Um posto de gasolina permanece fechado devido à falta de combustível em Havana, em 24 de março de 2026. O governo de Cuba confirmou, em 20 de abril, que havia voltado à mesa de negociações para se reunir com autoridades americanas, com o objetivo de amenizar as tensões e resolver as restrições energéticas. (Yuri Cortez/AFP via Getty Images)

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Apagões, escassez, racionamento de combustível e ruas vazias definem agora o cotidiano em Cuba.

Embora tenham sido a norma por décadas, essas dificuldades atingiram proporções catastróficas, à medida que a nação insular enfrenta sua pior crise energética e econômica desde a queda da União Soviética.

A infraestrutura energética de Cuba está entrando em colapso em meio a restrições às importações de petróleo de seu principal aliado, a Venezuela, juntamente com uma operação militar dos EUA que perturbou ainda mais a produção e o transporte marítimo da Venezuela.

Mercado de gás natural dos EUA protegido de choques de preços globais durante a guerra com o Irã

Com o principal fornecedor do país prejudicado, Havana está sem a energia necessária para manter sua rede elétrica estável, levando a apagões rotativos e escassez generalizada de tudo, desde medicamentos até alimentos.

A Casa Branca pretende pressionar a nação comunista a entrar em conversas e fazer concessões. Uma combinação de pressão indireta por meio do aumento de tarifas sobre os fornecedores de petróleo de Cuba e intervenção direta da Guarda Costeira dos EUA na região resultou em um bloqueio efetivo da ilha.

Um rebocador guia um petroleiro russo à medida que este chega ao terminal de petróleo no porto de Matanzas, Cuba, em 31 de março de 2026. O carregamento de 730.000 barris marcou a primeira importação de petróleo bruto de Cuba em três meses, enquanto a Casa Branca busca forçar a nação comunista a entrar em conversas e fazer concessões. (Yamil Lage/AFP via Getty Images)

Em fevereiro, os Estados Unidos abriram uma exceção importante: a venda direta de combustível a empresas privadas em Cuba. Os carregamentos são pequenos, no entanto, totalizando cerca de 30.000 barris até agora neste ano.

O governo Trump está dando alguns sinais de flexibilização da pressão, permitindo que um petroleiro com bandeira russa entregasse 730.000 barris de petróleo a Cuba em 31 de março — a primeira importação significativa de petróleo bruto da ilha em três meses. Considerando as necessidades diárias de Cuba de quase 80.000 barris por dia em 2025, o carregamento forneceu menos de 10 dias de abastecimento.

Dependência arriscada do petróleo importado

O petróleo importado é a força vital da infraestrutura energética de Cuba; as importações líquidas de petróleo bruto representavam quase 60% do abastecimento total do país em 2023, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE).

Por mais de 25 anos, essas importações vieram principalmente da Venezuela, sob um acordo bilateral baseado na troca de produtos e serviços em vez de pagamento em dinheiro.

Entre os fornecedores alternativos estão o México (25%), a Rússia (10%) e a Argélia (4%), de acordo com dados da S&P Global Commodities at Sea.

Os suprimentos de petróleo se tornaram uma forma de pressão enquanto o governo Trump busca levar a ilha governada por comunistas a negociações e concessões.

Mesmo antes do atual bloqueio, as importações da Venezuela e do México já estavam comprometidas pelas dificuldades desses países em manter a produção de combustível.

A outrora próspera indústria petrolífera da Venezuela foi paralisada por anos de má gestão e sanções, embora os Estados Unidos estejam agora trabalhando com o governo interino para reconstruir sua infraestrutura energética em ruínas.

A empresa estatal mexicana Pemex encerrou 2025 com seu nível de produção mais baixo em 46 anos, em meio a restrições operacionais e financeiras no setor petrolífero do país.

O presidente dos EUA, Donald Trump, assina uma proclamação na Cúpula Shield of the Americas no Trump National Doral, em Miami, em 7 de março de 2026.

Bloqueio energético

Agora, a política externa dos EUA está tornando ainda mais difícil para Cuba navegar nos mercados globais de energia.

Após a captura pelo EUA do líder venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, o presidente Donald Trump persuadiu a líder interina Delcy Rodríguez a interromper as exportações de petróleo e gás para Cuba.

Um pequeno carregamento de petróleo do México — 86.000 barris — chegou a Cuba em 9 de janeiro.

