
Boa noite! Nesta quinta-feira, 08 de janeiro, trazemos para você:
China criticou plano dos EUA de redirecionar petróleo venezuelano
Groenlândia disse que prefere conversar diretamente com os EUA
Agricultores franceses fecham rodovias contra acordo UE–Mercosul
Gustavo Petro e Donald Trump tiveram primeiro diálogo após tensões
A nova pirâmide alimentar dos EUA vai muito além das questões de saúde
Tragédia venezuelana: socialismo, assistencialismo e tirania estão conectados
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EUA/China ─ Petróleo

A China criticou ontem o plano dos EUA de redirecionar para Washington petróleo venezuelano que antes seguia para a China, após Donald Trump anunciar um acordo de até US$ 2 bilhões.
Em Pequim, a porta-voz Mao Ning pediu proteção aos “direitos e interesses” chineses e afirmou que a cooperação China–Venezuela é amparada por leis e pelo direito internacional.
Na terça, Trump disse que os EUA vão refinar e vender até 50 milhões de barris que estavam travados por restrições americanas, para reforçar o abastecimento interno.
Groenlândia/EUA ─ Negociações

O líder da oposição da Groenlândia, Pele Broberg, disse à Reuters que a Groenlândia deveria conversar diretamente com o governo dos EUA, sem a Dinamarca, em resposta à nova pressão de Donald Trump para obter a ilha. Broberg diz que a intermediação dinamarquesa irrita os dois lados.
Trump voltou a falar nisso após ter lançado a ideia em 2019. A Groenlândia é território autônomo do Reino da Dinamarca: tem parlamento próprio, mas Copenhague cuida de defesa e política externa.
O partido de oposição defende independência rápida e um acordo de “associação livre” com Washington, sem anexação.
China ─ Liberdade religiosa

Agricultores franceses fecharam hoje rodovias rumo a Paris e levaram tratores ao Arco do Triunfo, contra o acordo UE–Mercosul, que será votado amanhã.
Sindicatos rurais dizem temer uma enxurrada de alimentos baratos e reclamam de custos altos, regras rígidas e do abate de rebanhos por doença bovina na França.
O caos gerou 150 km de engarrafamento. Macron diz que o tratado ainda é inaceitável.
EUA/Colômbia ─ Diálogo

Gustavo Petro e Donald Trump conversaram na noite de quarta, no primeiro contato após ameaças do presidente americano.
Petro disse que eles trataram de visões diferentes sobre a relação dos EUA com a América Latina.
Trump disse que foi uma honra ligar e que falou sobre drogas e outros atritos. Petro afirmou esperar um encontro em breve.
Líbano/Israel ─ Acusações

O gabinete de Benjamin Netanyahu disse hoje que o Líbano e o Exército libanês fazem pouco para desarmar o Hezbollah e acusou o grupo de tentar se rearmar com ajuda do Irã.
Os militares do Líbano afirmaram ter controle operacional ao sul do rio Litani, mas afirmou que os cinco pontos ainda ocupados por Israel estão atrasando a desmilitarização do Hezbollah.
Apesar disso, o Líbano admitiu que ainda precisam remover munições não detonadas e túneis.
Você realmente conhece a ONU?
A ex-funcionária da ONU, Emma Reilly, fez denúncias graves e abriu uma das maiores controvérsias internas da instituição, revelando uma possível influência silenciosa do Partido Comunista Chinês dentro de organismos internacionais.
Em uma entrevista contundente, Emma detalha como o regime chinês pressiona, infiltra e direciona decisões dentro da ONU — e o custo pessoal de se levantar contra isso. Uma história de coragem, poder e verdade. Confira agora mesmo em nossa EpochTV!


Esta família venezuelana caminhou 15 dias para chegar à fronteira com a Colômbia, em 2022. bgrocker/Shutterstock

