
Bandeiras dos países membros da OTAN hasteadas na sede da OTAN em Bruxelas, em 12 de setembro de 2025. (Simon Wohlfahrt/AFP via Getty Images)
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
Na manhã de quinta-feira, 18 de junho, o secretário da Guerra, Pete Hegseth, discursou na sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte, em Bruxelas, anunciando uma revisão de seis meses da postura das forças americanas e do financiamento relacionado à OTAN, como parte dos esforços do governo Trump para construir a “OTAN 3.0”.
Em 2026, os Estados Unidos serão forçados, por necessidade geopolítica, a priorizar a dissuasão da China — um esforço monumental que exigirá uma realocação de recursos e uma mudança na postura das forças, com os EUA transferindo forças e financiamento para o Pacífico. Apesar disso, os EUA têm razões de segurança e econômicas para se preocupar com o futuro da Europa e estão pressionando por uma aliança revitalizada e reformulada na forma da OTAN 3.0.
Não é segredo que tem havido um debate legítimo em Washington sobre o futuro papel dos Estados Unidos na OTAN, decorrente, em grande parte, do fato de as nações maiores e mais ricas da Europa terem deixado de lado seus próprios interesses de segurança nacional desde o fim da Guerra Fria.
A manutenção do envolvimento contínuo dos Estados Unidos depende, em parte, das decisões soberanas dos aliados europeus, pois as demonstrações do compromisso europeu com a segurança coletiva na Europa mostram aos americanos que os europeus estão levando a sério sua própria segurança e que os membros europeus da OTAN são aliados capazes e comprometidos com os Estados Unidos na promoção de objetivos comuns de segurança.
Alguns membros europeus da OTAN já estão fazendo mais pela própria segurança e merecem reconhecimento. Muitos países da OTAN, especialmente os Estados Bálticos, os países nórdicos, a Polônia e a Alemanha, estão aumentando significativamente seus gastos com defesa e avançando em direção à nova meta de gastos antes do prazo, ao mesmo tempo em que realizam mudanças significativas no planejamento e na postura das forças, o que demonstra um compromisso real com a dissuasão coletiva.
Outros países da OTAN, notadamente os do sul da Europa (e especialmente a Espanha), continuam ficando para trás em termos de gastos com defesa e de compromissos sérios para assumir mais responsabilidade pela segurança europeia. Partes da Europa Ocidental, como o Reino Unido, cumprem suas metas de gastos, mas apresentam problemas profundamente preocupantes em relação à prontidão e à manutenção.
Melhorar a segurança do Atlântico por meio da divisão de encargos beneficiará os Estados Unidos, posicionando-os para se voltarem para o Pacífico, ao mesmo tempo em que garante que seus aliados da OTAN possam prover a maior parte de sua própria dissuasão e defesa convencionais.
O relatório especial da Heritage Foundation intitulado “OTAN 3.0 e a Estratégia de Segurança Americana na Europa” defende a redução do número total de tropas na Europa, mas o deslocamento das tropas que permanecerem para o leste, transferindo uma brigada de soldados americanos da Alemanha para a Polônia. Ao mesmo tempo, recomenda que os aliados europeus estacionem permanentemente mais tropas nos Estados Bálticos e adquiram mais poder aéreo, navios de guerra e capacidades estratégicas de transporte aéreo e reabastecimento para compensar a realocação dos EUA para o Pacífico.
O guarda-chuva nuclear americano, fornecido como parte da adesão dos EUA à OTAN, é especialmente crítico, dado o enorme desequilíbrio entre o grande arsenal nuclear russo e os pequenos arsenais nucleares do Reino Unido e da França.
Sem os Estados Unidos, a Rússia quase certamente se envolveria em chantagem nuclear contra países como Polônia, Estônia, Letônia, Lituânia e Finlândia. A Heritage Foundation tem, portanto, defendido o aumento do número de armas nucleares táticas dos EUA na Europa, mesmo com a redução do contingente de tropas convencionais.
Essa realocação de recursos e forças não é uma questão de preferência, mas uma necessidade geopolítica, dada a ascensão econômica e militar da China. Atualmente, as Forças Armadas dos EUA não estão priorizando a dissuasão da ascensão da República Popular da China, embora a China tenha alertado publicamente sobre seus planos de invadir Taiwan e busque claramente a hegemonia na Ásia. Uma OTAN na qual os aliados europeus forneçam a maior parte da dissuasão convencional é aquela em que os Estados Unidos têm menos preocupações de segurança na região do Atlântico e podem se concentrar no Pacífico.
Uma Europa militarmente forte, capaz de defender seus interesses soberanos, é do interesse nacional dos Estados Unidos, e os EUA devem promover a capacidade militar europeia para que os aliados europeus possam assumir a liderança em sua própria defesa coletiva.
Quanto mais fortes forem os aliados europeus dos Estados Unidos, mais seguro será o mundo atlântico, e o sucesso dessa visão para a OTAN 3.0 é fundamental para garantir que a aliança transatlântica perdure em benefício mútuo de americanos e europeus.
Reproduzido com permissão do Daily Signal, uma publicação da Heritage Foundation.
As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.






