Boa noite! Nesta quarta-feira, 17 de dezembro, trazemos para você:

  • STF concluiu a ação penal da intitulada “Trama Golpista”.

  • BBC afirmou que se defenderá do processo aberto por Donald Trump.

  • Parlamento Europeu aprovou plano para facilitar aborto.

  • Ursula von der Leyen: Europa precisa assumir a própria segurança.

  • Os desafios da aposentadoria para as novas gerações: esperança e adaptação dos mais jovens.

  • “Socialismo democrático”: mais um remake.

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Brasil ─ “Trama golpista”

A Primeira Turma do STF concluiu na terça-feira a ação penal da chamada “Trama Golpista”. Por unanimidade, cinco réus do Núcleo 2 foram condenados e um foi absolvido por falta de provas.

Filipe Martins, Marcelo Câmara, Mário Fernandes, Silvinei Vasques e Marília Alencar foram condenados. Os crimes incluem organização criminosa e tentativa de abolir o Estado Democrático; no caso de Marília, a condenação foi parcial.

As penas vão de 8 anos e 6 meses a 26 anos e 6 meses de prisão. O STF determinou indenização solidária de R$ 30 milhões e a perda do cargo para Vasques e Marília.

EUA/BBC ─ Processo de Trump

A BBC afirmou na terça-feira que vai se defender de um processo de US$ 5 bilhões aberto por Donald Trump na Flórida, ligado à edição de um documentário do programa Panorama.

Trump diz que a emissora alterou seu discurso de 6 de janeiro de 2021, no dia do ataque ao Capitólio, unindo trechos separados por mais de 50 minutos e sugerindo apelo à violência.

A BBC pediu desculpas, mas nega difamação.

União Europeia ─ Facilitação ao aborto

O Parlamento Europeu aprovou hoje um plano para ajudar mulheres de países com aborto restrito a fazer o procedimento em outro Estado-membro sem pagar.

A proposta, ligada à iniciativa chamada “Minha Voz, Minha Escolha”, cria um fundo no orçamento da UE para cobrir custos em lugares com proibição quase total, como Malta e Polônia, ou com acesso difícil, como Itália e Croácia.

O texto passou por 358 a 202 votos e vai para a Comissão Europeia, que decide em março. Defensores citam menos risco e mais acesso; críticos veem interferência nas leis nacionais.

União Europeia ─ Investimento em defesa

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse hoje no Parlamento Europeu que o mundo vive um momento perigoso e instável e que a Europa precisa assumir a própria segurança, reduzir dependências externas e abandonar pressupostos do pós-Segunda Guerra. 

Ela afirmou que a UE vem reforçando a Defesa e estima investir até 800 bilhões de euros até 2030.

Von der Leyen citou a estratégia de segurança dos EUA, de 5 de dezembro, que diz que a Europa está “em declínio”, e respondeu que Washington também perde peso no PIB mundial.

Inglaterra ─ Antissemitismo

 A Polícia Metropolitana de Londres e a Polícia da Grande Manchester disseram hoje que vão apertar a repressão a cartazes e cânticos antissemitas em protestos.

A mudança ocorre dias após um tiroteio na praia de Bondi, na Austrália, que deixou 15 inocentes mortos em um evento de Hanukkah, e depois de um ataque a sinagoga em Manchester, em outubro, com dois mortos.

As forças citaram o slogan “globalizar a intifada” e avisaram que o contexto mudou e prisões podem ocorrer. Grupos judeus pedem mais rigor.

Histórias e dramas reais de uma crise criada por narrativas ideológicas

Jovens corajosos rompem o silêncio, através de entrevistas e reconstituições, e trazem fatos e realidades sobre a transição de gênero possíveis apenas para quem viveu na própria pele essa situação. Cada uma de suas histórias é um relato poderoso de verdades não contadas.

  • Este é um documentário dramático que merece sua atenção e que está disponível na EpochTV Brasil, nossa plataforma de streaming.

“Socialismo democrático”: mais um remake

O capítulo mais recente de uma saga cada vez mais previsível.

Imagem personalizada por FEE

Julieta Clara - Autor, The Epoch Times

Ato I — De volta para o futuro

Sou da Argentina e, quando ouço o prefeito eleito de Nova Iorque, Zohran Mamdani, falar em “socialismo democrático” como caminho para a “justiça social”, sinto a estranha familiaridade de quem já viu esse filme muitas vezes. Vi o original, as sequências, os reboots e até a versão do diretor. Mudam os atores, os cenários e os slogans — mas o final é sempre o mesmo.

