• Kast vence eleição presidencial no Chile e devolve país à direita.

  • Israel anuncia morte de comandante sênior do Hamas.

  • Ativista pró-democracia de 78 anos é condenado em Hong Kong.

  • Grécia prende 5 suspeitos de traficar cocaína da Venezuela para Europa.

  • Exames confirmam hérnias iguinais em Bolsonaro.

Cristãos da Nigéria viram alvo diante da onda de violência jihadista ─ no Ponto ampliado.

E em Perspectiva: Grokipedia, Wikipedia e o futuro da busca pela verdade na internet

Brasil ─ Jair Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro passou no domingo por exames de ultrassonografia na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O laudo confirmou duas hérnias inguinais. A equipe médica recomendou cirurgia como tratamento definitivo, informou o advogado João Henrique de Freitas.

A autorização para o exame foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após pedido da defesa. Bolsonaro está preso desde 22 de novembro, cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado.

A perícia médica oficial da PF deve avaliar agora a urgência da cirurgia.

Venezuela ─ Tráfico de drogas

A polícia da Grécia prendeu cinco pessoas suspeitas de integrar uma rede internacional de tráfico, responsável por enviar cerca de sete toneladas de cocaína da Venezuela para a Europa em um barco de pesca operado por gregos.

As prisões ocorreram em diferentes regiões do país e contaram com apoio da Agência Antidrogas dos EUA. Entre os presos está o suposto líder da quadrilha.

O navio, que partiu de Tessalônica e foi interceptado pela Marinha Francesa. O dono da embarcação também é investigado.

Austrália ─ Antissemitismo

Um ataque a tiros durante um festival de Hanukkah em Bondi Beach, na Austrália, deixou 16 mortos e 42 feridos na manhã de domingo.

Dois homens armados abriram fogo contra uma multidão de mais de mil pessoas reunidas na praia. O atirador mais velho, Sajid Akram, de 50 anos, foi morto pela polícia; o filho, Naveed Akram, de 24, está sob custódia.

A polícia classificou o caso como atentado terrorista com motivação antissemita. Duas bandeiras do Estado Islâmico foram encontradas no carro usado pelos agressores.

Israel ─ contraterrorismo

Israel anunciou no sábado a morte de Raed Saed, comandante sênior do Hamas e um dos arquitetos dos ataques de 7 de outubro de 2023, em um bombardeio contra um carro na cidade de Gaza. Segundo Tel Aviv, a operação respondeu a um ataque do Hamas que feriu dois soldados israelenses.

Autoridades de Gaza afirmaram que cinco pessoas morreram e 25 ficaram feridas. O Hamas condenou o ataque, chamando-o de violação do cessar-fogo em vigor desde outubro, mas não confirmou a morte de Saed.

Israel o descreveu como responsável pela reconstrução da rede de produção de armas do Hamas.

Hong Kong ─ Repressão

O empresário e ativista pró-democracia Jimmy Lai, de 78 anos, foi condenado por conspiração para conspirar com forças estrangeiras, no julgamento mais importante sob a lei de segurança nacional imposta pela China. Ele pode pegar prisão perpétua.

Fundador do extinto jornal Apple Daily, Lai já cumpre cinco anos de prisão e enfrenta múltiplos processos desde os protestos de 2019. A sentença será anunciada após audiência em 12 de janeiro.

O governo de Hong Kong, pró-regime chinês, elogiou o veredicto.

O plano de 100 anos da China para dominar Taiwan

Que a China considera Taiwan - a ilha independente e democrática - parte de seu território, nós já sabemos. Mas por trás disso há um plano de 100 anos que visa colocar o Partido Comunista Chinês no centro do poder global.

  • Como o plano é longo, preparamos um documentário em 6 partes que você pode assistir agora mesmo na Epoch TV Brasil, a nossa plataforma de streaming.

Grokipedia, Wikipedia e o futuro da busca pela verdade na internet

Na foto de arquivo, o logotipo da "Wikipedia" aparece na tela de um tablet. Lionel Bonaventure/AFP via Getty Images

Walker Larson - Autor, The Epoch Times

Sob a fachada de informação democratizada e de código aberto, continuam existindo poderosos guardiões que buscam moldar a percepção pública de uma forma ou de outra.

Em 27 de outubro de 2025, Elon Musk lançou uma enciclopédia online gerada por inteligência artificial chamada Grokipedia, com o objetivo declarado de competir com a já consagrada Wikipedia.

A decisão de Musk de criar uma alternativa à Wikipedia surgiu do descontentamento de muitas pessoas com o que percebem como um viés ideológico à esquerda na plataforma. No entanto, a Grokipedia rapidamente passou a enfrentar acusações semelhantes — desta vez, de um viés que curiosamente se alinha às visões pessoais do próprio Musk.

Diversas questões prementes se cruzam nessa disputa pelo controle da informação: as guerras culturais contemporâneas, a polarização política, a dificuldade de determinar o que é verdadeiro no nevoeiro digital da internet, a persistência do viés humano e o fato de que, mesmo nesta chamada “era da informação”, guardiões continuam a influenciar e moldar o pensamento coletivo.

