesse de financiamento, ela deveria ser levada a sério. (Tal Atzmon/The Epoch Times)
Durante conversas sobre planos de fuga após o ataque, Alvarez escreveu: “Nossas opções de evacuação são muito caras [sic] com nossos recursos atuais; consigo arranjar os 15 mil, mas vai demorar. Não é o suficiente. Então, precisamos de outra saída”.
Roa teve problemas mecânicos no carro durante a semana em que deveria viajar para Washington.
Kephart disse que a falta de financiamento prejudicou o ataque.
“Essa é a primeira e mais importante coisa”, disse ele. “Não dá para fazer nada a menos que você consiga levar sua equipe até lá”.
O ataque poderia ter dado certo?
Kephart citou a tentativa de assassinato contra Trump na Pensilvânia como um exemplo de como até mesmo uma única pessoa pode ter sucesso em um ataque se as forças de segurança não cumprirem seu papel adequadamente.
Um relatório recente do Departamento de Segurança Interna detalhou como o Serviço Secreto dos EUA perdeu várias oportunidades de detectar, impedir e frustrar a tentativa de assassinato em Butler, na Pensilvânia, em 2024.

O deputado Pat Fallon (R-Texas) questiona o diretor interino do Serviço Secreto, Ronald L. Rowe Jr., sobre as falhas de segurança relacionadas às tentativas de assassinato contra o presidente eleito Donald Trump, durante uma audiência no Capitólio, em Washington, em 5 de dezembro de 2024. O especialista em segurança Doug Kouns disse que a maioria das pessoas não percebe a magnitude da segurança envolvida em um evento na Casa Branca. (Rod Lamkey, Jr., / AP Photo)
Doug Kouns, especialista em segurança da Veracity IIR e ex-agente especial e agente especial supervisor do FBI, disse que as pessoas não percebem o quanto de segurança está envolvido em um evento na Casa Branca.
Kouns afirmou que existem medidas contra drones em vigor para eventos de grande visibilidade, como o evento do UFC.
“Qualquer coisa que subir no ar por lá será detectada quase imediatamente e neutralizada”, disse ele. “Não tem literalmente nenhuma chance de um drone chegar perto daquele evento”.
Ele disse que atiradores de elite não conseguiriam se aproximar o suficiente sem serem descobertos e nunca chegariam perto de um ponto estratégico de onde pudessem atirar.
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.






