Pessoas se reúnem em frente à America ChangLe Association, uma delegacia secreta da polícia chinesa agora fechada, para destacar a repressão transnacional de Pequim, em Nova Iorque, em 25 de fevereiro de 2023. (Samira Bouaou/The Epoch Times)

Centenas de pessoas nos Estados Unidos sofreram assédio e intimidação ligados a Pequim nos últimos anos, à medida que o regime chinês intensifica uma campanha sistemática para silenciar a dissidência em solo americano, aponta um novo relatório.

Compartilhado com o Epoch Times antes de seu lançamento em 30 de junho, o relatório detalha mais de 600 casos de repressão transnacional ao longo de um período de cinco anos a partir de 2020.

Esses casos abrangem 30 estados, além do Distrito de Columbia, e o número vem aumentando a cada ano, de acordo com o relatório.

Os números falam por si, disse Mark Yang, pesquisador do Centro de Informações do Falun Dafa que ajudou a compilar o relatório.

Ele observou que o número de casos confiáveis relatados aumentou 10 vezes entre 2020 e 2025.

“Estamos realmente vendo que a repressão transnacional não é algo pontual. Não se trata de uma repressão aos direitos humanos em um lugar distante”, disse ele ao Epoch Times. “Pelo contrário, está acontecendo ao nosso redor, bem aqui nos Estados Unidos, e em uma escala bastante significativa”.

O relatório de 44 páginas resume as conclusões de uma pesquisa realizada com mais de 1.000 praticantes do Falun Gong, uma prática espiritual que incorpora meditação e os valores de verdade, compaixão e tolerância. O PCCh tem como objetivo erradicar a prática desde 1999. O tamanho da amostra representa cerca de 10% da população estimada de praticantes do Falun Gong nos Estados Unidos, segundo o relatório.

Um gráfico mostrando um aumento de 10 vezes nos relatos confiáveis de repressão transnacional ocorridos entre 2020 e 2025. (Cortesia do Centro de Informações do Falun Dafa)

Intimidação “comum”

Oitenta e um por cento dos entrevistados eram de etnia chinesa, provenientes da China continental e de Hong Kong, e outros quase 6% eram de Taiwan, dos Estados Unidos ou de outro país. Quase 12% se identificaram como caucasianos, afro-americanos, hispânicos, do Oriente Médio, índios americanos, nativos do Havaí, outros asiáticos ou mestiços.

Quase metade dos entrevistados afirmou ter sofrido pessoalmente perseguição na China, incluindo detenção, trabalho forçado e tortura. Os incidentes descritos variaram de assédio às famílias na China até violência nas ruas.

Em abril de 2025, em Nova Iorque, um homem chinês chutou uma mesa em um estande de informações do Falun Gong com tanta força que fez com que as prateleiras e a mesa se inclinassem, quase derrubando um voluntário que estava atrás dela.

“Não gosto de ver você”, disse o agressor ao voluntário.

Um homem chinês que se identificou como Fan Yang (à direita) confrontou voluntários em um estande do Centro Global de Serviços para Sair do PCCh no bairro de Flushing, no Queens, em Nova Iorque, em 29 de abril de 2025. (Cortesia do Centro Global de Serviços para Sair do PCCh)

Meses depois, uma mulher que se identificou como Jingjing passou por algo semelhante em outro estande de informações na cidade. Jingjing contou que, enquanto tentava conscientizar as pessoas sobre os abusos em curso na China, um homem se aproximou e atacou verbalmente o Falun Gong antes de tentar tomar seus materiais e atear fogo em sua barraca com um isqueiro.

Yang disse que o que o impressionou foi o tom que Jingjing escolheu ao relatar aquele momento intenso.

A maneira como ela descreveu o ocorrido fez com que parecesse “algo realmente comum” — a ponto de ela não dar muita importância ao fato, disse ele.

Essa é a realidade das pessoas na linha de frente que fazem ativismo de base, tentando informar a população sobre o que realmente está acontecendo dentro da China, afirmou ele.

Mark Yang, pesquisador e assessor de advocacy do Centro de Informações do Falun Dafa, em Washington, em 30 de junho de 2026. (Madalina Kilroy/The Epoch Times)

Carro vandalizado, ameaças de morte

A violência também se manifesta de outras formas.

Uma mulher da Califórnia disse que seu carro foi vandalizado quatro vezes ao longo de três anos, em incidentes que poderiam ser qualificados como crimes de ódio segundo a legislação estadual.

