
Um homem passa por um mural representando uma bomba de petróleo em uma bandeira venezuelana, em Caracas, Venezuela, em 15 de janeiro de 2026. Pedro Mattey/AFP via Getty Images
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
Após remover o líder socialista da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro, o governo do presidente Donald Trump passou a buscar a reconstrução do país depois de décadas de corrupção, negligência e saque.
Sob Maduro e seu antecessor, Hugo Chávez, a Venezuela deixou de ser o país mais rico da América do Sul e um dos 20 mais prósperos do mundo para se tornar “um petroestado fracassado”. Entre 2014 e 2021, o produto interno bruto venezuelano encolheu mais de 70%.
Hoje, a infraestrutura do país está em ruínas, o sistema judicial é permeado por corrupção e clientelismo e, dado o histórico de expropriação de ativos privados, muitos investidores estrangeiros consideram o país “ininvestível”.
Além disso, grande parte da riqueza e das poupanças nacionais evaporou à medida que a moeda do país, o bolívar, passou por dois episódios de hiperinflação, atingindo pico de 234% ao mês em 2018 e voltando a superar 150% ao mês em 2020.
Como um país começa a se recuperar disso?
Após décadas aconselhando governos sobre como consertar economias quebradas, o economista da Johns Hopkins University Steve Hanke, conhecido como “médico do dinheiro”, afirma já ter visto situações piores.
“A China estava em situação muito pior que a Venezuela em 1979, então todas essas coisas são possíveis”, disse Hanke ao The Daily Signal. Mas o primeiro passo crítico é estabilizar uma moeda que esteve em queda livre.
“Se não conseguirem colocar o gênio da inflação de volta na garrafa”, disse ele, “nada de muito relevante realmente acontecerá”.
Quando Hanke assessorou a Bulgária em 1997, o país também sofria com graves problemas econômicos, incluindo inflação descontrolada e crise bancária. A solução proposta foi um currency board, no qual a moeda doméstica é 100% lastreada por uma moeda estrangeira de reserva, como o dólar ou o euro, a uma taxa de câmbio fixa.
“A taxa de inflação era de 242% ao mês, e implementamos o currency board em julho e a inflação despencou imediatamente, para abaixo de 10% ao ano”, afirmou Hanke.
Em um ano, as reservas cambiais búlgaras triplicaram, os juros de curto prazo caíram para 2%, o sistema bancário recuperou solvência e a economia voltou a crescer.
Em 1º de janeiro, após cumprir os requisitos, a Bulgária ingressou na zona do euro.
Seguindo esse modelo, a estabilidade cambial também foi alcançada em países como Estônia, Lituânia e Bósnia e Herzegovina. Hanke também recomendou um currency board ao então presidente venezuelano Rafael Caldera nos anos 1990, mas, segundo ele, o contexto atual é diferente.
“O Estado de direito se deteriorou tanto que eu nunca recomendaria um currency board agora”, disse. Em vez disso, ele defende que a Venezuela abandone totalmente o bolívar e adote o dólar como moeda nacional.
Nesse processo, conhecido como dolarização, “basicamente elimina-se o banco central, elimina-se a moeda local e substitui-se pela moeda âncora que seria usada num currency board”, explicou.
A dolarização foi implementada com eficácia no Panamá, em El Salvador e no Equador. A Venezuela já apresenta dolarização informal, com estimativas indicando que mais da metade das transações ocorre em dólares.
Uma vez alcançada estabilidade macroeconômica, o governo pode começar a “avançar gradualmente nas demais reformas necessárias”, disse Hanke.
“Se observarmos grandes reformas, como na Nova Zelândia ou no Reino Unido sob a primeira-ministra Margaret Thatcher, ou ainda os Chicago Boys no Chile, nada disso ocorreu da noite para o dia”, afirmou. “É preciso construir confiança e impulso, e permitir que esse impulso sustente o processo, avançando passo a passo.”
Grande parte da atenção desde janeiro concentra-se nas vastas reservas de petróleo venezuelanas, embora muitos poços estejam degradados após décadas de má gestão estatal e desvios.
“O chavismo tornou as maiores reservas de petróleo bruto do mundo efetivamente sem valor”, disse Hanke, observando que empresas ocidentais têm hesitado em reinvestir.
Em janeiro, o parlamento venezuelano aprovou uma nova lei para abrir o setor petrolífero ao desenvolvimento privado, mas provavelmente será necessário ir além para atrair investimentos. O país precisa estabelecer um sistema jurídico confiável que garanta direitos de propriedade, semelhante ao que o Chile instituiu para concessões de mineração nos anos 1980, afirmou.
“A lei de mineração chilena estabeleceu direitos de propriedade sólidos e regras claras do jogo”, disse ele. Entre outros pontos, a legislação determina que, em caso de expropriação estatal, o governo deve pagar ao proprietário o valor presente integral dos fluxos futuros de caixa do ativo, além de garantir tratamento igual a investidores estrangeiros e nacionais.
Além do petróleo, setores com grande potencial incluem agricultura e mineração, também submetidos à nacionalização sob Chávez e Maduro.
A Venezuela possui vasta terra agrícola ociosa e abundantes recursos de água doce, mas “os preços da terra estão extremamente deprimidos sob o peso do severo risco legal e político”, afirmou Hanke. “Insegurança de direitos de propriedade, disrupções nos mercados de insumos, controles de preços e câmbio e deterioração da infraestrutura empurraram o setor muito abaixo de sua fronteira produtiva.”
“Há ainda reservas significativas de ouro, minério de ferro, bauxita, carvão, níquel e alguns materiais críticos, como coltan”, acrescentou. “Mas, assim como a agricultura, a mineração sofre com problemas de infraestrutura.”
Do lado dos Estados Unidos, Hanke defende o fim completo do embargo americano.
“A primeira ação imediata que os EUA deveriam tomar em relação à Venezuela é remover todas as sanções, algo que poderia literalmente ser feito com um simples ato administrativo”, afirmou.
Reproduzido com permissão do The Daily Signal, publicação da The Heritage Foundation.