Paulo Mueller ─ Autor, The Epoch Times
Antes próspera e culta, a Venezuela tornou-se miserável, violenta e sem esperança. Jovens socialistas deveriam prestar atenção.
A captura e extradição do ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa é o desfecho de meses de pressão dos Estados Unidos sobre o regime. O presidente Trump e integrantes de seu governo rotularam Maduro e seus aliados de “narco-terroristas”, acusando-os de liderar uma vasta organização criminosa que lucrou com o tráfico de drogas e a violação das leis americanas.
Embora o futuro da Venezuela permaneça incerto, vale entender como o país chegou a esse ponto e o que os americanos podem aprender com sua descida a um regime tirânico e criminoso.
O alerta é oportuno. A eleição de Zohran Mamdani como prefeito de Nova Iorque de Katie Wilson como prefeita de Seattle reacendeu preocupações sobre o crescimento do socialismo democrático nos Estados Unidos. Ambos fizeram campanha defendendo ideias coletivistas, como a crença de que nenhum problema é grande demais para o governo resolver.
Muitos criticam corretamente a ingenuidade dessas propostas econômicas, mas poucos reconhecem os horrores que podem surgir quando jovens cheios de senso de direito adquirido usam o poder político para promover redistribuições massivas de riqueza. A tragédia venezuelana é um aviso claro.
O socialismo ocupa papel central na descida da Venezuela à pobreza, ao desespero e ao domínio do crime organizado. Em entrevista recente, María Corina Machado destacou como a eleição fraudulenta de 2024 revelou a tirania do regime. Há 25 anos, o PIB per capita era de cerca de US$ 4.800; em 2014, aproximou-se de US$ 16.000. Hoje, gira em torno de US$ 4.000 — uma queda de 75% desde 2014. A pobreza disparou para mais da metade da população, apesar de o país possuir as maiores reservas de petróleo do mundo.
Mais de sete milhões de venezuelanos fugiram do país na última década, muitos com formação universitária. O regime de Maduro funcionava como uma empresa criminosa: familiares foram presos por tráfico de drogas, propriedades foram confiscadas, recursos naturais saqueados e o governo cooperou com cartéis — daí o foco no “narco-terrorismo”.
A eleição de 2024 expôs a corrupção do regime. María Corina Machado foi impedida de concorrer, mas seu substituto, Edmundo González, venceu de forma clara, fato documentado pelos próprios eleitores. A União Europeia e organizações internacionais rejeitaram a vitória de Maduro. Ainda assim, González vive no exílio, apoiadores foram presos e o regime intensificou a repressão. Relatórios da ONU apontam execuções ilegais, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias e tortura.
A situação é complexa, e debates sobre a legalidade de ações militares continuarão. Mas o regime de Maduro apoiava forças opressivas na região e fortalecia cartéis que atuam como forças paramilitares. Quem defende liberdade e prosperidade no Hemisfério Ocidental não pode ignorar o peso geopolítico da Venezuela.
A queda do país foi trágica. De uma sociedade próspera, tornou-se dominada pelo crime e pela repressão. Seu primeiro passo rumo à servidão, porém, foi aparentemente inocente. Hugo Chávez chegou ao poder como outsider eleito, prometendo combater o “neoliberalismo” e proteger os marginalizados.
Soa familiar?
Nos Estados Unidos, jovens enfrentam desafios reais: moradia cara, desemprego mais alto, dívida estudantil crescente e frustração com desigualdade e mobilidade social. Socialistas exploram esse descontentamento. Mas essas dificuldades não justificam um impulso socialista. Na Venezuela, o resultado não foi apenas ineficiência econômica, mas a extinção da esperança, da liberdade e das oportunidades.
Esse é o verdadeiro perigo do socialismo: ele não apenas empobrece — ele conduz à tirania. Mesmo com seus desafios, os Estados Unidos ainda oferecem liberdade, mobilidade e a possibilidade de construir um futuro. A Venezuela mostra o que acontece quando essa possibilidade é destruída.

