Moradores de Berlim Ocidental se aglomeram em frente ao Muro de Berlim na madrugada de 11 de novembro de 1989, enquanto observam os guardas de fronteira da Alemanha Oriental demolindo um trecho do muro. (Gerard Malie/AFP via Getty Images)

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

A história está repleta de movimentos políticos que surgiram de promessas nobres. Poucos foram mais atraentes em teoria do que o socialismo. Em sua essência, o socialismo promete maior igualdade, justiça econômica e proteção para aqueles que enfrentam dificuldades em um mercado competitivo. Ele atende ao desejo de justiça e à crença de que ninguém deve ser deixado para trás.

No entanto, a história também nos ensina uma lição que nos leva à reflexão: embora milhões de pessoas tenham votado a favor do socialismo, outros milhões acabaram fugindo dele.

Por quê?

A resposta não está nos slogans de campanha nem nas teorias acadêmicas. Ela está nas experiências vividas por pessoas comuns ao longo de gerações e continentes.

Ao longo do século XX, governos socialistas surgiram na Europa Oriental, Ásia, África e América Latina. Muitos chegaram ao poder prometendo eliminar a pobreza, reduzir a desigualdade e colocar as necessidades do povo acima dos interesses dos ricos. No início, essas promessas costumavam gerar enorme entusiasmo. Dizia-se aos cidadãos que o planejamento estatal seria mais eficiente do que o livre mercado, que a propriedade coletiva criaria justiça e que o controle centralizado traria prosperidade para todos.

Os resultados, no entanto, frequentemente ficaram aquém das promessas.

Um problema recorrente era a concentração de poder. Quando os governos assumem a responsabilidade de dirigir grande parte da economia, os líderes políticos inevitavelmente ganham maior controle sobre o emprego, o investimento, a produção e a distribuição. Com o tempo, essa concentração de autoridade muitas vezes se estende além da economia, atingindo outros aspectos da sociedade.

A história mostra que, quando os governos adquirem maior poder, os cidadãos frequentemente perdem uma parte de sua independência. A liberdade econômica e a liberdade política costumam estar mais intimamente ligadas do que muitos imaginam. Quando o sustento de uma pessoa depende fortemente do Estado, a dissidência se torna mais difícil e as escolhas individuais ficam mais limitadas.

Outra lição que a história nos ensina é que os incentivos são importantes.

Os seres humanos respondem a recompensas, riscos e oportunidades. Os sistemas de livre mercado estão longe de ser perfeitos, mas têm demonstrado consistentemente uma notável capacidade de incentivar a inovação, o empreendedorismo e a produtividade. Quando os indivíduos têm a possibilidade de se beneficiar de seu trabalho árduo, criatividade e investimento, as economias tendem a crescer.

Em contrapartida, sistemas fortemente centralizados muitas vezes enfrentam dificuldades para gerar o mesmo nível de inovação e eficiência. As burocracias podem se tornar lentas, inflexíveis e desconectadas das realidades locais. Com o tempo, a escassez, as ineficiências e o declínio da produtividade têm atormentado muitas economias controladas pelo Estado.

Isso não significa que o capitalismo seja isento de falhas. Claramente não é. Os mercados livres podem gerar desigualdade, abusos e desequilíbrios econômicos. Eles exigem regulamentação, prestação de contas e responsabilidade moral. Mas a história sugere que substituir os mercados por um controle governamental extensivo muitas vezes cria um conjunto diferente de problemas — problemas que podem ser ainda mais difíceis de resolver.

Talvez a evidência mais contundente venha dos padrões migratórios.

Ao longo da história moderna, as pessoas têm se deslocado, em sua grande maioria, em direção a sociedades que ofereciam maior liberdade econômica, em vez de se afastarem delas. Desde os alemães do Leste que arriscavam a vida para atravessar o Muro de Berlim, passando pelos cubanos que cruzavam águas perigosas, até os venezuelanos que fugiam do colapso econômico, inúmeras pessoas votaram com os pés.

Essa realidade merece uma análise cuidadosa.

As pessoas raramente abandonam seus lares, famílias, idioma e cultura sem motivos convincentes. Quando os cidadãos deixam repetidamente países governados por sistemas socialistas em busca de oportunidades em outros lugares, isso levanta questões importantes sobre a sustentabilidade a longo prazo desses sistemas.

A lição não é que toda política associada ao socialismo seja inerentemente errada. Muitas sociedades democráticas incorporam redes de segurança social, programas de saúde pública, sistemas de aposentadoria e outras formas de apoio governamental, ao mesmo tempo em que mantêm economias de mercado e instituições democráticas sólidas.

A verdadeira lição diz respeito ao equilíbrio.

Sociedades bem-sucedidas tendem a reconhecer tanto os pontos fortes quanto as limitações do governo. Elas compreendem que o governo tem um papel importante na proteção dos vulneráveis, na aplicação do Estado de Direito e na prestação de serviços públicos essenciais. Ao mesmo tempo, reconhecem que a prosperidade é frequentemente impulsionada pela iniciativa individual, pela iniciativa privada, pela inovação e pela liberdade econômica.

À medida que as gerações mais jovens debatem os méritos do socialismo, devem fazê-lo com uma compreensão da história, em vez de visões romantizadas do que poderia ser. Boas intenções, por si só, não garantem bons resultados. As políticas devem, em última instância, ser julgadas não por suas promessas, mas por seus resultados.

O veredicto da história não é nem simples nem ideológico. É prático. Repetidamente, as pessoas têm demonstrado, por meio de suas ações, que valorizam a liberdade, as oportunidades e a capacidade de moldar seus próprios destinos. Quando essas coisas se tornam escassas, muitas acabam buscando-as em outros lugares.

Essa é talvez a lição mais duradoura que a história oferece: as pessoas podem se sentir atraídas por promessas de igualdade, mas muitas vezes estão dispostas a percorrer grandes distâncias — e a suportar grandes dificuldades — em busca da liberdade.

Hoje, essas lições estão se tornando parte do debate político americano. Com candidatos socialistas ganhando influência nas principais cidades — dois exemplos são a ascensão da vereadora Janeese Lewis George em Washington e a crescente proeminência do prefeito Zohran Mamdani em Nova Iorque —, os eleitores estão mais uma vez debatendo o equilíbrio adequado entre a intervenção governamental e a iniciativa individual.

Os defensores veem esses movimentos como uma resposta ao aumento dos custos, à escassez de moradia e à desigualdade econômica. Os críticos veem sinais de alerta que a história já apresentou antes. Seja qual for a perspectiva política de cada um, o debate não deve ser conduzido apenas por slogans ou emoção. Deve ser fundamentado nas experiências de nações que já trilharam esse caminho.

As duras lições da história não são de que a compaixão seja perigosa ou de que o governo não tenha nenhum papel a desempenhar. Em vez disso, elas nos lembram que o poder concentrado, a liberdade econômica reduzida e a dependência excessiva do Estado muitas vezes acarretam consequências que só se manifestam com o tempo.

O futuro dos Estados Unidos não será determinado por rótulos como “capitalista” ou “socialista”. Ele será determinado pela nossa capacidade de preservar a liberdade, a oportunidade, a inovação e a responsabilidade pessoal que há muito definem o sucesso da nação, ao mesmo tempo em que garantimos que aqueles que enfrentam dificuldades não sejam deixados para trás.

A história continua sendo nossa maior professora. A questão é se estamos dispostos a aprender com ela.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente a posição do Epoch Times.

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