O carro exibia em destaque as mensagens “Falun Dafa é bom”, “Verdade, Compaixão e Tolerância são boas”, “Fim do PCCh” e “Deus abençoe a América”. Os vândalos roubaram o letreiro do teto no primeiro ataque e, em seguida, pintaram repetidamente grafites profanos no veículo, que ecoavam as mensagens de propaganda maligna que o regime costuma usar na China para justificar sua perseguição à fé.

O incidente demonstra a “potência com que o regime conseguiu se apropriar de terminologia carregada de significado e de sensibilidades culturais para incitar o ódio contra os praticantes americanos do Falun Gong”, afirma o relatório.

Um dos principais alvos da campanha de repressão do PCCh é a Shen Yun Performing Arts, com sede em Nova Iorque, uma companhia de dança clássica chinesa fundada por praticantes do Falun Gong em 2006 para reviver a herança tradicional chinesa perdida sob o regime comunista. As apresentações do Shen Yun também destacam a repressão violenta do PCCh ao Falun Gong na China moderna.

Na pesquisa, 53 entrevistados se identificaram como artistas do Shen Yun ou membros da equipe da companhia. Os entrevistados relataram ter sofrido ameaças violentas à sua segurança pessoal, sabotagem de veículos, pressão do consulado chinês e ataques da mídia fora de contexto, com o objetivo de sabotar as turnês da companhia e manchar sua reputação.

O diretor executivo do Centro de Informações do Falun Dafa, Levi Browde, recebeu ameaças de morte.

Em agosto de 2024, uma pessoa que usava um nome chinês enviou um e-mail declarando que Browde “encontraria Deus”. Em anexo, havia imagens de cartuchos de espingarda e uma espingarda carregada.

A comunidade do Falun Gong e o Shen Yun enfrentaram centenas de ameaças semelhantes, uma das quais levou a uma evacuação antes da apresentação de estreia do Shen Yun em 2025 no Kennedy Center, em Washington.

Ao todo, o relatório contabilizou cerca de 140 incidentes atribuídos às autoridades chinesas ou a entidades afiliadas. A repressão se intensificou em 2022, após uma diretiva secreta do líder chinês Xi Jinping para usar influenciadores das redes sociais e veículos de notícias no Ocidente como armas para silenciar o Falun Gong.

Imagens de um e-mail com ameaça de morte enviado ao diretor executivo e aos membros da equipe do Centro de Informações do Falun Dafa em 1º de agosto de 2024. (Cortesia do Centro de Informações do Falun Dafa)

“Muito real”

A campanha do PCCh de hostilidade crescente e a disseminação de equívocos têm pesado sobre a comunidade.

Quase dois terços dos entrevistados relataram sofrimento emocional. Centenas afirmaram ter sofrido assédio verbal em público ou na internet, ou ter se sentido discriminados no trabalho, na escola ou em suas comunidades por causa de suas práticas espirituais, segundo o relatório.

Eles usaram palavras como “preocupante”, “inseguro”, “discriminação”, “ódio” e “isolamento social” para caracterizar seu ambiente.

Uma professora da Geórgia citada no relatório, enquanto fazia um curso de chinês em uma faculdade local, disse que seu professor de chinês, vindo da China continental, repetia palavras difamatórias sobre o Falun Gong durante uma conversa.

A professora às vezes visitava sua amiga em outra escola para estudarem juntas os livros do Falun Gong.

Quando faziam isso, a amiga fechava a porta da sala, tomando cuidado para não ser ouvida. A amiga, que tinha família na China, não saía para o pátio nem mesmo à noite por medo de ser vista com os livros, disse ela.

“Ela não estava com tanto medo por si mesma — estava com medo pela família que ficara na China”, disse a professora da Geórgia sobre a amiga. “O pai dela foi torturado e preso, e ela temia que isso acontecesse novamente se chegasse à China a notícia de que ela era praticante”.

A professora disse que isso serve como um lembrete de que “os tentáculos do PCCh” realmente estão nos Estados Unidos.

“É fácil para nós nos sentirmos seguros ou complacentes, mas nem todos estão a salvo, e isso realmente está causando um impacto”, disse a professora, que não revelou seu nome por medo de represálias, ao Epoch Times. “A repressão transnacional é muito real”.

Ter como alvo as famílias é uma das principais estratégias, disse Yang. Um terço dos entrevistados na pesquisa afirmou que sua família na China havia sofrido assédio da polícia chinesa por causa de seu ativismo nos Estados Unidos.

As conclusões do relatório, disse ele, devem “alertar todos os americanos que se preocupam com as liberdades civis, a liberdade religiosa e a integridade das instituições dos EUA”.

“Isso está acontecendo com cidadãos americanos, com nossos vizinhos, neste exato momento”, disse ele. “É um ataque direto à nossa soberania, à nossa segurança nacional e à própria liberdade que tanto prezamos”.

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

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