Boa noite! Nesta quinta-feira, 18 de dezembro, trazemos para você:

  • Senado aprova projeto que pode reduzir pena de Bolsonaro.

  • A chinesa SpaceSail deve antecipar início das operações no Brasil.

  • Putin ameaça tomar mais territórios da Ucrânia.

  • Austrália promete reprimir “discurso de ódio” após ataque contra judeus.

  • EUA luta contra o tempo na disputa com a China, alerta general que passou 10 anos observando o regime.

  • Quem vigia os vigilantes chineses?

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Brasil ─ Senado

O Senado aprovou na quarta-feira, por 48 a 25, o projeto que pode reduzir a pena de 27 anos de Jair Bolsonaro para pouco mais de dois.

A proposta, aprovada pela Câmara na semana passada, vai a Lula, que pode sancionar ou vetar. O texto também reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, focando quem não foi líder nem financiador.

Bolsonaro começou a cumprir pena no mês passado, após ser condenado por tentativa de golpe após a eleição de 2022. Governo sinaliza veto e ação no STF.

Rússia/Ucrânia ─ Ameaças

Em Moscou, Vladimir Putin disse na quarta-feira que a Rússia pode tomar mais territórios na Ucrânia pela força se Kiev e os europeus não aceitarem a propostas dos EUA de paz.

Ele disse que as tropas russas avançam “em todas as frentes” e que o país atingirá seus objetivos por diplomacia ou armas.

Moscou diz controlar cerca de 19% da Ucrânia, incluindo a Crimeia, mas Kiev não reconhece anexações. O ministro Andrei Belousov afirmou que, em 2026, a meta é acelerar a ofensiva e manter o esforço de guerra em 2025.

Austrália Antissemitismo

Na Austrália, o premiê Anthony Albanese prometeu hoje reprimir o que chamou de “discurso de ódio” após o ataque a tiros a um evento judaico de Hanukkah na praia de Bondi.

A polícia afirma que os suspeitos, pai e filho, atiraram no domingo durante a celebração e apura inspiração do Estado Islâmico. 

O caso elevou o medo de antissemitismo e gerou críticas sobre a resposta do governo australiano desde a guerra em Gaza.

Brasil/China ─ Internet via satélite

O ministro Rui Costa disse na quarta-feira que a chinesa SpaceSail deve começar a oferecer internet via satélites no Brasil no 1º semestre de 2026. O início das operações que deveriam começar apenas no fim de 2026 foi antecipada.

A promessa é levar internet de alta velocidade, inclusive para escolas e postos de saúde, e ampliar opções ao consumidor. Hoje, esse mercado é dominado pela Starlink, que atende áreas remotas.

A China possui capacidades avançadas de espionagem e reconhecimento por satélite, o que tem gerado preocupações em diversos países, como os Estados Unidos e membros da OTAN.

EUA/Taiwan ─ Reforço militar

Os EUA aprovaram na quarta-feira a venda de US$ 11,1 bilhões em armas para Taiwan, o maior pacote já anunciado.

A proposta inclui oito itens, como HIMARS, obuses, mísseis Javelin e drones Altius, e entra na fase de notificação ao Congresso, que pode alterar ou barrar.

Taiwan disse que o pacote reforça sua estratégia de “guerra assimétrica” e a dissuasão, sob pressão militar chinesa quase diária. A China protestou e exigiu o fim das vendas. O Pentágono afirmou que o acordo atende aos interesses de segurança dos EUA e apoia a modernização da defesa taiwanesa.

Histórias e dramas reais de uma crise criada por narrativas ideológicas

Jovens corajosos rompem o silêncio, através de entrevistas e reconstituições, e trazem fatos e realidades sobre a transição de gênero possíveis apenas para quem viveu na própria pele essa situação. Cada uma de suas histórias é um relato poderoso de verdades não contadas.

  • Este é um documentário dramático que merece sua atenção e que está disponível na EpochTV Brasil, nossa plataforma de streaming.

Quem vigia os vigilantes chineses?

Um policial vigia ao lado de câmeras de vigilância enquanto pessoas tiram fotos na Praça Tiananmen, em Pequim, em 15 de julho de 2021. Foto AP/Ng Han Guan

Phil Gurski ─ Autor, The Epoch Times

O panóptico foi uma ideia do século XVIII do autor e teórico social britânico Jeremy Bentham, concebida como um dispositivo para monitorar grandes números de pessoas dentro de um espaço controlado. 

Originalmente projetado para uma prisão, ele criava uma atmosfera em que os detentos nunca sabiam quando estavam sendo observados por uma figura central. Essa incerteza, em teoria, levava os prisioneiros a agir como se estivessem sob vigilância constante, promovendo a “autorregulação”.