A nova pirâmide alimentar dos EUA vai muito além das questões de saúde

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentou uma nova pirâmide alimentar "invertida" em 7 de janeiro de 2026. Captura de tela via The Epoch Times/USDA
A decisão do governo americano de “virar de cabeça para baixo” a tradicional pirâmide alimentar não é apenas uma atualização técnica de recomendações nutricionais. É uma ruptura simbólica com décadas de política pública, interesses corporativos e dogmas científicos que moldaram a forma como os americanos comem — e adoecem.
Ao apresentar o novo guia alimentar em 7 de janeiro, o Departamento de Agricultura e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos sinalizaram que algo fundamental mudou: carboidratos refinados e açúcar deixaram de ser a base silenciosa da dieta oficial dos Estados Unidos.
“Essas novas diretrizes são baseadas na melhor e mais confiável ciência disponível.”
Uma pirâmide invertida — e um recado político
Durante décadas, a pirâmide alimentar — mesmo depois de substituída por ilustrações de pratos — reforçou a ideia de que pães, grãos e carboidratos deveriam ocupar o centro da alimentação diária. Proteínas e gorduras ficaram no topo, associadas a risco, moderação e culpa.
A nova versão inverte essa lógica.
Proteínas e gorduras saudáveis agora aparecem na base mais larga do modelo, enquanto carboidratos — especialmente os ultraprocessados — perdem protagonismo. Não é uma mudança cosmética. É uma redefinição de prioridades nutricionais com impacto direto em escolas, programas federais de alimentação e políticas de subsídio agrícola.
“O que estamos fazendo é substituir suposições guiadas por interesses corporativos por bom senso e integridade científica.”
Do “reduza” para o “evite”
Talvez o ponto mais contundente das novas diretrizes seja a linguagem usada para falar de açúcar. Pela primeira vez, o governo federal abandona o tom conciliador.
Não se trata mais de “limitar”. A orientação agora é clara: evitar bebidas açucaradas, como refrigerantes, energéticos e sucos industrializados.
“Não existe quantidade recomendada de açúcar adicionado em uma dieta saudável.”
O documento estabelece que uma refeição não deve conter mais de 10 gramas de açúcar adicionado — um contraste brutal com a realidade americana, onde uma única lata de refrigerante ultrapassa quase quatro vezes esse limite.
O recado vale também para o álcool. A antiga noção de “consumo moderado” desaparece. O novo texto afirma apenas: consuma menos álcool para uma saúde melhor — sem mencionar qualquer quantidade segura.
“No melhor cenário possível, eu não acho que as pessoas deveriam beber álcool.”
Proteína no centro do debate
O novo guia é explicitamente “protein-forward”. A recomendação oficial de consumo de proteína foi elevada entre 50% e 100%, especialmente para crianças e adolescentes.
Para o comissário da FDA, Dr. Marty Makary, essa mudança corrige um erro histórico.
“As diretrizes antigas tinham proteína suficiente apenas para evitar a inanição.”
Segundo ele, o aumento da resistência à insulina, da inflamação sistêmica e das doenças metabólicas em crianças está diretamente ligado a uma dieta pobre em proteína e micronutrientes, dominada por carboidratos refinados.
“Essas novas diretrizes não são ideológicas. Elas são uma resposta ao colapso da saúde infantil.”
O fim da guerra contra a gordura
Outro tabu enfrentado pelo novo modelo é a demonização da gordura saturada. Embora o limite de 10% das calorias totais seja mantido, alimentos como leite integral, iogurte natural e queijo deixam de ser tratados como vilões.
“Você não precisa andar na ponta dos pés em torno da gordura.”
A lógica agora é funcional: gordura e proteína são essenciais para saciedade, desenvolvimento e estabilidade metabólica — algo que versões anteriores do guia, segundo críticos internos, ignoravam deliberadamente.
“Proteínas e gorduras saudáveis foram injustamente desencorajadas.”
Confronto com interesses corporativos
Durante a apresentação, Kennedy foi além do texto oficial e fez um ataque direto ao modelo econômico que sustentou as diretrizes anteriores.
“Políticas federais subsidiaram alimentos ultraprocessados e carboidratos refinados, enquanto ignoravam as consequências.”, afirmou Kennedy.
Segundo ele, a política alimentar americana priorizou margens de lucro, não saúde pública — uma acusação que reacende o debate sobre o papel da indústria de alimentos na formulação de políticas governamentais.
Nem todos, porém, veem a mudança como uma vitória inequívoca. Críticos alertam que incentivar maior consumo de proteína animal exige padrões mais rígidos de produção.
“Promover carne sem discutir antibióticos, hormônios e químicos é irresponsável.” ressaltou Elizabeth Kucinich, defensora da alimentação orgânica.
Custo, acesso e desigualdade
A Casa Branca enquadrou as novas diretrizes como parte de uma estratégia mais ampla para enfrentar o custo de vida.
“Uma América mais saudável será uma América mais acessível.”
Segundo o governo, simulações indicam que dietas baseadas em alimentos integrais e não processados tendem a ser mais baratas ao longo do tempo — o maior obstáculo sendo o acesso, não o preço.
Para lidar com os chamados “desertos alimentares”, o governo pretende exigir que estabelecimentos que aceitam o SNAP (programa de assistência alimentar do governo) dobrem a oferta de alimentos saudáveis.
“Isso não é teoria. É política pública aplicada.”
Uma mudança de paradigma
A nova pirâmide alimentar não resolve sozinha a crise de obesidade, diabetes e doenças crônicas nos Estados Unidos. Mas ela representa algo importante em Washington: uma admissão explícita de erro.
Ao inverter a pirâmide, o governo não está apenas reorganizando alimentos. Está reconhecendo que o modelo anterior falhou — científica, cultural e economicamente.
E, ao fazê-lo, reabre uma pergunta incômoda: quantas políticas públicas ainda estão presas a dogmas que já não resistem à realidade?






