O Capitólio dos EUA em Washington, em 4 de fevereiro de 2026. Madalina Kilroy/The Epoch Times

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos adotou uma posição clara e bipartidária contra um dos crimes de direitos humanos mais perturbadores de nosso tempo: a extração forçada de órgãos sancionada pelo Estado na China.

Com a aprovação do Falun Gong Protection Act em maio de 2025, a Câmara afirmou uma verdade moral simples, porém profunda: nenhum governo tem o direito de matar prisioneiros de consciência para obter lucro. Um projeto correlato no Senado, S.817 — apresentado pelo senador Ted Cruz e coassinado por oito senadores — aguarda agora análise na Comissão de Relações Exteriores do Senado. O atraso não é neutralidade; é aquiescência. O Senado precisa agir.

Falun Gong, também conhecido como Falun Dafa, é uma prática espiritual pacífica enraizada em tradições milenares e nos princípios de verdade, compaixão e tolerância. No fim dos anos 1990, dezenas de milhões de cidadãos chineses praticavam Falun Gong abertamente. Em 1999, o Partido Comunista Chinês classificou essa comunidade pacífica como inimiga do Estado e lançou uma campanha nacional de erradicação. Desde então, praticantes têm sido detidos sem devido processo legal, torturados, presos e desaparecidos — punidos não por crimes, mas por consciência.

Diversas investigações independentes concluíram que praticantes do Falun Gong se tornaram as principais vítimas do sistema de extração forçada de órgãos na China. As razões são pragmaticamente perturbadoras: não são violentos, são sistematicamente demonizados e mantidos em grande número fora da proteção da lei. Em outras palavras, estão indefesos. Não se trata de perseguição que saiu do controle; trata-se de perseguição projetada para exploração.

A extração forçada de órgãos não é uma alegação abstrata nem uma divergência política. É um crime contra a humanidade. Prisioneiros de consciência são submetidos a exames médicos não para preservar a vida, mas para preparar a morte. São mortos sob demanda para que seus corações, fígados, rins e córneas possam ser vendidos. Essa prática destrói todos os princípios que sustentam a ética médica, a dignidade humana e o Estado de direito. Um sistema que transforma curadores em executores e hospitais em locais de morte não é apenas corrupto — é moralmente invertido.

As evidências são extensas. Durante anos, organizações não governamentais, jornalistas investigativos e pesquisadores independentes documentaram essa atrocidade. Em 2019, o China Tribunal — um tribunal popular independente sediado em Londres e presidido por Geoffrey Nice, que processou Slobodan Milosevic — concluiu por unanimidade que “a extração forçada de órgãos vem sendo cometida há anos em toda a China em escala significativa e que praticantes do Falun Gong foram uma — e provavelmente a principal — fonte de órgãos”. O tribunal classificou a prática como crime contra a humanidade.

Parlamentos ao redor do mundo tomaram conhecimento. O Congresso dos EUA realizou audiências e aprovou resoluções condenando a prática na China. O Parlamento Europeu fez o mesmo. Essas ações refletem um consenso internacional crescente: o crime é real, contínuo e intolerável. O Falun Gong Protection Act avança esse consenso ao ir além das palavras e buscar responsabilização — impondo sanções aos responsáveis e sinalizando que a impunidade não será permanente.

Ainda assim, apesar da magnitude do crime e da clareza das evidências, muitos líderes e instituições optaram pelo silêncio. Até mesmo parte da grande imprensa falhou. Em depoimento juramentado ao China Tribunal, Didi Kirsten Tatlow, ex-repórter do The New York Times em Pequim, afirmou ter sido desencorajada e, por fim, impedida de prosseguir com uma investigação sobre extração forçada de órgãos. Seu testemunho levanta questões preocupantes sobre autocensura e a influência corrosiva de pressões políticas e econômicas ao abordar abusos de regimes poderosos.

A história é inequívoca em seu julgamento sobre momentos assim. Atrocidades não persistem porque estão ocultas; persistem porque são ignoradas. A vergonha mais duradoura não recai apenas sobre os perpetradores, mas também sobre aqueles que sabiam e escolheram não agir. O silêncio, quando vidas humanas são sistematicamente destruídas, não é cautela — é falha moral.

O Falun Gong Protection Act não trata de ideologia ou geopolítica. Trata de traçar uma linha que nunca deve ser cruzada: seres humanos jamais devem ser reduzidos a fonte de peças de reposição para o Estado. A extração forçada de órgãos é um ataque à própria sacralidade da vida e um desafio direto aos fundamentos éticos da medicina moderna e da ordem internacional.

O Senado dos Estados Unidos enfrenta agora um teste de liderança moral. A aprovação célere dessa lei enviaria uma mensagem clara — às vítimas, aos perpetradores e ao mundo — de que os Estados Unidos não desviarão o olhar diante de crimes contra a humanidade, independentemente de pressões políticas ou inconveniências econômicas.

O silêncio permite atrocidades. A ação afirma a humanidade. O Senado deve aprovar o Falun Gong Protection Act sem demora.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as posições do The Epoch Times.


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