Hoje, existem formas mais eficientes de vigilância — e o próprio termo “panóptico”, derivado do grego, significa “aquele que tudo vê”. Aqui, falamos da internet e das redes sociais. Empresas que oferecem esses serviços, supostamente “gratuitos”, capturam hábitos de navegação, listas de contatos, publicações e posicionamentos políticos de seus usuários. 

Esses dados podem ser usados de maneira relativamente inofensiva, como na segmentação de publicidade, ou de forma mais sombria: para identificar indivíduos considerados desalinhados com aquilo que os governantes tentam impor às suas sociedades.

Um Estado com poder de tudo ver pode não apenas vigiar sua população, mas também localizar aqueles vistos como um “problema”. Dissidentes — ou simplesmente pessoas com opiniões diferentes — podem ser assediados, ameaçados, presos ou até mesmo feridos ou mortos por quem está no poder. Há exemplos demais disso nos últimos anos.

Não surpreende que regimes autocráticos estejam ansiosos para adquirir e usar essas ferramentas. Eles não toleram dissidência, oposição nem críticas ao governo. Sob essa perspectiva, uma tecnologia capaz de monitorar populações, identificar vozes dissonantes e encaminhar dados pessoais aos serviços de segurança do Estado é extremamente útil.

E o regime chinês está mais do que disposto a fornecê-la.

Em 2022, a República Popular da China lançou a “Iniciativa de Segurança Global”, descrita por Xi Jinping como um esforço para “manter a paz e a segurança mundial”, ao mesmo tempo em que sustenta a “não interferência em assuntos internos”. 

Todos conhecem, porém, a sensibilidade de Pequim a qualquer forma de “interferência”, especialmente diante do encarceramento de uigures, da eliminação da cultura tibetana, da perseguição ao Falun Gong e das ameaças constantes a Taiwan.

A RPC passou a oferecer treinamento policial e tecnologias de vigilância a outros países para garantir sua “estabilidade interna”. Entre os beneficiários estão Sérvia, Etiópia, Cazaquistão, Mianmar e Paquistão — dificilmente um grupo de democracias liberais. Embora essas tecnologias possam auxiliar no combate ao crime, também se mostram eficazes para controlar populações e manter regimes no poder indefinidamente.

Como observou a The Economist: “Para governos que pendem ao autoritarismo, a China é um facilitador — e uma inspiração.” Pequim não impõe exigências constrangedoras, como o respeito aos direitos humanos.

Tudo indica que essa estratégia faz parte de um esforço mais amplo para expandir a influência global chinesa. Xi Jinping já afirmou que pretende tornar a China o ator dominante do sistema internacional até 2049, sem demonstrar preocupação com regras como concorrência econômica justa ou padrões internacionais de direitos. 

Ao exportar seu modelo para países com desprezo semelhante por essas normas, Pequim amplia sua presença global e conquista aliados pouco propensos a condenar suas violações internas. Há relatos de que países beneficiários são incentivados a apoiar as reivindicações territoriais chinesas sobre Taiwan e áreas disputadas no Mar do Sul da China.

O que muitos desses clientes parecem ignorar é que o uso de tecnologia chinesa vem com amarras. Pequim tende a manter controle sobre os dados coletados e pode utilizá-los em benefício próprio. Para alguns regimes, esse pode parecer um preço pequeno a pagar pela capacidade de dominar e intimidar suas próprias populações.

Diante do histórico de duplicidade do Partido Comunista Chinês, é difícil compreender como qualquer país pode lidar com Pequim em praticamente qualquer área. Esperar-se-ia que a história recente levasse essas nações a reconsiderar tais relações. Mas, quando se trata de autocracias, talvez a explicação seja simples: semelhantes se atraem.

EUA luta contra o tempo na disputa com a China, alerta general que passou 10 anos observando o regime

O general aposentado Charles Flynn, ex-comandante do Exército dos EUA no Pacífico, em Washington, em 9 de dezembro de 2025. Madalina Kilroy/The Epoch Times

Para o general Charles Flynn, uma certeza define o século XXI: a relação entre os Estados Unidos e a China. Após uma década à frente das operações do Exército americano no Indo-Pacífico, ele afirma que o tempo se tornou o principal inimigo de Washington — e que a vantagem estratégica depende de agir agora, não depois.

Flynn se aposentou em novembro de 2024 como comandante-geral do U.S. Army Pacific, cargo que ocupou após anos focado no Oriente Médio. Quando assumiu sua primeira função no Pacífico, em 2014, ele admite que sabia tudo sobre Cabul e Bagdá — e quase nada sobre Pequim.

“Esse século vai ser definido pela relação entre os Estados Unidos e a China. Estamos a cerca de 10 anos da janela crítica de modernização militar chinesa. Não podemos esperar.”

General Charles Flynn

Da negligência à urgência estratégica

Quando Flynn chegou ao Indo-Pacífico, a preocupação com a China ainda não era consenso em Washington. Mas o alerta veio rápido. Ainda em 2014, após um briefing na Agência de Inteligência de Defesa, ele percebeu que precisaria “estudar muito” — e rápido.