Na Argentina, esse filme esteve em cartaz por mais de um século sob nomes sedutores como “Igualdade”, “Inclusão”, “Solidariedade” e “Direitos”. O resultado foi recorrente: inflação crônica, expansão do assistencialismo, colapso dos incentivos ao trabalho e gerações inteiras dependentes do Estado, porque trabalhar deixou de ser claramente melhor do que receber benefícios. Um país antes próspero foi lentamente drenando produtividade, autonomia e oportunidades, enquanto a narrativa insistia em prometer um final feliz.

Ato II — “Socialismo democrático”: um novo rótulo

O problema do termo “socialismo democrático” não está no nome, mas na lógica por trás dele. Acrescentar “democrático” não muda o gênero do filme. A estrutura permanece a mesma: o Estado assume o papel de herói.

A experiência histórica — especialmente a argentina — mostra o oposto do prometido. Sempre que o Estado tenta salvar tudo, o resultado é mais controle, menos autonomia individual, incentivos distorcidos e uma economia cada vez mais dependente de decisões políticas, não de escolhas livres.

Ato III — O enredo nova-iorquino

Um candidato carismático vence prometendo controle de preços, congelamento de aluguéis e impostos mais altos sobre “os ricos” para financiar transporte, creches, saúde e até supermercados “gratuitos”. A mensagem soa humana e moderna.

Mas o roteiro ignora uma regra básica: não existe almoço grátis. Os recursos vêm de impostos que sufocam o setor produtivo, desestimulam investimentos e, no fim, recaem sobre os próprios cidadãos. Alguém sempre paga — e, nesse script, são os contribuintes.

Ato IV — A história sem fim

Na Argentina, esse ciclo se repetiu inúmeras vezes. A cada eleição, promessas de taxar os ricos, regular empresas e distribuir subsídios — energia barata, transporte subsidiado, preços controlados.

O desfecho era previsível: inflação, salários corroídos, poupança destruída e empresas fechando ou fugindo. Mudavam os slogans, mas o roteiro era idêntico, com consequências cada vez piores à medida que a economia se degradava.

Ato V — Os vilões convenientes

Quando o fracasso surgia, os culpados nunca eram os políticos. Eram sempre “os ricos”, os empresários, o FMI, os Estados Unidos ou os proprietários de imóveis. Na Argentina, isso levou à Lei de Aluguéis, que controlava preços e contratos.

Inicialmente apresentada como proteção aos inquilinos, a lei produziu o efeito contrário: proprietários retiraram imóveis do mercado, a oferta colapsou e os preços dispararam. A construção civil parou, e muitos migraram para aluguéis de curto prazo para escapar das distorções regulatórias.

Ato VI — O monstro burocrático

Programas “gratuitos” exigem gestão. E, na política, gestão significa mais ministérios, agências e funcionários. O Estado cresce, os custos aumentam e surgem mais oportunidades de corrupção. Um Estado inchado não apenas gasta mais — ele distribui favores, exige obediência e invade a vida privada.

O que começa como “justiça social” termina como um monstro burocrático que nunca para de se expandir.

Ato VII — O aviso final

A cena final mostra uma sociedade que passa a acreditar que conforto é um direito e esforço, opcional. O vínculo entre trabalho e recompensa se dissolve. Valor e responsabilidade desaparecem, substituídos por dependência e expectativas irreais.

É uma ilusão atraente, mas que sempre termina com menos oportunidades, mais dependência e um futuro mais pobre. A lição final é clara:

O “socialismo democrático” não destrói apenas economias — ele corrói as culturas que tornam a prosperidade possível.

Os desafios da aposentadoria para as novas gerações: esperança e adaptação dos mais jovens

Ilustração do The Epoch Times, Getty Images

Para a maioria dos americanos, a aposentadoria confortável deixou de ser uma certeza e passou a ser um desafio crescente. Estudos recentes indicam que mais da metade da população não conseguirá manter o padrão de vida após parar de trabalhar — mas, contra a intuição comum, especialistas veem sinais de preparo e adaptação maiores entre as gerações mais jovens.

Até 2030, mais de 30 milhões de americanos chegarão aos 65 anos. Segundo a Vanguard, 58% não terão renda suficiente para sustentar o estilo de vida atual na aposentadoria, enfrentando um déficit médio anual de cerca de US$ 5.000.

“Ninguém quer viver apertado depois de uma vida inteira de trabalho.”

 Paul Murray, presidente da PTM Wealth Management.

A promessa da aposentadoria e a realidade do ajuste

Planejadores financeiros concordam que muitos americanos terão de fazer mudanças reais antes e depois da aposentadoria: trabalhar mais tempo, gastar menos, usar patrimônio imobiliário ou até voltar ao mercado de trabalho.

