
Boa noite! Nesta segunda-feira, 05 de janeiro, trazemos para você:
Manifestações no Irã continuam há uma semana
Trump ameaça narcotraficantes da Colômbia
China pede detalhes sobre exposição de crédito à Venezuela
França define barreiras para produtos do agro brasileiro
A captura de Maduro e a nova doutrina americana contra líderes autoritários
Eu não me acomodei — eu me rendi
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Irã ─ Protestos

Houve novos confrontos em Teerã entre manifestantes e forças de segurança no domingo, em protestos iniciados há uma semana e notificados em 70 cidades.
As manifestações criticam o líder supremo Ali Khamenei e pedem alívio no custo de vida. Relatos citam tiros, prisões e policiamento reforçado. O balanço divulgado por organizações de direitos humanos fala em 15 manifestantes e 1 agente mortos.
Reza Pahlavi, opositor exilado e filho do último xá, os antigos governantes do Irã, pediu continuidade dos atos. O procurador-geral Mohammad Movahedi-Azad prometeu resposta dura contra protestos violentos.
EUA/Colômbia ─ Ameaças

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no domingo que a Colômbia é um “vizinho doente” que vende cocaína aos EUA e ameaçou o presidente Gustavo Petro.
Trump afirmou que os EUA podem operar contra fábricas de cocaína na Colômbia, inclusive através de ações militares. Ele afirmou que não vai tolerar países que alimentem o tráfico.
O governo colombiano condenou as falas de Trump e disse que sugerir ação militar é interferência indevida. A nota afirmou que Petro foi eleito e que atacar sua legitimidade viola a Carta da ONU.
China/Venezuela ─ Empréstimos

O principal regulador financeiro da China, a NFRA, pediu hoje a bancos públicos do país e outras instituições que informem a exposição de crédito à Venezuela, após a captura do presidente venezuelano pelos Estados Unidos.
A NFRA também orientou que os bancos reforcem o monitoramento de risco de todos os empréstimos ligados ao país, para medir possíveis perdas e impactos no sistema.
A medida ocorre porque, por anos, a China financiou a Venezuela em acordos de empréstimos pagos com petróleo, somando bilhões de dólares. No mesmo dia, a chancelaria chinesa pediu a libertação imediata de Nicolás Maduro.
França/América Latina ─ Comércio

O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu anunciou no domingo no X que a França vai barrar importações da América do Sul quando forem detectados resíduos de defensivos proibidos na União Europeia.
Ele citou mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim, e disse que a medida pode afetar abacate, manga, goiaba, cítricos, uva e maçã. Também afirmou que a fiscalização na fronteira será reforçada já.
O anúncio ocorre em meio ao impasse do acordo UE–Mercosul, criticado por França e Itália. Em carta aos agricultores, ele defendeu que produtos importados cumpram regras equivalentes e pediu que a UE amplie esse tipo de controle.
Japão ─ Economia

O presidente do Banco Central do Japão disse hoje que o banco seguirá subindo juros se economia e preços evoluírem como previsto.
Em dezembro, o banco elevou a taxa para 0,75% e sinalizou novos ajustes, após anos de juros quase zero, com inflação acima da meta de 2%.
Juros mais altos no Japão encarecem o iene que muitos investidores tomavam emprestado para investir fora. Se o custo sobe e o iene fortalece, menos moeda é emprestada e falta “financiamento barato” em mercados globais, afetando ações, títulos e países que dependem desse fluxo para manter sua economia.
Histórias e dramas reais de uma crise criada por narrativas ideológicas
Jovens corajosos rompem o silêncio, através de entrevistas e reconstituições, e trazem fatos e realidades sobre a transição de gênero possíveis apenas para quem viveu na própria pele essa situação. Cada uma de suas histórias é um relato poderoso de verdades não contadas.
Este é um documentário dramático que merece sua atenção e que está disponível na EpochTV Brasil, nossa plataforma de streaming.