Desde então, sua leitura se manteve consistente: o Partido Comunista Chinês segue uma estratégia incremental, paciente e deliberada para alcançar hegemonia regional com ambições globais.

O exemplo mais visível foi a construção de ilhas artificiais no Mar do Sul da China.

“Nós dissemos para não construírem ilhas. Construíram. Dissemos para não militarizar. Militarizaram. Dissemos para não posicionar forças. Fizeram mesmo assim.”

General Charles Flynn

Para Flynn, não se trata apenas de violação diplomática, mas de criação de terreno militar com objetivos claros.

“Estão tentando estrangular a superestrada do comércio global”, afirmou.

A região concentra rotas vitais de navegação, reservas de energia, recursos minerais e meios de subsistência para cerca de 125 milhões de pessoas. Qualquer interrupção ali tem impacto econômico global imediato.

Aliados atentos e desconfiados

Apesar do discurso oficial americano de que o Indo-Pacífico é prioridade, Flynn diz que muitos aliados não veem ações que sustentem essa promessa.

Em 2022, no mesmo dia em que Washington aprovou um pacote de US$ 33 bilhões para a Ucrânia, líderes militares do Sudeste Asiático questionaram abertamente o comprometimento dos EUA com a região.

“Eles perguntaram: ‘Vocês ainda vão estar aqui?’”, contou.

A preocupação, segundo Flynn, não era ideológica, mas estratégica: a percepção de abandono corrói a confiança — e sem confiança, a dissuasão falha.

Ele alerta que a história mostra o custo disso.

“Se a dissuasão falha em dois conflitos regionais e um terceiro começa, você tem uma guerra global nas mãos.”

General Charles Flynn

O calcanhar de Aquiles chinês

Segundo Flynn, o arsenal chinês foi projetado para neutralizar poder aéreo e naval americano, além de interferir em espaço e ciberespaço. Mas há uma lacuna crítica.

“Ele não foi desenhado para lidar com forças terrestres móveis, distribuídas e em rede.”

Isso tem implicações diretas para Taiwan.

“Você não invade Taiwan só com navios e aviões”, disse. “Quando o Exército chinês começa a se mover, aí sim há um problema real.”

Por isso, ele defende menos bases fixas e mais presença dinâmica: tropas rotativas, exercícios conjuntos e mais “rostos em mais lugares”.

A lógica do “ajudar quem se ajuda”

Flynn vê a atual estratégia de segurança nacional — que exige maior investimento dos aliados — como realista. Para ele, soberania exige compromisso financeiro.

Ele critica a visão dominante em Washington de que o Indo-Pacífico é apenas um teatro naval ou aéreo.

“Isso não é caridade. É investimento na própria defesa. É um teatro conjunto e multinacional, em todos os domínios — e a terra importa.”

General Charles Flynn

O argumento é pragmático: a maioria dos exércitos asiáticos é predominantemente terrestre. Índia, Vietnã, Indonésia, Tailândia e Filipinas têm forças armadas centradas no Exército — o que cria compatibilidade natural com os EUA.

Flynn passou anos tentando consolidar uma rede estratégica de poder terrestre na região e afirma que, no fim de seu comando, alguns países começaram a “dar passos mais ousados”.

Eles não querem depender totalmente dos EUA, diz ele — querem parceria, capacitação e confiança.

Cadeias de suprimento: o front invisível

Para Flynn, a competição com a China não se limita ao campo militar. Ela passa pela indústria, pela logística e pelas matérias-primas críticas.

Em uma visita a uma fábrica de ímãs usados em caças F-35, munições de precisão e supercomputadores, ele percebeu que os EUA controlam apenas parte final da cadeia produtiva.

“Se não recuperarmos o controle do início dessa cadeia, temos uma vulnerabilidade enorme.”

General Charles Flynn

A urgência é tripla: a China já demonstrou disposição para usar cadeias de suprimento como arma; a reindustrialização leva anos; e 60% da força de trabalho do setor comercial se aposentará até 2030.

Sua proposta passa por aproveitar veteranos militares, oferecendo formação técnica subsidiada e criando um novo pipeline industrial.

“A tecnologia pode ser avançada, mas ainda precisamos de pessoas — e da capacidade humana de inovar.”

General Charles Flynn

Em resumo:

Para Charles Flynn, o século XXI será decidido menos por discursos e mais por velocidade, coerência e credibilidade. A China avança de forma gradual, enquanto os Estados Unidos ainda lutam contra a lentidão institucional e a fragmentação estratégica.

A dissuasão, alerta ele, não é abstrata: depende da confiança dos aliados, da presença no terreno, do controle das cadeias produtivas e da capacidade de agir antes que a janela estratégica se feche.

“Não podemos permitir que nossa dissuasão seja questionada”, resume.

Porque, na visão de Flynn, quando ela falha — a história mostra — o custo nunca é regional.

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