Boa noite! Nesta sexta-feira, 09 de janeiro, trazemos para você:

  • Acordo comercial UE–Mercosul ultrapassa mais uma barreira

  • Rússia ataca Ucrânia com míssil sônico

  • Governo interino da Venezuela e EUA: aliança cada vez mais clara

  • EUA estuda pagar moradoras da Groelândia para receber apoio

  • A verdade sobre a tragédia do socialismo na Venezuela contada por sobreviventes

  • A responsabilidade é a raiz esquecida da liberdade

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União Europeia/Mercosul Acordo

A União Europeia deu aval ao acordo comercial UE–Mercosul, informou hoje o Chipre, que preside o bloco. França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria votaram contra; a Bélgica se absteve.

Lula chamou a decisão de histórica. Ursula von der Leyen afirmou que todos ganham, com mais oportunidades de negócios e investimento.

O texto ainda precisa ser assinado e aprovado pelo Parlamento Europeu; no Mercosul, também passará pelos congressos.

 Rússia/Ucrânia ─ Ataque

A Rússia lançou hoje um míssil Oreshnik contra um alvo na região de Lviv, no oeste da Ucrânia, perto da fronteira com a Polônia. A Europa chamou o ataque de “escalação clara” contra o continente. 

Kiev diz que ataques na noite mataram quatro pessoas na capital, causaram apagões e atingiram a embaixada do Catar. A Ucrânia afirma que o míssil sônico é um recado à Europa.

Moscou diz que o ataque foi uma resposta a um suposto ataque com drones a uma residência de Putin em 29 de dezembro; a Ucrânia nega, e Trump disse não acreditar no Kremlin.

Venezuela/EUA─ Diplomacia

O governo interino venezuelano anunciou hoje que abriu um processo diplomático exploratório com os EUA para restabelecer embaixadas e disse que técnicos americanos já foram a Caracas para avaliações.

O Departamento de Estado confirmou que analisa uma retomada gradual das operações da embaixada, com uma equipe no país para checar pontos técnicos e de segurança. A Venezuela também planeja enviar uma delegação a Washington.

Trump afirmou que a libertação de presos políticos sinaliza “busca pela paz” e disse ter cancelado uma segunda onda de ataques. 

EUA/Groenlândia ─ Negociações

Os EUA estudam pagar moradores da Groenlândia para ganhar apoio à separação da Dinamarca e à posterior integração ao território americano. Segundo a Reuters, no modelo, os EUA ofereceriam assistência e proteção em troca de acesso a bases e vantagens comerciais.

Valores entre US$ 10 mil e US$ 100 mil por pessoa para cerca de 57 mil habitantes; no teto, seriam US$ 5,7 bilhões. O plano tenta superar a rejeição local e de Copenhague.

Washington também avalia alternativas diplomáticas, um acordo de “associação livre” e até intervenção militar, embora diga preferir solução negociada. 

ChinaInvestigação contra a Meta

O regime chinês anunciou que irá avaliar e investigar a aquisição da startup de inteligência artificial Manus pela Meta, segundo o Ministério do Comércio. A compra, anunciada na semana passada, envolve uma empresa sediada em Cingapura, mas com raízes na China, em meio ao aumento das tensões tecnológicas entre Pequim e Washington.

O porta-voz He Yadong afirmou que o caso será analisado para verificar se a operação cumpre as leis chinesas sobre investimento externo, exportação de tecnologia, transferência de dados e fusões transfronteiriças.

A Meta afirmou que, após a aquisição, não haverá participação chinesa remanescente na Manus e que a empresa encerrará suas operações na China, mantendo atividades em Cingapura. As plataformas da Meta seguem proibidas no país, e a Manus informou que continuará operando a partir de Cingapura, onde está baseada a maior parte de seus funcionários.

Você realmente conhece a ONU?

A ex-funcionária da ONU, Emma Reilly, fez denúncias graves e abriu uma das maiores controvérsias internas da instituição, revelando uma possível influência silenciosa do Partido Comunista Chinês dentro de organismos internacionais.

  • Em uma entrevista contundente, Emma detalha como o regime chinês pressiona, infiltra e direciona decisões dentro da ONU — e o custo pessoal de se levantar contra isso. Uma história de coragem, poder e verdade. Confira agora mesmo em nossa EpochTV!

A responsabilidade é a raiz esquecida da liberdade

Uma vista aérea mostra a neve cobrindo uma fazenda perto de Belvidere, Illinois, em 9 de dezembro de 2025. Scott Olson/Getty Images

Mollie Engelhart ─ Autor, The Epoch Times

As pessoas frequentemente me perguntam por que quem vive fora das cidades tende a resistir mais instintivamente à regulamentação e à interferência do governo. Muitos presumem que a divisão seja política.

Mas a verdadeira distinção é mais simples e humana: quando você vive em área rural, precisa assumir responsabilidade por muito mais aspectos da própria vida — e a responsabilidade muda você.