Eu não me acomodei — eu me rendi


Mollie Engelhart ─ Autor, The Epoch Times
Eu estava no meu ateliê de costura na semana passada, embrulhando presentes e ouvindo um podcast. Dois homens conversavam sobre amigas de suas esposas — mulheres brilhantes, admiradas, realizadas, com casas lindas e carreiras extraordinárias, mas sem um marido para compartilhar a vida.
Então um deles disse algo que me atingiu com precisão desconfortável:
“Elas dizem que querem um marido, mas quando você fala em se casar com alguém mais baixo ou que ganha menos dinheiro, elas se recusam a fazer esses compromissos.”
Parei tudo, porque percebi: eu era uma dessas mulheres.
Doze anos atrás, aos 36, tive um momento de fraqueza em uma cozinha de restaurante barulhenta e engordurada que eu administrava. Meu casamento estava desmoronando. Após um confronto público com meu ex-marido, um jovem gerente de cozinha que trabalhava para mim me levou para casa. Eu estava vulnerável e sem clareza. Pedi segredo. Duas semanas depois, descobri que estava grávida.
O homem que eu estava prestes a tornar meu marido tinha 23 anos.
Soava loucura para todos — um funcionário jovem, que não falava inglês, indocumentado, e uma proprietária de restaurante, 13 anos mais velha, escolhendo o casamento por causa de uma promessa que eu havia feito a Deus anos antes: jamais escolher o aborto novamente.
Casei-me não porque tudo começou como romance, mas porque escolhi a vida. Foi um ato de fé radical, nascido não da perfeição, mas da honestidade sobre a solidão que existia em mim.
Doze anos depois, não vejo nosso começo como concessão. Vejo como o momento em que abandonei a crença de que o amor precisa chegar em um formato específico para ser legítimo. Construímos uma vida, uma família e um negócio juntos. Somos parceiros de verdade. O que permanece é simples: compartilhamos compromisso diário com algo maior do que nós.
Depois de ouvir aquele podcast, senti-me chamada a alertar outras mulheres para não repetirem o erro que quase cometi — o de se tornarem acidentalmente sem filhos porque uma lista de exigências roubou sua janela. Fiz um vídeo curto no Instagram contando minha história.
As respostas revelaram uma tensão profunda. Mulheres diziam:
“Queremos ouvir sua história de amor.”
“Queremos faíscas.”
“Não queremos sentir que você se acomodou.”
Elas queriam romance instantâneo como prova de devoção.
Nenhuma delas era casada.
Algumas nunca haviam sido. Outras estavam divorciadas, esperando que as faíscas voltassem. Todas rejeitavam o trabalho que poderia construir aquilo que diziam desejar.
Aqui está a verdade: paixão é poderosa, mas não é parceria. E parceria é o que dura.
Vendemos a nós mesmas o mito de que faíscas instantâneas equivalem a amor extraordinário. Historicamente, porém, o amor sempre foi construído sobre responsabilidade, trabalho e compromisso compartilhados. O amor construído lentamente ainda pode fazer você se sentir escolhida — não porque foi fácil, mas porque foi real.
Sua linhagem não continuou porque as condições eram perfeitas. Continuou porque alguém escolheu a família mesmo na incerteza. Não deixe essa história terminar por medo do julgamento ou por critérios equivocados.
Meça outras coisas: compromisso, integridade, parceria, capacidade de permanecer quando a vida fica imprevisível.
O maior presente não é o poder que você exerce sozinha, mas a vida que você constrói ao lado de um parceiro que escolhe a mesma família, o mesmo propósito e o mesmo compromisso.
Compartilho esta história não para diminuir o romance, mas porque a honestidade alcança onde a fantasia não alcança.
Convido mulheres a escolher algo diferente do que a cultura vende: vida acima de listas, propósito acima de fantasias, família acima do medo. Um amor que pode ser cultivado, escolhido e sustentado.
Não medir um homem pela altura, mas pelo coração.
Não pela renda, mas pela integridade.
Não pelas faíscas, mas pela capacidade de permanecer.
O mundo pode chamar isso do que quiser.
Deus chama isso de propósito.
Eu não confundi acomodação com rendição.
Eu me rendi a Deus — e recebi uma vida que um dia pensei ser impossível.
E essa é a história de amor que acredito estar disponível para outras mulheres também.