Enquanto esses dois colossos digitais — a inteligência artificial e a mente coletiva — trocam acusações mútuas de imprecisão, surge uma pergunta inevitável: qual é o futuro da verdade na era digital?

A questão de quem se tornará a “enciclopédia única que governará todas as outras” não é trivial. Há décadas, a Wikipedia figura entre os sites mais acessados do mundo e é a fonte mais utilizada de informação geral sobre praticamente qualquer tema imaginável. Isso significa que a Wikipedia — sobretudo por sua alegada neutralidade — moldou a visão de mundo de bilhões de pessoas mais do que quase qualquer outro recurso isolado.

Trata-se de um poder imenso. Se a Wikipedia continuará a exercê-lo ou se será substituída por outro titã ajudará a determinar, em grande medida, o estado do conhecimento humano e da opinião pública.

Nenhum dos possíveis “senhores da informação”, porém, parece plenamente confiável. Comecemos pela Wikipedia. Seu cofundador, Larry Sanger, que deixou o projeto em 2002, afirmou que a plataforma foi gradualmente dominada por editores anônimos que passaram a promover agendas ideológicas próprias, com o apoio de uma liderança cada vez mais inclinada à esquerda. “Os radicais tomaram conta. Eles foram incentivados a fazer isso, creio eu, pelas pessoas que essencialmente assumiram o controle do projeto”, disse Sanger recentemente ao podcast RealClearPolitics.

“Muito cedo entramos no radar de pessoas poderosas que tentavam controlar a narrativa”, afirmou. “Aos poucos, os parafusos foram sendo apertados, e o espectro de visões permitidas na plataforma se tornou cada vez mais estreito.”

Segundo Sanger, essa dinâmica levou ao banimento de veículos conservadores, declarados “fontes não confiáveis”, além de ataques explícitos à credibilidade desses meios em suas próprias páginas na Wikipedia. “A noção de neutralidade deles foi distorcida a ponto de se transformar em seu oposto”, disse.

Sanger defende que, para recuperar credibilidade e objetividade, a Wikipedia precisaria implementar nove reformas fundamentais, incluindo permitir artigos concorrentes sobre o mesmo tema a partir de perspectivas distintas, abolir listas negras de fontes, permitir que o público avalie os artigos e retornar a uma política genuína de neutralidade.

Ele também lançou o site Encyclosearch, que agrega conteúdo de 65 enciclopédias online diferentes, incluindo a própria Wikipedia. A ideia é que a diversidade de fontes permita uma compreensão mais equilibrada dos temas pesquisados — uma forma de contornar o monopólio informacional da Wikipedia.

Sanger afirmou ainda acreditar que a Grokipedia pode desafiar a hegemonia da Wikipedia. Ainda assim, a nova plataforma enfrenta críticas semelhantes, agora por suposto viés à direita. Musk declarou que a Grokipedia seria “uma melhoria massiva”, livre da propaganda e do viés da concorrente. Críticos, porém, discordam.

Mike Pearl, do Gizmodo, argumenta que a Grokipedia “transmite a impressão de um site em que temas e pessoas que Elon Musk apoia são apresentados sem qualquer enquadramento crítico, enquanto aqueles de quem ele não gosta recebem destaque negativo”. Outros acusam a plataforma de promover teorias da conspiração e levantam preocupações adicionais pelo fato de todo o conteúdo ser gerado por um modelo de linguagem de IA, sujeito a erros, inconsistências e “alucinações”.

O que tanto a Wikipedia quanto a Grokipedia revelam, em última instância, é que, por trás da promessa de informação aberta e democrática, permanecem estruturas de poder empenhadas em moldar a percepção pública. No caso da Wikipedia, trata-se de uma burocracia opaca e de um exército de editores anônimos; no caso da Grokipedia, de um bilionário excêntrico controlando os parâmetros de uma inteligência artificial. Em nenhum dos dois casos há transparência ou objetividade plena.

Guardadores do conhecimento, afinal, sempre existiram. Na Idade Média, a Igreja Católica mantinha um índice de livros proibidos, considerados perigosos para os fiéis. O que hoje seria visto como censura autoritária era então entendido como um dever moral. A diferença é que a autoridade da Igreja se baseava em uma reivindicação divina. Já Wikipedia e Grokipedia reivindicam objetividade com base em… exatamente o quê?

Cristãos da Nigéria viram alvo diante da onda de violência jihadista

Militares inspecionam armas e munições recuperadas dos jihadistas do Boko Haram, no estado de Yobe, nordeste da Nigéria.

Cristãos da Nigéria vivem sob uma maré crescente de violência jihadista, em um conflito que já deixou dezenas de milhares de mortos e milhões de deslocados — mas que por anos recebeu pouca atenção internacional, até o governo Trump ameaçar intervir, classificando os ataques como possíveis atos de “genocídio”.

Desde 2009, estimativas apontam entre 50 mil e mais de 100 mil civis mortos, enquanto a ONU calcula cerca de 350 mil mortes diretas e indiretas ligadas ao conflito. O país hoje ocupa o 6º lugar no Índice Global de Terrorismo 2025.