Em prédios de apartamentos ou comunidades planejadas, a infraestrutura é invisível. A água corre, as luzes acendem, o lixo desaparece. Quando algo quebra, um sistema de manutenção absorve o problema. Aqui fora, não há absorção. Se o poço quebra, ficamos sem água até pagar o conserto.

Não há coleta de lixo — levamos o nosso. Não há esgoto central — cuidamos da fossa séptica. Não há gás encanado — apenas o tanque de propano que reabastecemos. Até a eletricidade tem limites. Quando a infraestrutura falha, ninguém aparece para resolver. Nós resolvemos — ou lidamos com as consequências.

A escassez de serviços cria habilidades. Pode levar semanas para encontrar um veterinário, então aprendemos a cuidar dos animais por conta própria. Tratamos infecções, costuramos feridas, ajudamos em partos. Cultivamos alimento porque os mercados ficam longe. Consertamos equipamentos porque os mecânicos ficam ainda mais longe. Não é romantização da autossuficiência — é necessidade.

Essa diferença de responsabilidade é geracional. Antes de 1936, grande parte da América rural não tinha eletricidade. As cidades foram eletrificadas décadas antes por iniciativas privadas e municipais; o campo recebeu energia depois, por subsídio governamental.

Isso preservou algo importante: a memória de como era viver antes de sistemas centralizados serem tomados como garantidos. E a memória importa. Quando você já precisou prover para si mesmo, entende que liberdade e responsabilidade não são opostas — são a mesma coisa.

A responsabilidade ensina propriedade. A propriedade ensina consequência. E a consequência molda como você vê o mundo. Quando você é responsável por água, energia, terra, animais, resíduos, reparos e comida, compreende uma verdade mais profunda:

Responsabilidade é igual a liberdade, porque elimina a ilusão de que alguém irá salvá-lo do custo da sua própria vida.

É por isso que a propriedade da casa vai além do aspecto financeiro. Possuir mesmo um pequeno espaço ensina que interferência tem custo, dependência cria fragilidade e liberdade exige competência. Quando a vida parece temporária, mantida por outros, as pessoas tendem a apoiar sistemas que cuidam delas — não por falta de inteligência, mas por falta de consequência.

À medida que menos pessoas possuem casa própria e a idade do primeiro comprador aumenta, a psicologia muda. Se a casa vem mais tarde, o instinto de autocuidado vem mais fraco. E quando o autocuidado é fraco, a dependência parece segura, mesmo quando custa liberdade.

O campo não torna você nobre. Torna você consciente. Lembra que sistemas não funcionam sozinhos. Que água não corre por comitê. Que lixo não desaparece por ideologia. Que comida não cresce por mandato.

Quando você vive responsável pela infraestrutura da própria vida, entende que a liberdade não é concedida — ela é defendida pela capacidade.

A tragédia não é discordarmos, mas termos esquecido como é sentir-se responsável pela própria infraestrutura. Criamos uma sociedade em que a dependência é invisível — até quebrar.

A solução não é envergonhar a dependência nem mitificar a independência, mas reconhecer um padrão simples:

Quanto mais responsabilidade carregamos por nossas próprias vidas, mais reverência desenvolvemos pela liberdade que ela protege.

Liberdade não é a ausência de estrutura — é a presença de consequência.

E a consequência, ao contrário das narrativas, não pode ser escondida. Ela é vivida.

A verdade sobre a tragédia do socialismo na Venezuela contada por sobreviventes

(Da esquerda para a direita) O contador Carlos Higuerey, a defensora dos direitos humanos Zarai Maza e o ativista político Daniel Tirado fugiram da Venezuela e agora vivem nos Estados Unidos. Embora venham de diferentes origens, todos afirmam que o regime de Maduro os perseguiu, assim como seus familiares, o que os levou a fugir. Foto cedida por Carlos Higuerey, Zarai Maza e Daniel Tirado

Milhões de venezuelanos não fugiram apenas da pobreza. Fugiram do medo. Do silêncio forçado. Da certeza de que qualquer gesto — protestar, trabalhar, discordar, existir — podia custar a própria vida.

“Eu acho que nenhum americano consegue imaginar o medo que você sente só por estar parado em um lugar.”

 Zarai Maza, ativista venezuelana exilada na Flórida

O socialismo venezuelano, vendido por anos como projeto de justiça social, transformou um dos países mais ricos da América Latina em um Estado repressivo, falido e violento. Para quem sobreviveu, não se trata de teoria política — mas de cicatrizes físicas, traumas permanentes e famílias destruídas.

Perseguição como política de Estado

Zarai Maza começou a sofrer perseguição em 2014, quando ainda era estudante universitária e participava de protestos pacíficos. O que veio depois não foi intimidação simbólica, mas tentativas diretas de assassinato.

“Eles fizeram três tentativas contra a minha vida.”

