O primeiro-ministro Keir Starmer anuncia sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e de líder do Partido Trabalhista, em frente ao número 10 da Downing Street, em Londres, Inglaterra, em 22 de junho de 2026. (Peter Nicholls/Getty Images)

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

A renúncia do primeiro-ministro britânico Sir Keir Starmer confirma o sétimo governo consecutivo fracassado do Reino Unido e a iminente posse do sétimo primeiro-ministro britânico em 10 anos. A classificação de fracasso baseia-se na rejeição eleitoral ou na destituição pelo Parlamento do partido governista. Na Grã-Bretanha, não é uma desgraça deixar o cargo a pedido dos próprios deputados, desde que isso ocorra após um mandato razoável.

Quando Margaret Thatcher se aposentou em 1990, como a primeira primeira-ministra a liderar um partido político britânico a três vitórias consecutivas com mandatos completos desde antes da Primeira Lei de Reforma de 1832, a desgraça foi a ingratidão de seus colegas conservadores. Desde então, seu partido teve nove líderes antes do atual, e todos foram rejeitados, seja pelos eleitores, seja por seus próprios deputados. Essa foi uma série de desgraças. A covardia e a traição do Partido Conservador já eram notórias antes de Thatcher, e o último líder conservador do Reino Unido a deixar o cargo em boa saúde pessoal e política — e de forma totalmente voluntária — foi Stanley Baldwin, em 1937. Os seis líderes conservadores entre Baldwin e Thatcher foram todos, de certa forma, forçados a sair por seus colegas, incluindo Winston Churchill. Ele tinha 80 anos e havia sofrido um pequeno derrame, mas continuava sendo Winston Churchill.

De todos esses líderes conservadores desde Baldwin, os únicos que poderiam ser considerados bem-sucedidos são Churchill, Harold Macmillan e Thatcher, pois todos se aposentaram invictos. No mesmo período de 89 anos, o Partido Trabalhista teve 12 líderes, dos quais apenas Clement Attlee e Tony Blair poderiam ser considerados bem-sucedidos, e somente Blair se aposentou invicto. Esse é o histórico do Reino Unido ao longo de quase um século, durante o qual mergulhou catastróficamente na política de apaziguamento da Alemanha nazista, se recuperou e travou uma guerra magnífica e heróica, mergulhou de cabeça no Estado de bem-estar social com consequências geralmente desfavoráveis à medida que o Império se desintegrava, fez um retorno emocionante à prosperidade e ao prestígio mundial sob o governo de Thatcher e desperdiçou quase tudo isso nos últimos 35 anos.

Durante todo esse tempo, até os últimos anos, a Grã-Bretanha tem sido, na prática, um sistema bipartidário ou tripartidário e só teve um governo de coalizão uma vez desde a Segunda Guerra Mundial, quando conservadores e liberais-democratas uniram forças para cumprir um mandato completo de 2010 a 2015. Mas as últimas pesquisas indicam que até nove ou dez partidos poderiam ser eleitos para o próximo Parlamento, e cinco partidos parecem estar obtendo entre 12% e 25% nas pesquisas. Esses números representam o profundo fracasso dos partidos tradicionais no poder em servir o país de forma eficaz e em liderá-lo com sucesso, ou pelo menos em seguir a opinião da maioria com a diligência e a percepção adequadas para merecer o status de uma formação política governante.

O principal problema subjacente na política britânica pós-Thatcher tem sido a relação da Grã-Bretanha com a União Europeia e, particularmente, a questão da imigração. No caso dos britânicos, ao contrário dos outros grandes países da UE, havia uma lacuna democrática na Europa. Alemanha, França e Itália haviam sido, em tempos ainda recentes, ditaduras e todas haviam mudado drasticamente seus sistemas políticos durante a vida de muitos milhões de cidadãos de cada um desses países. A estabilidade e a continuidade das instituições políticas britânicas, até muito recentemente, têm sido uma característica universalmente admirada daquele país.

Os britânicos votaram em 1972 a favor da adesão a um mercado comum. A população britânica nunca havia sido consultada sobre se desejava aderir a uma união federal e ter as instituições que a Grã-Bretanha havia gradualmente elaborado ao longo de mais de 700 anos, desde a Magna Carta, subordinadas às instituições bem-intencionadas, mas ainda imaturas, de Bruxelas e Estrasburgo, e, em detrimento de seu relacionamento com os membros mais antigos da antiga Comunidade Britânica, incluindo o Canadá, e de sua relação frequentemente especial com os Estados Unidos, submetidas às relações do governo da União Europeia em Bruxelas com as de outros países. (Como membro conservador da Câmara dos Lordes, em 2002 perguntei ao líder do nosso partido naquela Câmara, Lord Geoffrey Howe, se não deveríamos criar uma comissão de relações exteriores, e ele me disse que tudo isso era tratado por meio de Bruxelas. Era um absurdo.)

O governo europeu não presta contas, na verdade, ao parlamento que se reúne em Estrasburgo, e os comissários, uma vez nomeados pelos governos nacionais constituintes, têm autoridade muito maior do que os secretários de Estado equivalentes que ocupam cargos no Parlamento britânico. Os britânicos nunca se sentiram à vontade com esse arranjo nem com o fluxo incessante de diretrizes autoritárias que lhes chegavam de Bruxelas. O ponto crítico foi a imigração, já que vários países europeus estavam pouco dispostos ou eram incapazes de impedir o influxo de um número muito grande de pessoas, em sua maioria indigentes, vindas do Oriente Médio e da Europa Oriental, e havia pouco que impedisse o afluxo ilegal de grande parte dessas pessoas para o Reino Unido, apesar de sua proverbial insularidade.

Os sucessivos governos não apenas falharam em garantir a segurança das ilhas do Reino Unido, mas, uma vez chegados, os recém-chegados naturalmente exerceram uma pressão incômoda sobre o custo da moradia e de outros serviços essenciais. Os cidadãos britânicos de renda modesta se opuseram, com razão, não exatamente à imigração em geral, mas à falha do governo do Reino Unido em fornecer moradia em quantidade adequada para evitar pressões perigosas sobre os custos que os afetavam. A resposta do governo a esse problema foi agravada por sua incompetência e pela tendência de interpretar tais preocupações como racistas, em vez de objeções motivadas por necessidade econômica; e seguiram-se anos de perseguição excessiva e injusta a grande parte da população britânica sob o falso pretexto de intolerância racial.

Duas coisas são cronicamente preocupantes no Reino Unido atualmente: É um país que poderia reivindicar ser, em termos gerais e entre todos os países mais importantes do mundo, o mais bem governado, em média, nos últimos 500 anos — ou seja, entre os pólos desafiadores de Henrique VIII e Keir Starmer — e, no entanto, não consegue defender suas fronteiras, embora seja uma ilha com uma marinha substancial e não tenha visto as fogueiras de um invasor hostil há quase 1.000 anos. E, em vez de suscitar na nação um compromisso absoluto com os direitos de todos os cidadãos, a maioria política se encolhe de medo diante da minoria islamista extremista entre os muçulmanos da Grã-Bretanha, que é tolerada em sua ilegalidade, particularmente contra a minoria judaica — talentosa, irrepreensível e menos numerosa.

Há sinais de esperança, especialmente com a gradual recuperação dos conservadores, mas a dissolução da identidade política e da coesão do Reino Unido seria uma perda grave para o mundo. Isso pode estar iminente.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente a posição do Epoch Times.

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