Embora relatórios sugiram que millennials e Gen Z estejam mais bem posicionados do que os baby boomers, especialistas alertam que esses dados podem ser otimistas demais.

Paul Murray argumenta que os boomers se beneficiaram de um mundo financeiro menos complexo, com maior estabilidade, crescimento econômico previsível e valores conservadores de poupança herdados dos pais.

“Eles acumularam patrimônio em um ambiente muito menos caótico do que o atual”

Paul Murray

Jovens mais conscientes — mas nem sempre disciplinados

Consultores observam que gerações mais jovens parecem “melhor no papel” porque começaram a poupar mais cedo, impulsionadas por:
Inscrição automática em planos de aposentadoria
Acesso facilitado a contas diferenciadas
Maior exposição a crises financeiras desde cedo

“Eles cresceram ouvindo sobre colapsos de mercado e pensões quebradas”, disse Esmeralda Quintero, da Iarann Wealth.

Mas consciência não é sinônimo de ação. Segundo ela, muitos jovens gastam excessivamente com estilo de vida, viagens e conveniência, adiando a construção de hábitos consistentes de poupança.

Quintero aponta os millennials como os poupadores mais constantes, moldados por choques econômicos sucessivos, enquanto a Geração X tenta correr contra o tempo. Os menos preparados tendem a ser boomers tardios que não tiveram planos sólidos no início da carreira.

Separar identidade e renda: a diferença cultural

Para Chris Heerlein, CEO da REAP Financial, há uma mudança cultural importante em curso.

“Gerações mais jovens estão mais preparadas porque não vinculam sua identidade ao quanto ganham.”

Segundo ele, gerações mais velhas acumularam dívidas ao associar status e valor pessoal a promoções, salários maiores e upgrades constantes de estilo de vida.

Já Gen Z e millennials tendem a “travar” o padrão de vida mais cedo e redirecionar renda para o longo prazo — mesmo que se sintam financeiramente inseguros.

Essa insegurança aparece nos dados:

  • 52% da Gen Z e 53% dos millennials avaliam sua situação financeira como regular ou ruim

  • Entre a Geração X, o número cai para 49%

  • Entre boomers, para 34%

Viver mais, poupar menos

Parte da ansiedade vem da expectativa de longevidade. Metade dos americanos acredita que pode viver até os 100 anos, mas muitos planejam apenas 20 anos de aposentadoria — e não pretendem trabalhar além do início dos 60.

O resultado é um descompasso perigoso entre expectativa de vida e planejamento financeiro.

Entre americanos com mais de 50 anos:
1 em cada 5 não tem nada guardado para a aposentadoria
61% temem não conseguir se sustentar fora do mercado de trabalho

“Despesas do dia a dia continuam sendo o maior obstáculo para poupar”, alertou a AARP.

Pressões diferentes, o mesmo problema

Especialistas destacam que cada geração enfrenta obstáculos distintos:

  • Gen Z: mercado de trabalho instável e moradia cara

  • Millennials: dívidas e atraso na compra da casa própria

  • Geração X: filhos e pais idosos ao mesmo tempo

  • Boomers: longevidade e choques de saúde

O déficit anual de US$ 5.000 projetado pela Vanguard é considerado realista — e pode ser maior, especialmente por custos médicos e moradia.

Mas o impacto não é apenas financeiro.

“O que as pessoas subestimam é o estresse emocional. Vejo aposentados evitando viagens ou visitas à família porque não sabem se o orçamento permite.”

Chris Heerlein, CEO da REAP Financial

Impostos: a ameaça invisível

Para Paul Murray, o maior risco à aposentadoria futura não é apenas poupar pouco — mas pagar mais impostos.

Com a dívida nacional ultrapassando US$ 38 trilhões e pressões crescentes sobre a Previdência e o Medicare, ele prevê aumentos tributários generalizados.

O problema é que grande parte da Gen Z e dos millennials poupa em contas com imposto diferido. Cada dólar sacado na aposentadoria será tributado, reduzindo o poder de compra justamente quando a renda deixa de crescer.

Em resumo:

A crise da aposentadoria nos Estados Unidos não atinge todas as gerações da mesma forma, mas nenhuma está imune. Jovens mostram mais consciência, flexibilidade e disposição para ajustar expectativas, enquanto gerações mais velhas lidam com o peso da longevidade, da saúde e de decisões passadas.

O denominador comum é claro: quem começa a enfrentar o problema cedo tem mais margem de manobra.

Em um país que envelhece rapidamente, o futuro do descanso após décadas de trabalho dependerá menos de promessas e mais de escolhas feitas — ou adiadas — hoje.

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