Cai Qi, membro do Escritório Político do Comitê Central do Partido Comunista Chinês e secretário do Comitê Municipal do PCCh em Pequim, participa da sessão de encerramento do Congresso Nacional do Povo — órgão que funciona como mero carimbo — no Grande Salão do Povo, em Pequim, em 15 de março de 2019. (Wang Zhao/AFP/Getty Images)

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Cai Qi, amplamente considerado a figura número 2 de fato do PCCh, assumiu outro cargo de poder: o de presidente da Escola Central do Partido. Como um dos aliados de maior confiança do líder chinês Xi Jinping, Cai há muito tempo supervisiona as operações cotidianas do PCCh como diretor do Escritório Geral do Partido, atuando efetivamente como principal assessor e guardião de Xi.

Embora Cai ocupe a quinta posição no Comitê Permanente do Politburo, muitos analistas acreditam que sua influência prática supera a de colegas de hierarquia superior, como o primeiro-ministro Li Qiang, segundo-colocado na hierarquia do governo chinês; Zhao Leji, presidente do Congresso Nacional do Povo — órgão que atua basicamente como um carimbo de aprovação; e Wang Huning, principal ideólogo do Partido e presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Por isso, Cai é frequentemente visto como o funcionário mais poderoso depois do próprio Xi.

A nomeação de Cai para a academia de liderança de elite fortalece ainda mais sua posição no centro do poder. No entanto, a história sugere que ocupar o segundo cargo mais poderoso do Partido também pode ser uma das funções mais perigosas na China.

A nomeação de Cai pode refletir a percepção de risco político de Xi

Cai substituiu Chen Xi como presidente da Escola Central do Partido. A mudança não foi anunciada em um comunicado formal do Partido. Em vez disso, ficou evidente a partir de imagens transmitidas pela China Central Television em 5 de junho, mostrando Cai participando de uma cerimônia de formatura em sua nova função. O site oficial da escola também foi atualizado para listá-lo como presidente.

Muitos observadores veem a medida como uma restauração da presidência da Escola Central do Partido a um membro do Comitê Permanente do Politburo, o órgão máximo de tomada de decisões do PCCh.

A Escola Central do Partido tem suas raízes no Instituto Central de Marxismo-Leninismo. Sua importância política variou ao longo do tempo.

Durante a fundação da República Popular da China, à medida que o PCCh passava de um movimento revolucionário para um partido governante, a instituição teve um significado excepcional. Mao Zedong atuou pessoalmente como seu chefe, enquanto Liu Shaoqi — na época um dos líderes mais influentes do PCCh e mais tarde presidente da RPC — também liderou a escola durante esse período crucial.

Após 1953, no entanto, o cargo passou a ser cada vez mais atribuído a autoridades menos proeminentes, refletindo a aparente convicção de Mao de que o regime comunista havia se consolidado e que a fase mais difícil da consolidação política havia passado. A formação de quadros tornou-se uma função administrativa mais rotineira.

Após a Revolução Cultural (1966–1976), a Escola Central do Partido foi reativada sob o comando de Hua Guofeng, que atuou tanto como líder do PCCh quanto como presidente da escola. Essa medida refletiu uma necessidade urgente de reciclar altos funcionários, garantir sua lealdade à nova liderança e adaptar o Partido à ordem política pós-Revolução Cultural.

A posição do presidente da Escola do Partido voltou a ganhar importância em 1989, quando Qiao Shi, membro do Comitê Permanente do Politburo, assumiu o cargo. Embora sua nomeação tenha ocorrido antes do massacre da Praça da Paz Celestial, a turbulência política daquele ano já havia intensificado as preocupações entre a liderança do Partido.

Nos anos seguintes, o cargo permaneceu nas mãos de membros do Comitê Permanente, incluindo Hu Jintao e Xi Jinping durante seus períodos como sucessores designados. Somente durante o segundo mandato de Xi é que o cargo foi rebaixado para o membro do Politburo Chen Xi, uma medida amplamente interpretada como um sinal da crescente confiança de Xi em seu controle político.

