(Imagem personalizada pelo FEE)

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Em fevereiro de 2026, a Indonésia e a Austrália assinaram o Tratado de Segurança Comum (“Tratado de Jacarta”), um compromisso para o desenvolvimento de instalações de treinamento conjuntas na Indonésia, o aumento da cooperação e do compartilhamento de informações, e a realização de consultas sobre questões de segurança em nível ministerial entre os dois países. Mas, nos últimos dois meses, esse acordo, que já era importante, ganhou maior relevância, pois se expandiu para incluir Papua-Nova Guiné (PNG) e o Japão. Parece que um novo paradigma de segurança e novas parcerias comerciais estão surgindo no Pacífico.

A Indonésia e a Austrália mantêm uma relação que é ao mesmo tempo próxima e tensa. Embora as duas nações tenham assinado um importante acordo comercial em 2020, que aprofundou e fez florescer as relações comerciais entre elas, foram necessários mais de dez anos para que ele fosse aprovado, em meio a escândalos diplomáticos e crises internacionais. Em 2013, por exemplo, o presidente Yudhoyono afirmou que os laços entre a Indonésia e a Austrália haviam sido prejudicados depois que veio à tona que Canberra vinha espionando as ligações do presidente Yudhoyono com seus ministros. Isso não só causou constrangimento diplomático, mas levou a grandes protestos em Jacarta, onde os moradores queimaram a bandeira da Austrália, alegando que o país havia sido “insultado”. Da mesma forma, em 2015, Jacarta anunciou que dois cidadãos australianos — Andrew Chan e Myuran Sukumaran — haviam sido executados por contrabando de drogas para o país, causando sérias fissuras entre as duas nações. As conversas comerciais foram suspensas naquele ano.

No entanto, o acordo de 2020 — o Acordo de Parceria Econômica Abrangente Indonésia-Austrália (IA-CEPA, na sigla em inglês) —, em retrospecto, marcou o início de laços mais profundos entre os dois países, o que levou a um desejo de maior cooperação, culminando no Tratado de Jacarta deste ano.

Desde que o IA-CEPA entrou em vigor, o comércio entre as duas nações quase triplicou, passando de US$ 12,91 bilhões em 2020 para US$ 35,38 bilhões em 2024, a mudança mais significativa no comércio bilateral entre a Austrália e a Indonésia em uma geração.

O caminho para este acordo específico teve início como resultado, em primeiro lugar, da eleição do presidente indonésio Prabowo Subianto em outubro de 2024 e, em segundo lugar, da reeleição do Partido Trabalhista do primeiro-ministro australiano Anthony Albanese em maio de 2025. Como primeiro compromisso bilateral no exterior de Albanese em seu segundo mandato, as discussões tinham como objetivo dar continuidade ao Acordo de Cooperação de Defesa Austrália-Indonésia de 2024, que estabeleceu os exercícios militares conjuntos que mais tarde seriam concretizados no Tratado de Jacarta.

Mas o contexto geopolítico mais amplo é, inevitavelmente, o principal catalisador. A Indonésia aderiu ao grupo BRICS no início de 2025 e anunciou que havia se tornado signatária do Conselho de Paz do presidente dos EUA, Trump, em janeiro de 2026. Trata-se de uma nação que busca cada vez mais aprofundar sua integração na política global, e a própria preferência de Albanese por laços mais estreitos significa que a oportunidade estava lá para ser aproveitada, ao mesmo tempo em que Canberra se protegia em relação à posição da Indonésia.

Além disso, o Danantara, fundo soberano da Indonésia, já está explorando parcerias com a Austrália em setores que se abriram como resultado do Tratado de Jacarta, especialmente na agricultura e na energia renovável. Mais significativamente, o Danantara está de olho em oportunidades de parceria nos projetos de conversão de resíduos em energia da Indonésia, avaliados em US$ 5 bilhões, nos quais as empresas australianas parecem ansiosas para investir.

Assim, o Tratado de Jacarta surgiu como um acordo mutuamente benéfico. Sua expansão para incluir o Japão e Papua-Nova Guiné em março de 2026, no entanto, envolve dois conjuntos de fatores muito diferentes. Para o Japão, o interesse é estratégico, enquanto as motivações de Papua-Nova Guiné são mais geográficas e imediatas.

