A performance “Mangas Fluidas”, do programa de Artes Cênicas Shen Yun de 2009. Artes Cênicas Shen Yun

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Eu estava sentado na plateia de um espetáculo do Shen Yun no ano passado, observando dançarinos com sedas fluidas deslizarem pelo palco, cada movimento sussurrando algo antigo e inquebrável.

O teatro estava lotado — mais um espetáculo com ingressos esgotados, um entre milhares realizados no mundo todo nos últimos anos.

Depois, as pessoas não conseguiam se conter: “inspirador”, “cheio de esperança” e “emocionante”, elas diziam, repetindo o que ouvi de plateias na Itália, em Taiwan e em todos os lugares onde o Shen Yun chega. Era um vislumbre da ascensão meteórica e do crescimento do Shen Yun.

Você pensaria que um impacto como esse mereceria respeito, ou pelo menos curiosidade. Em vez disso, o Shen Yun tem recebido manchetes sarcásticas e tentativas de exposições.

Desde agosto de 2024, apenas o The New York Times publicou mais de 10 matérias atacando o Shen Yun. Críticas sobre excesso de horas, rigor demais, sussurros de “seita” aqui e “propaganda” ali.

Está falando sério?

Claro, o Shen Yun também recebe elogios — ondas deles. Mas as matérias negativas tentam abafá-los. E elas distraem — ou até enterram — a história real.

Enquanto essas matérias criticam obsessivamente o Shen Yun, nossos irmãos e irmãs do Falun Gong na China estão contando seus últimos suspiros — detidos, torturados, morrendo todos os dias.

Para nós, isso não é apenas um espetáculo. É uma tábua de salvação.

E uma grande história de sucesso americana que a mídia está cega ou tendenciosa demais para enxergar.

Isso é um desserviço a todo leitor — e aos dezenas de milhões de pessoas na China que sofrem uma opressão inimaginável, para quem o Shen Yun é um farol de esperança.

A face da China que não é mostrada

Deixe-me pintar o quadro que eles estão ignorando.

Neste exato momento, em uma vasta rede de prisões, cadeias secretas e centros de lavagem cerebral por toda a China, praticantes do Falun Gong — pessoas que meditam e se esforçam para ser honestas e bondosas — estão trancadas em celas, espancadas, famintas e torturadas.

Isso está acontecendo agora, enquanto você lê esta frase.

Desde 1999, quando o Partido Comunista Chinês (PCCh) proibiu nossa prática, os números são estarrecedores: milhões detidos, dezenas de milhares torturados ou abusados, milhares torturados até a morte. E isso é apenas o que escapa do bloqueio de informações imposto pelo PCCh.

Pior ainda, o Tribunal da China, uma investigação independente de 2019 liderada por Sir Geoffrey Nice, concluiu que a extração forçada de órgãos vem sendo praticada “há anos, em toda a China, em escala significativa”.

O tribunal estimou que entre 60 mil e 100 mil transplantes de órgãos eram realizados anualmente desde o final dos anos 2000 — muito além da alegação risível do regime de apenas 10 mil — e concluiu que prisioneiros de consciência do Falun Gong eram a principal fonte de órgãos. Eles acreditam que dezenas de milhares de pessoas eram mortas todos os anos para a retirada de seus órgãos.

Isso é o que dizem os testemunhos de sobreviventes, de médicos que denunciaram o esquema e dados concretos — não conjecturas.

Um amigo uma vez me disse que imagina os gritos deles todas as noites. Eu também. E aqui estamos nós, lendo matérias do The New York Times preocupadas se os dançarinos do Shen Yun, que levam vidas excepcionais na América, estão sofrendo — e não estou inventando — “body shaming”.

O verdadeiro Shen Yun

O Shen Yun não é apenas arte. É urgência em movimento.