Do ponto de vista histórico, o cargo de presidente da Escola do Partido parece intimamente ligado ao grau de segurança que a liderança sente tanto em relação às condições políticas quanto à lealdade dos altos funcionários. Quanto maior a instabilidade percebida, mais alto é o cargo do funcionário selecionado para supervisionar a formação dos quadros.

A principal missão da Escola do Partido é treinar altos funcionários e garantir o alinhamento político com a cúpula do Partido. A nomeação de Cai pode, portanto, indicar que Xi busca reforçar a disciplina ideológica e a lealdade entre os quadros de alto escalão. Isso também ressalta o extraordinário nível de confiança que ele deposita em Cai.

Membros da Polícia Armada Popular marcham diante de um retrato do ex-líder chinês Mao Zedong na Praça Tiananmen, em Pequim, em 5 de março de 2026. (Kevin Frayer/Getty Images)

Guardião dos segredos mais sensíveis do PCCh

Ao diretor do Escritório Geral do PCCh são confiados muitos dos segredos mais bem guardados da liderança do Partido, e ele também tem autoridade para mobilizar o Departamento Central de Guarda, a força de segurança responsável por proteger os principais líderes da China.

Desde a fundação da República Popular da China, houve pelo menos dois casos importantes em que o aparato de segurança do Partido foi utilizado para destituir figuras políticas de alto escalão cujas posições pareciam inatacáveis na época.

O primeiro foi a prisão da “Gangue dos Quatro” em 1976. A operação foi orquestrada pelo então presidente do Partido, Hua Guofeng, e executada por Wang Dongxing, diretor do Escritório Geral, que mobilizou o aparato de segurança central para deter o grupo.

O segundo foi a detenção de Zhang Youxia e Liu Zhenli, supostamente ordenada por Xi Jinping. Em ambos os casos, figuras de alto escalão do Partido foram detidas sem que houvesse, previamente, qualquer processo legal ou disciplinar do Partido divulgado publicamente.

Por essa razão, o Escritório Geral há muito é considerado um dos nós mais críticos na estrutura de poder do PCCh.

Visto dessa perspectiva, o papel de Cai Qi não lhe confere necessariamente maior autoridade na formulação de políticas. Em vez disso, coloca um dos cargos mais sensíveis do Partido nas mãos da pessoa em quem Xi mais confia.

Por que a segunda posição pode ser a mais perigosa

Com a exceção parcial da era das reformas, a política da elite do PCCh tem sido frequentemente moldada por lutas pelo poder e pela ideologia. Nesses períodos, a segunda figura mais poderosa ocupa frequentemente a posição mais precária.

Liu Shaoqi ajudou a consolidar a autoridade de Mao Zedong durante o Movimento de Retificação de Yan’an, uma campanha política e ideológica de 1941 a 1945 que permitiu a Mao se estabelecer como líder indiscutível do PCCh. Após 1949, Liu tornou-se o segundo líder do regime. No entanto, durante a Revolução Cultural, ele foi expurgado e acabou morrendo em condições adversas.

Lin Biao também desempenhou um papel central na elevação da autoridade de Mao, particularmente nas forças armadas, e foi formalmente designado sucessor de Mao. No entanto, acabou caindo em desgraça e morreu em um misterioso acidente de avião após uma suposta tentativa de fugir da China.

Esses casos sugerem que tornar-se o braço direito mais confiável de um líder não oferece garantia de segurança a longo prazo. Pelo contrário, a proximidade com o poder supremo pode aumentar o risco de se tornar um alvo futuro.

Xi Jinping parece não menos cauteloso em relação a rivais em potencial do que Mao era. Embora já tenha marginalizado ou afastado todos os sucessores óbvios, isso não significa necessariamente que ele deixará de identificar novas ameaças políticas. Se tais figuras realmente se opõem a ele pode ser irrelevante. Nem Liu nem Lin desafiaram abertamente a autoridade de Mao, mas ambos acabaram se tornando alvos de campanhas políticas.

O dilema estrutural é que a figura número 2 deve exercer um certo grau de autoridade. Ao executar decisões e administrar assuntos, suas opiniões podem divergir das do “grande chefe”, potencialmente fornecendo o próprio motivo para que o “chefe” o derrube.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

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