A captura de Maduro e a nova doutrina americana contra líderes autoritários

A captura de Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, em uma operação relâmpago ordenada por Donald Trump em 3 de janeiro, marcou uma ruptura histórica na forma como Washington lida com líderes autoritários considerados ameaças à sua segurança nacional — e enviou um recado direto não apenas à Venezuela, mas à China, à Rússia e a regimes alinhados contra os EUA.
Maduro e sua esposa foram detidos em Caracas e levados a Nova York para responder a acusações de narcoterrorismo, em uma ação que analistas descrevem como o passo mais explícito até agora da chamada “Doutrina Monroe reativada”, que funde política externa, segurança nacional e aplicação da lei.
“É um evento marco nas relações internacionais modernas.”
Soberania, legitimidade e a redefinição das regras
Segundo Tang, a operação reflete uma mudança deliberada: Washington deixou de tratar certos líderes como chefes de Estado intocáveis e passou a vê-los como atores criminosos transnacionais.
“Maduro perdeu sua legitimidade há muito tempo, por meio de fraude eleitoral e envolvimento direto com o tráfico de drogas que ameaçava a segurança dos EUA.”
Para a administração Trump, isso redefine o conceito de soberania. Líderes que se mantêm no poder por meios ilegítimos e conduzem atividades criminosas em larga escala deixam de gozar de proteção diplomática automática.
“Os Estados Unidos agora se veem não apenas com o direito, mas com a responsabilidade de agir como aplicador da lei internacional.”
Ecos do Panamá — mas em escala maior
Analistas comparam a captura de Maduro à prisão de Manuel Noriega, no Panamá, em 1989. Mas há diferenças cruciais.
“Esta operação é muito mais consequente.”
A Venezuela não é apenas um narco-Estado isolado. Ela está profundamente entrelaçada com interesses estratégicos da China e da Rússia, especialmente no setor energético.
“Oficialmente, a acusação é tráfico de drogas. Na prática, Washington estava preocupado com a exportação de petróleo ao PCC e com a presença chinesa e russa na região.”
Segundo Shen, a ação foi desenhada como execução cirúrgica, não como guerra: neutralizar indivíduos-chave, provocar colapso político e evitar uma ocupação prolongada.
Uma mensagem estratégica para o hemisfério e além
Para Su Tzu-yun, também pesquisador em defesa em Taiwan, a captura de Maduro precisa ser lida como parte de uma estratégia regional mais ampla.
“Cortar o narcotráfico é importante, mas o significado mais profundo é geopolítico: expulsar a influência chinesa e russa da América do Sul.”
O fato de Maduro ter sido entregue diretamente à custódia da DEA reforça essa leitura.
“Isso mostra que foi uma ação de responsabilização criminal, não uma invasão clássica.”
Decapitação do regime e guerra evitada
Especialistas militares destacam que a operação evitou deliberadamente um conflito prolongado.
“Ao capturar Maduro vivo, os EUA quebraram o regime em pedaços e evitaram uma guerra longa e custosa.”
Segundo Cao, a estratégia remove o pilar central de regimes personalistas: o líder supremo. Sem ele, elites racham, aliados fogem e a estrutura entra em colapso
“É um golpe psicológico direto contra Pequim e Moscou.”
Horas antes da captura, Maduro havia se reunido com representantes do Partido Comunista Chinês.
“A China tinha acabado de sinalizar apoio. Antes que qualquer ajuda chegasse, o regime caiu.”
O recado para a China e outros regimes
Para Pequim, o impacto foi imediato.
“A Venezuela é um fornecedor estratégico de energia. Ainda assim, China e Rússia não puderam fazer nada além de protestar verbalmente.”
Shen Ming-shih.
Analistas afirmam que a operação inaugura uma nova lógica de dissuasão.
“É uma estratégia de ‘capturar o líder primeiro’. Em regimes autoritários, tudo gira em torno de uma figura central.”
Mark Cao.
Uma vez removida, o sistema se desestabiliza rapidamente — e essa vulnerabilidade é bem conhecida tanto em Moscou quanto em Pequim.
Reações dentro da China: esperança e ansiedade
A notícia da captura circulou amplamente na China, gerando reações intensas, apesar da censura.
“Foi chocante. Mostra a capacidade de execução dos EUA: quando decidem agir, agem rápido.”
Segundo ele, o episódio é visto como parte de um efeito dominó envolvendo aliados históricos do PCCh.
“Esses são velhos amigos do Partido. Ver eles caírem um a um é uma boa notícia.”
Outro entrevistado, um funcionário do próprio regime chinês, descreveu a ação como inspiradora.
“Ninguém quer viver sob uma ditadura.”
Ele destacou o caráter cirúrgico da operação.
“Capturar o líder primeiro é um princípio clássico da estratégia chinesa.”
Insatisfação econômica e expectativa de mudança
Cidadãos comuns também reagiram.
“A Venezuela foi libertada — quando será a vez da China?”
Ele citou crescimento fraco, desemprego velado e custo de vida crescente como fatores de descontentamento generalizado.
“A raiva pública é real. As pessoas não apoiam mais o líder.”
Em resumo:
A captura de Nicolás Maduro não foi apenas uma ação contra um regime específico. Ela sinaliza uma redefinição radical da ordem internacional, na qual líderes autoritários envolvidos em crimes transnacionais deixam de ser intocáveis.
Ao fundir aplicação da lei, dissuasão estratégica e poder militar cirúrgico, Washington estabeleceu um precedente que ecoa muito além da Venezuela.
“Isso é uma reafirmação do poder americano por meio da aplicação da lei.”
Tang Jingyuan.