Mas o fluxo de petróleo bruto proveniente do México secou depois que Trump intensificou a pressão em 29 de janeiro com uma ordem executiva que impõe tarifas a qualquer país que “direta ou indiretamente forneça petróleo a Cuba”. Em 2 de fevereiro, Trump anunciou que o México cessaria os embarques de petróleo para Cuba.

Em 7 de março, Trump disse na cúpula do Escudo das Américas: “À medida que alcançamos uma transformação histórica na Venezuela, também aguardamos ansiosamente a grande mudança que em breve chegará a Cuba.

“Cuba está no fim da linha. ... Eles têm um regime ruim que vem sendo ruim há muito tempo. E costumavam receber dinheiro da Venezuela".

O líder cubano Miguel Díaz-Canel anunciou em 13 de março que o regime havia iniciado conversas com os Estados Unidos e, em 20 de abril, diplomatas americanos pisaram em solo cubano pela primeira vez desde 2016.

Alejandro García del Toro, vice-diretor-geral responsável pelos assuntos dos EUA no Ministério das Relações Exteriores de Cuba, afirmou que “a eliminação do embargo energético contra o país era uma prioridade máxima” para as reuniões.

Enquanto isso, em 28 de abril, os republicanos do Senado rejeitaram uma legislação democrata que acabaria com o bloqueio energético a Cuba sem a aprovação do Congresso.

Fontes de energia

Nas últimas duas décadas, Cuba tentou, de certa forma, imitar seus vizinhos Jamaica e República Dominicana, que conseguiram compensar suas necessidades de petróleo com carvão, gás natural e energias renováveis.

O regime de Castro lançou em 2005 uma “revolução energética” — introduzindo energia solar e eólica, reforçando o consumo de bioenergia e expandindo a geração distribuída — na tentativa de diversificar o portfólio energético do país.

No entanto, a liderança não conseguiu resolver problemas fundamentais, como a infraestrutura envelhecida da era soviética, o subinvestimento, a dependência de petróleo bruto subsidiado, a falta de financiamento para novas tecnologias e a ausência de planejamento e manutenção de longo prazo.

Em 2024, Cuba ainda dependia do petróleo para 87% de sua energia, superando a média da América Central e do Sul, de 54%, de acordo com uma análise da Reuters.

Para superar os obstáculos [de tempo e dinheiro], [Cuba] precisa descentralizar seu modelo econômico e resolver suas divergências políticas com os Estados Unidos.

Jorge Piñon, pesquisador sênior, Instituto de Energia da Universidade do Texas em Austin

A nação insular dedica mais de 80% de seu petróleo à geração de eletricidade, de acordo com dados de 2023 da AIE. Na verdade, as concessionárias de energia consomem mais do que o dobro do petróleo de todos os outros setores combinados, ressaltando a dependência de Cuba do petróleo.

A infraestrutura termoelétrica de Cuba, que utiliza petróleo com alto teor de enxofre, é “antiga, desgastada e altamente ineficiente”, afirmou Jorge Piñon, pesquisador sênior do Instituto de Energia da Universidade do Texas em Austin, em uma entrevista de 2023 ao Center for Engagement and Advocacy in the Americas (Centro de Engajamento e Defesa nas Américas, em tradução).

Para revitalizar seu sistema energético, Cuba “deve descentralizar seu modelo econômico e resolver suas divergências políticas com os Estados Unidos”.

“Cuba precisa abandonar seu modelo econômico falido de comando centralizado ao estilo soviético, baseado na propriedade estatal de todos os meios de produção e transformação industrial”, disse Piñon.

“O país deve adotar um sistema de economia de mercado no qual as decisões relativas a investimentos e produção sejam orientadas pelas forças de mercado da oferta e da demanda".

Mais de 1 milhão de pessoas fugiram de Cuba desde 2021. Analistas comparam o êxodo ao observado durante o Período Especial de 1994 — uma época de escassez de alimentos, falta de energia e destruição da agricultura após o colapso da União Soviética.

Pessoas esperam para encher seus recipientes de água durante um apagão nacional em Havana, em 22 de março de 2026. As autoridades cubanas se apressaram em 22 de março para restaurar a energia na ilha após o segundo apagão nacional em menos de uma semana, enquanto a rede elétrica enfrenta dificuldades devido a uma infraestrutura envelhecida e a um bloqueio petrolífero dos EUA. (Yamil Lage/AFP via Getty Images)

A Reuters contribuiu para esta reportagem.

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