Zarai Maza

Na primeira, durante um protesto no campus, a Guarda Nacional Bolivariana a perseguiu. Ela conseguiu fugir com a mãe, mas o carro em que estavam foi incendiado. A mãe quebrou o vidro para que escapassem.

Na terceira tentativa, um veículo provocou o capotamento do táxi em que Maza estava. Sua coluna absorveu o impacto. Aos 25 anos, acordou no hospital sem memória, sem sentir o corpo e sem conseguir andar.

“Eu só estava tentando lutar pelo meu país. Não tinha noção de até onde eles iriam para manter o poder.”

Exilada nos Estados Unidos desde 2017, Maza levou dois anos de fisioterapia para voltar a caminhar. Até hoje, convive com sequelas físicas e psicológicas.

“O som de uma motocicleta ainda me paralisa.”

Mortes, sequestros e terror cotidiano

Carlos Higuerey viveu outra face do mesmo regime. Contador da estatal de petróleo venezuelana por 12 anos, ele diz ter tido acesso a informações sobre corrupção e desvio de recursos. Isso, somado a vínculos familiares com a oposição, o transformou em alvo.

A violência chegou primeiro pela escassez.

“Meu pai morreu porque não havia remédios. O governo havia expropriado as farmácias.”

 Carlos Higuerey, Contador da estatal de petróleo venezuelana

Em seguida, veio o terror direto. Em um intervalo de meses, seu pai morreu, seus tios foram assassinados dentro de casa e seu irmão foi morto — todos, segundo ele, por motivos políticos.

“Era sangue nas paredes. Parecia um filme de terror.”

 Carlos Higuerey

Quando finalmente deixou o país, em 2018, descobriu no dia seguinte que agentes do governo haviam sequestrado sua irmã, tentando forçá-lo a voltar.

“Eu decidi que não podia mais voltar. Eu estou quebrado por dentro. Todas as famílias na Venezuela estão quebradas”

 Carlos Higuerey

Histórias como essas se repetem em milhares de lares. Um empresário venezuelano, que pediu anonimato por medo de represálias contra parentes, descreveu como o regime destruiu seu negócio de alimentos.

O Exército passou a exigir cotas mensais de produtos e dinheiro. Não havia negociação. A recusa significava sequestro, tortura ou morte — quase sempre dos filhos, não dos pais.

“Não havia como dizer não.”

Hoje, seus parentes sobrevivem com salários equivalentes a US$ 1 por mês. O restante vem de remessas enviadas do exterior.

“Socialismo é como um câncer.”

 Carlos Higuerey

Colapso econômico como arma de controle

Os dados confirmam o que os relatos humanos descrevem.

Entre 2014 e 2021, o PIB da Venezuela caiu cerca de 75%, segundo o FMI.
A inflação ultrapassou 130.000% em 2018 e permaneceu acima de 600% em 2025.
O desemprego saltou de 8% para 35,6% em poucos anos.

A pobreza não foi um efeito colateral. Tornou-se um instrumento de submissão.

“O regime toma tudo: dinheiro, bens, dignidade.”

Militares que antes eram respeitados passaram a ser indistinguíveis de grupos armados ilegais. Em checkpoints, roubam até cadeiras de praia, toalhas e chapéus.

“Não dá para saber quem é o Exército e quem é bandido. Mas o resultado é o mesmo.”

O preço de discordar

Daniel Tirado entrou na política ainda adolescente. O idealismo durou pouco.

Amigos espancados quase até a morte. Ataques de “colectivos” — milícias pró-regime. Perseguição constante. Ameaças à família.

“Quando você enfrenta uma estrutura criminosa, não é só sobre você. É sobre o que eles podem fazer com quem você ama.”

Daniel Tirado, ativista político

Hoje, vive no exílio, separado da família, impossibilitado de viajar e consciente de que o regime ainda o considera inimigo.

“Você nunca está seguro na Venezuela. Não importa quem você seja.”

Daniel Tirado

Exílio, não escolha

Apesar de tudo, quase nenhum dos entrevistados fala em vingança. Falam em sobrevivência. Reconstrução. Saudade.

“Ele quer morrer no país dele. Mas veio para cá por necessidade.”

Filha de um empresário venezuelano exilado

A captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas, em 3 de janeiro, foi recebida com alívio e esperança por muitos exilados. Para eles, não se trata de geopolítica, mas de justiça tardia.

O beco sem saída do socialismo

A Venezuela sob o socialismo não colapsou apenas economicamente. Colapsou moralmente, institucionalmente e humanamente.

O que essas histórias revelam não é uma falha administrativa, mas um sistema que se mantém pelo medo, pela escassez e pela violência seletiva.

Famílias separadas. Corpos mutilados. Gerações exiladas.

E uma lição que os que fugiram carregam consigo:

quando o Estado passa a controlar tudo, inclusive o silêncio, fugir deixa de ser opção — torna-se a única forma de continuar vivo.

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