Boa noite! Nesta sexta-feira, 19 de dezembro, trazemos para você:

  • China promete intensificar pressão contra Taiwan.

  • Japão reafirma promessa de não possuir armas nucleares.

  • Suspeito de tiroteio nos EUA é encontrado morto.

  • Russo é preso e acusado de espionagem para o Irã.

  • Como Taiwan passou de parceiro distante a prioridade estratégica dos EUA

  • A crise na educação dos Estados Unidos

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EUA ─ Suspeito encontrado

Autoridades anunciaram na quinta que Claudio Neves Valente, de 48 anos, suspeito do tiroteio na Universidade Brown, foi encontrado morto em Salem, New Hampshire, com ferimento autoinfligido.

A polícia afirma ter provas de que ele também matou, dois dias depois, o professor do MIT Nuno Loureiro em Massachusetts. Ele havia estudado na Universidade de Brown e foi colega de Loureiro em Portugal.

O ataque na Brown ocorreu em 13 de dezembro: dois estudantes morreram e nove ficaram feridos. Após cinco dias de buscas, investigadores acharam duas armas com o corpo, incluindo a que teria sido usada nos crimes.

Leste Asiático ─ Ameaças da China

O Ministério da Defesa da China disse hoje que o Exército vai intensificar treinamentos e adotar “medidas enérgicas” após os EUA aprovarem a venda de US$11,1 bilhões em armas a Taiwan.

Pequim afirmou ter feito “protestos veementes”, cobrou que Washington pare as vendas e não apoie “forças independentistas”. Também acusou líderes taiwaneses de gastar dinheiro público para enriquecer fabricantes americanos.

O pacote inclui sistemas HIMARS. Na quinta, Trump sancionou uma lei de defesa de quase US$ 1 trilhão, com US$ 1 bilhão para cooperação e treinos com Taiwan; Taipei elogiou a medida.

Japão Arma nuclear

Em Tóquio, o Japão reafirmou hoje a promessa de não possuir armas nucleares, após a imprensa relatar que um alto funcionário de segurança sugeriu que o país deveria adquiri-las para dissuadir agressores.

O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, disse que a política não mudou e evitou comentar o caso ou o destino do assessor, alvo de pedidos de demissão da oposição.

O debate cresce com dúvidas sobre a proteção dos EUA sob Donald Trump e com ameaças de China, Rússia e Coreia do Norte. O Partido Comunista Chines chamou a possível fala de “extremamente grave”.

Taiwan ─ Investigação de ataque

Um homem com uma faca matou três pessoas e feriu outras cinco após lançar bombas de fumaça hoje na estação central de Taipei em Taiwan, disse o premiê Cho Jung-tai.

Na fuga, durante perseguição policial, o assassino caiu de um prédio e morreu. A polícia informou que ele tinha antecedentes e mandados pendentes.

Cho afirmou que o suspeito, chamado apenas de Chang, portava itens parecidos com bombas incendiárias e usava máscara e algo como colete à prova de balas. O governo apura o motivo.

Israel ─ Espião russo

 Israel disse ter prendido e acusado um cidadão russo de espionagem para o Irã, segundo o serviço de segurança interna Shin Bet.

De acordo com a investigação, ele teria fotografado portos e outras infraestruturas israelenses sob orientação de agências iranianas e recebido pagamentos em moeda digital.

O caso ocorre em meio à escalada entre Israel e Irã: depois de ataques israelenses em junho, autoridades dizem ter prendido dezenas de suspeitos de colaborar com Teerã. Do outro lado, o Irã também é conhecido por executar pessoas acusadas de ajudar o serviço de inteligência israelense.

Histórias e dramas reais de uma crise criada por narrativas ideológicas

Jovens corajosos rompem o silêncio, através de entrevistas e reconstituições, e trazem fatos e realidades sobre a transição de gênero possíveis apenas para quem viveu na própria pele essa situação. Cada uma de suas histórias é um relato poderoso de verdades não contadas.

  • Este é um documentário dramático que merece sua atenção e que está disponível na EpochTV Brasil, nossa plataforma de streaming.

A crise na educação dos Estados Unidos

Alunos do ensino fundamental sentam-se ao redor de mesas lendo livros na biblioteca de uma escola primária nos EUA, por volta de 1975. FPG/Archive Photos/Getty Images

Stephen Moore ─ Autor, The Epoch Times

As notas de leitura e matemática são desastrosas em todo os Estados Unidos, como continuam a documentar os resultados de avaliações nacionais. As taxas de analfabetismo estão aumentando: o número de jovens de 16 a 24 anos que leem nos níveis mais baixos de alfabetização subiu de 16% em 2017 para 25% em 2023, segundo dados do Centro Nacional de Estatísticas Educacionais.

Em algumas escolas de áreas centrais das grandes cidades, menos da metade das crianças lê ou faz matemática com proficiência compatível com a série. Muitos formandos do ensino médio não conseguem ler seus próprios diplomas.

Como economista, eu diria que esta é a nossa maior crise. Ela coloca o futuro da prosperidade americana em grave perigo. Além disso, a lacuna educacional amplia as disparidades de renda e riqueza.

A solução aparente entre o establishment educacional não é desafiar as crianças a expandir a mente e estudar mais, mas sim simplificar o currículo para que todos passem. Eu chamo isso de solução do “fazer todo mundo ficar abaixo da média”.