Cada salto no palco, cada nota da orquestra, cada ingresso vendido carrega uma mensagem que gritamos há décadas: a ditadura chinesa é maligna e descontrolada, e representa uma ameaça a todos nós.

O sangue de nossos familiares e amigos está sendo derramado na China enquanto lutamos para acordar as pessoas em praias distantes e mais tranquilas.

Aqueles dançarinos? Eles não estão fazendo hora extra por causa do salário.

Eles estão derramando suas almas em algo muito maior: a chance de mostrar ao mundo uma beleza que o regime quer extinguir, um espírito de liberdade que ele busca esmagar, uma perseguição que as manchetes ignoram.

E isso também os críticos não percebem: o Shen Yun é um triunfo nascido em solo americano, um exemplo brilhante do sonho americano.

Fundado por imigrantes chineses — pessoas bem-educadas, cultas, comuns, que vieram legalmente para cá — o Shen Yun foi construído do zero. Sem subsídios governamentais, sem patrocinadores corporativos para começar. Apenas visão e garra.

O que começou como uma centelha de esperança se transformou em um fenômeno global, com oito companhias em turnê pelo mundo em uma era de elencos menores e orçamentos apertados. Plateias em todos os lugares não se cansam do Shen Yun. É um testemunho do que a liberdade e a fé podem tornar possível.

O que o New York Times não entende

O The New York Times pode contar as horas que quiser — mais de 20 espetáculos só no estado de Nova Iorque na última temporada, todos esgotados — mas está cego para o motivo de isso importar. Isso não é um emprego. É sobrevivência e esperança.

Eu entendo, até certo ponto. Para um observador de fora, a dedicação do Shen Yun como uma companhia de dança de elite parece intensa — centenas de artistas, turnês multinacionais, um ritmo que não para. E um grupo que é menos compreendido do que deveria ser.

Claro, a mídia adora um ângulo polêmico: eles não estão sobrecarregados? Não é disciplina demais? Aqueles jovens artistas não estão sendo manipulados?

Mas dê um passo para trás.

Sob o PCCh, “sobrecarregado” significa trabalho forçado até o corpo desistir. “Disciplina” significa choques elétricos na pele se você se recusar a renunciar às suas crenças. “Manipulado” significa ser expulso da escola por causa da sua fé, ser negada a educação e condenado à pobreza simplesmente por quem você é.

O rigor do Shen Yun não é exploração — é resistência.

É uma comunidade dizendo: “Não vamos quebrar.” São artistas dizendo: “Queremos ser os melhores, por um propósito maior.” O regime chinês tenta nos silenciar há 25 anos, e cada salto ou sorriso no palco prova que eles falharam.

Por que essa não é a história? Por que não estamos falando das câmaras de tortura em vez de horários de ensaio?

O The New York Times fez várias “investigações” sobre nossa estrutura e atacou nossa posição antiautoritária, chegando a chamá-la de “política”. Política? Diga isso para a jovem dançarina cujo pai desapareceu em uma prisão chinesa por meditar na sala de casa e foi encontrado morto meses depois, vítima de tortura. Diga a ela que dançar as histórias de pessoas como o pai dela é “político”.

Outro relatório deles mergulha em nosso financiamento — como se paixão, vendas de ingressos e a garra de imigrantes não pudessem explicar um fenômeno que tocou a vida de milhões.

O The New York Times está vendo as árvores e perdendo a floresta — ou talvez esteja escolhendo não enxergá-la?

Há 25 anos, o regime comunista chinês difama o Falun Gong, nossa fé, colando em nós o rótulo de “seita” para justificar nosso extermínio. A Xinhua, sua máquina de propaganda, espalha as mentiras; o The New York Times, por sua vez, pega a melodia, com prosa polida.

Essa coincidência não deveria deixá-los profundamente preocupados? O jornalismo não opera no vácuo, sem consequências.

O The New York Times gastou mais tempo e tinta “investigando” os bastidores do Shen Yun do que jamais dedicou a um quarto de século de tortura, detenção e extração de órgãos — um genocídio que mal tocou.