Eu carreguei os corpos dos meus próprios familiares e os enterrei.

 Nuhu Dauda, evangelista cristão nigeriano

A promessa da convivência e a realidade do terror

Nuhu Dauda cresceu em paz com vizinhos muçulmanos no chamado “Cinturão Médio” da Nigéria. Isso começou a mudar no início dos anos 2000, quando grupos radicalizados, minoritários mas fortemente armados, passaram a atacar vilarejos cristãos.

Em 2005, jihadistas cercaram sua casa, incendiaram o imóvel e mataram um jovem evangelista. Desde então, Dauda relata massacres contínuos, expulsões forçadas e assassinatos sistemáticos de cristãos.

O governo nigeriano nega perseguição religiosa, descrevendo a violência como um problema de segurança com “raízes socioeconômicas complexas”. Mas o padrão de ataques contra igrejas, pastores e comunidades cristãs aponta para algo mais específico.

A raiz do conflito: Boko Haram e a expansão jihadista

Analistas apontam o surgimento do Boko Haram, fundado em 2002, como o ponto de inflexão. O grupo iniciou uma insurgência armada em 2009 e defende uma interpretação extrema do Islã, considerando infiéis tanto cristãos quanto muçulmanos que não seguem sua doutrina.

Designado grupo terrorista pelos EUA desde 2013, o Boko Haram abriu caminho para uma proliferação de atores violentos: afiliados do ISIS, células da Al-Qaeda, dissidências jihadistas, bandos armados e milícias étnicas.

É uma campanha religiosa no sentido mais literal.

 Ebenezer Obadare, Council on Foreign Relations

Desde 2020, afiliados jihadistas se estabeleceram inclusive em regiões antes associadas apenas ao banditismo, transformando conflitos locais em parte de uma insurgência transnacional.

Dados que revelam deterioração acelerada

• A Nigéria é o 6º país mais afetado pelo terrorismo no mundo
• Milhões de pessoas deslocadas internamente
• Violência contra cristãos aumenta desde 2020, embora muçulmanos também sejam vítimas em números absolutos
• 79% das operações do ISIS em 2025 ocorreram na África
• O Sahel responde hoje por 51% de todas as mortes globais por terrorismo

Não há dúvida de que pessoas estão sendo mortas por razões religiosas.

 Ebenezer Obadare

Sequestros em massa e ataques explícitos

Em novembro, horas após autoridades americanas discutirem ajuda à Nigéria, homens armados sequestraram mais de 300 estudantes e 12 professores de uma escola católica — um dos piores episódios da história do país.

Somente naquela semana:
Uma igreja cristã foi atacada durante o culto
38 fiéis foram sequestrados
Dezenas de estudantes foram raptados
Vilarejos inteiros foram incendiados

Desde 2014, mais de 1.700 crianças foram sequestradas, muitas forçadas a lutar, casar com sequestradores ou vendidas como escravas sexuais.

Eles gritavam ‘Allahu Akbar’ e diziam: ‘Vamos matar cristãos.

 Sean Nelson, advogado, sobre ataque no Natal de 2023

Fulani militias e o debate ignorado

Grande parte da violência no Cinturão Médio envolve milícias Fulani. Organizações independentes atribuem a elas quase metade de todas as mortes civis entre 2019 e 2024 — mais do que Boko Haram e ISIS somados.

O governo descreve esses ataques como disputas por terra e recursos agravadas pelo clima. Mas grupos de monitoramento afirmam que o componente religioso é central e frequentemente omitido.

Apesar disso, muitos analistas alertam que o conflito não pode ser reduzido a uma guerra entre religiões: jihadistas exploram populações historicamente marginalizadas, radicalizando jovens e expandindo redes além das fronteiras nacionais.

Sharia, blasfêmia e impunidade

Doze estados do norte adotam leis penais islâmicas. Embora oficialmente aplicáveis apenas a muçulmanos, defensores de direitos humanos afirmam que essas leis alimentam linchamentos, execuções extrajudiciais e perseguição a cristãos.

A Nigéria é um dos poucos países do mundo com pena de morte por blasfêmia. Casos recentes envolvem vítimas espancadas, queimadas vivas ou mortas por multidões, frequentemente sem condenação dos responsáveis.

O Estado raramente condena publicamente esses crimes.

 Anistia Internacional

Conclusão

A violência na Nigéria não é um conflito isolado nem meramente local. Ela faz parte da expansão global do jihadismo, cujo novo epicentro é a África subsaariana.

Enquanto o governo insiste em explicações técnicas — clima, terra, pobreza — comunidades cristãs relatam ataques explícitos, seletivos e impunes, direcionados a igrejas, líderes religiosos e vilarejos inteiros.

O resultado é um país em que o terror se normalizou, fronteiras estão porosas, milícias se armam melhor que civis e a distinção entre insurgência, banditismo e extremismo religioso desaparece.

“Eles querem destruir o Estado moderno como o conhecemos.”, declarou Ebenezer Obadare. E, no meio desse colapso, milhões seguem vivendo — e morrendo — longe dos holofotes globais.

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