No Japão, a história política recente tem sido marcada por um grande reposicionamento do país, passando de um consumidor passivo de segurança para um parceiro regional ativo, com o Sudeste Asiático como elemento central desse projeto. Não deve ser surpresa, então, que em 2021 o Japão e a Indonésia tenham assinado um acordo de segurança sobre a transferência de equipamentos e tecnologia de defesa, possibilitando pesquisa e desenvolvimento conjuntos, bem como a capacidade de produzir sistemas de defesa. Essa relação existente foi aprofundada em 2025, quando o Japão forneceu barcos de patrulha de alta velocidade à Indonésia, reforçando a vigilância marítima perto do Estreito de Malaca.

O Japão é, portanto, um parceiro importante para a Indonésia em segurança marítima, mas também depende bastante da Indonésia para sua própria segurança marítima, devido às suas vulnerabilidades estruturais, especialmente sua dependência de importações de energia transportadas por mar e a consequente exposição aos pontos de estrangulamento que atravessam o arquipélago indonésio.

Além disso, o Japão e a Austrália mantêm laços muito estreitos, mas até agora têm contado com o investimento dos EUA para reforçar sua postura defensiva contra a China. Em 2024, o Japão era o terceiro maior importador da Austrália, com um valor estimado de 32,2 bilhões de dólares australianos (23 bilhões de dólares), dos quais os veículos motorizados representavam mais de um terço. Da mesma forma, o Japão era (e ainda é) o quarto maior investidor estrangeiro direto da Austrália, detendo quase 285 bilhões de dólares australianos (203 bilhões de dólares).

Com o Investimento Direto Estrangeiro se tornando cada vez mais instável, a Indonésia tornou-se um aliado regional atraente tanto para o Japão quanto para a Austrália devido à sua postura não alinhada, por ser a maior economia do Sudeste Asiático e por ser um país que a China leva a sério. Formalizar e aprofundar o relacionamento com a Indonésia faz sentido tanto para a Austrália quanto para o Japão em várias frentes — econômica, estratégica e política — sem incomodar Pequim.

Mas há uma oportunidade que esse pacto abre: a indústria de defesa japonesa, em franca expansão. Já avaliada em US$ 44,7 bilhões em 2026, prevê-se que alcance mais de US$ 50 bilhões até o final da década. Isso é impulsionado por uma decisão política de dobrar o tamanho dos gastos com defesa de 1% para 2% do PIB até 2027 — e já subiu para 1,8%. Esta é uma oportunidade significativa para a Indonésia, com uma infraestrutura de longa data que permite que a oportunidade seja aproveitada.

Para a PNG, a fronteira terrestre que compartilha com a província de Papua, na Indonésia, torna os desafios de segurança reais, não abstratos. O ministro da Defesa da PNG, Billy Joseph, definiu as conversas trilaterais entre a PNG, a Indonésia e a Austrália como a abertura de “novos caminhos para uma confiança mais profunda e ação coordenada em questões como controle de fronteiras, segurança marítima, resposta a desastres e desenvolvimento de capacidade de defesa”. Joseph enfatizou os laços geográficos, culturais e estratégicos que as três nações compartilham, que “tornam a colaboração essencial”.

O surgimento do acordo trilateral, por sua vez, baseia-se no Tratado de PukPuk, assinado entre a PNG e a Austrália em outubro de 2025 sobre defesa mútua. A infraestrutura estratégica para um relacionamento mais profundo entre a PNG e a Austrália já existia, o que significa que o acordo trilateral não é, de forma alguma, um desenvolvimento novo, mas sim a extensão natural de uma relação estratégica com a nação que é o maior vizinho da PNG e com a qual ela compartilha as preocupações de segurança mais imediatas.

O Tratado de Jacarta e sua expansão representam, portanto, um marco importante na região: pela primeira vez em décadas, as potências médias do Indo-Pacífico estão agindo de forma autônoma para construir sua própria arquitetura de segurança regional e estreitar os laços econômicos com seus vizinhos.

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