Em contraste, a cobertura dura e corajosa do Wall Street Journal sobre esses eventos lhe rendeu um merecido Prêmio Pulitzer. Sim, custou ao repórter o acesso à China, mas falar a verdade ao poder nunca foi fácil. Atacar artistas imigrantes no próprio quintal é muito mais fácil.

As verdadeiras apostas

O Tribunal da China em Londres expôs sem rodeios: “Muitas pessoas morreram de mortes indescritivelmente horríveis, sem motivo algum.”

Sobreviventes da China relatam exames de sangue, radiografias e uma série de exames incomuns enquanto estavam detidos — preparação para um matadouro, não para um check-up.

Um médico, Enver Tohti, testemunhou que cortou um homem vivo para remover os dois rins e o fígado. Ele lembra do sangue pulsando enquanto o coração ainda batia.

Essa é a realidade: órgãos arrancados para alimentar um comércio de transplantes de bilhões de dólares, enquanto o regime chinês, como de costume, nega tudo.

O Shen Yun não apenas entretém — ele eleva nossa consciência. Ele lança luz sobre tudo isso, onde poucos ousam pisar. Prova disso: uma ex-correspondente do The New York Times, Didi Kirsten Tatlow, testemunhou ao tribunal que sua tentativa de reportar sobre a extração forçada de órgãos foi suprimida pelos editores do jornal.

No teatro, já vi isso inúmeras vezes — espectadores em lágrimas, perguntando como não sabiam sobre a extração de órgãos. Uma mulher me disse que sentiu esperança pela primeira vez em anos, ao ver algo puro resistir a tanta escuridão.

É isso que o The New York Times não percebe: o Shen Yun não é sobre nós. É sobre eles — os detidos, os torturados, os mortos. É sobre você também, por extensão, quer perceba ou não. O alcance do regime não fica na China; ele está no seu celular, na sua cadeia de suprimentos, no seu feed de notícias.

Isso não é abstrato para mim. É pessoal. Vi o Shen Yun crescer de uma semente para uma sequoia. E sei que todo dia que não falamos, mais pessoas morrem. Os críticos dizem que somos políticos demais, que a arte não deve “pregar”.

Mas o silêncio também é político — deixar a sombra do PCCh se espalhar sem controle enquanto tomamos lattes e rolamos o X.

O Shen Yun é uma força do bem, cortando as mentiras, mostrando uma cultura que eles querem apagar, um espírito que não conseguem matar.

É por isso que insistimos. É por isso que não paramos.

Estamos em guerra, com a beleza e a verdade como nossas armas. Todo espetáculo com ingressos esgotados é uma batalha vencida.

De que lado você está?

Então, ao The New York Times e a todo veículo que gasta pixels e tinta com as supostas falhas do Shen Yun: vocês não estão apenas errados — são cúmplices.

Olhem melhor. Vocês estão contando árvores enquanto uma floresta inteira queima.

Não somos perfeitos — quem é? — mas estamos lutando por vidas, não por manchetes, e nos esforçando ao máximo para fazer o bem em um mundo conturbado.

Imaginem se esses recursos da mídia fossem usados para expor a brutalidade, a injustiça e a censura do regime chinês, em vez de ecoar — e ampliar — suas difamações.

Imaginem se os jornalistas vissem o sangue por trás da beleza — fígados arrancados em Henan, gritos abafados em Pequim — ou o sonho desses imigrantes levando essas histórias para os palcos do mundo.

Não temos tempo para esse barulho. Nosso povo está morrendo. Nosso mundo está em jogo.

O Shen Yun continua dançando, não porque é fácil, mas porque é urgente.

Saia da sua bolha e escute.

A história real está gritando o tempo todo.

As opiniões expressas neste artigo são opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões da The Epoch Times.


Keep Reading