Algumas escolas agora não exigem mais que os alunos das aulas de inglês leiam, do começo ao fim, os livros clássicos que os estudantes leem há décadas. Talvez os alunos não tenham capacidade de concentração. Talvez suas habilidades de leitura não estejam à altura. Talvez estejam ocupados demais enviando mensagens ou jogando videogame em seus celulares.

Um exemplo disso é o que aconteceu na Alice Deal Middle School, em Washington, D.C. Trata-se de uma das melhores escolas públicas da cidade, com taxas de proficiência em leitura de 80%, o dobro da média lastimável de 38% do Distrito de Columbia.

A Alice Deal decidiu remover todos os romances de extensão completa do currículo de inglês do oitavo ano. Os burocratas da educação por trás dessa estratégia afirmam que a mudança de livros completos para leituras em trechos preparará melhor os alunos para o ensino médio.

Hã? Como é melhor, para a proficiência em leitura e a aquisição de conhecimento, que um aluno leia trechos de “As Aventuras de Huckleberry Finn” ou “O Sol é para Todos”, mas não o livro inteiro? Alguém assistiria apenas a algumas cenas de um filme?

É quase como se a escola estivesse instruindo alunos de 13 anos a ler a versão em resumos do “A Letra Escarlate” ou de “Um Homem para a Eternidade”. Isso costumava ser considerado uma forma de trapaça. Mas agora são as escolas que estão trapaceando com as crianças.

Se for verdade que ler um romance completo agora é um esforço grande demais para um aluno do sexto, sétimo ou oitavo ano, Houston, temos um problema. Se não se pode esperar que alunos das melhores escolas públicas leiam um livro inteiro, é assustador pensar nos níveis de leitura das escolas ruins.

Nós resolvemos o problema do analfabetismo há quase 100 anos. Agora o problema voltou.

Este é mais um exemplo triste de submeter nossas crianças à tirania das baixas expectativas. É, infelizmente, um símbolo de tudo o que há de errado nas escolas administradas pelo governo.

Ironicamente, isso acontece em um momento em que estados pobres como Louisiana e Mississippi voltaram ao básico — como a boa e velha instrução fonética — e viram saltos milagrosos em suas pontuações de leitura. Eles agora superam estados azuis de renda mais alta.

Eleve o nível, não o abaixe. Nós podemos fazer isso. Todos nós lembramos com carinho de ler nossos livros favoritos — como “The Outsiders”. A alegria da leitura vem de ler um grande livro e aprender sua mensagem de vida.

As crianças agora estão sendo privadas dessa alegria.

Washington, D.C. colherá o analfabetismo que está semeando, e minha única esperança é que outras escolas não participem desse emburrecimento das crianças americanas.

Como Taiwan passou de parceiro distante a prioridade estratégica dos EUA

Guardas de honra taiwaneses seguram bandeiras de Taiwan durante um evento de portas abertas ao público no Porto de Keelung, Taiwan, em 17 de março de 2025. I-haw Cheng /AFP via Getty Images

Para Miles Yu, pesquisador sênior e diretor do Centro para a China do Hudson Institute e ex-conselheiro do então secretário de Estado Mike Pompeo, a virada estratégica dos Estados Unidos em direção à China — iniciada no primeiro governo Trump — transformou Taiwan de parceiro distante em prioridade central da segurança nacional americana. 

O que começou como correção de rota tornou-se consenso bipartidário: conter o Partido Comunista Chinês (PCCh) é hoje o eixo da grande estratégia dos EUA, e a defesa de Taiwan passou a ser questão de interesse próprio, não apenas de valores.

“Proteger Taiwan é um ato de altruísmo, mas também de autodefesa”.

Miles Yu, pesquisador sênior e diretor do Centro para a China do Hudson Institute

A maior mudança estratégica desde a Guerra Fria

Segundo Yu, os EUA passaram por apenas duas grandes reorientações estratégicas em 80 anos. A primeira ocorreu em 1947, quando Washington reorganizou todo o Estado — indústria, ciência, educação, defesa e inteligência — para enfrentar a expansão soviética, dando origem à arquitetura da Guerra Fria.

A segunda começou por volta de 2015 e se consolidou em 2017, quando o governo Trump publicou uma nova Estratégia de Segurança Nacional que identificou formalmente o PCCh como a principal ameaça estratégica dos Estados Unidos.

Foi uma ruptura clara: o foco saiu do Oriente Médio e da Rússia e migrou para o Indo-Pacífico.

Yu destaca os números por trás da decisão:

  • A economia chinesa é mais de dez vezes maior que a russa, sua modernização militar avança em ritmo muito superior

  • Washington concluiu que a Europa tem capacidade econômica para se defender — desde que invista mais.

Trump 2.0: menos ilusões, mais coerção

No segundo mandato de Trump, a postura em relação a Pequim se tornou ainda mais rígida. Yu afirma que hoje há consenso em Washington de que o PCCh é a ameaça número um, e que o novo time de segurança nacional é mais centralizado e alinhado ao presidente.

A principal mudança está no comércio. Após fracassos de acordos anteriores, Trump abandonou a crença em negociações com Pequim.

“Agora ele acredita em tarifas.”

O objetivo, segundo Yu, é forçar reciprocidade real e acesso a mercados. Países usados como rota de desvio de exportações chinesas — como Canadá, México e partes do Sudeste Asiático — passaram a enfrentar tarifas mais duras, numa tentativa de quebrar cadeias indiretas controladas por Pequim.

Dissuasão sem guerra imediata

Yu enfatiza que a estratégia americana não busca conflito militar direto, mas dissuasão de longo prazo. Isso inclui reforço da segurança interna, controle de fronteiras, combate ao tráfico de fentanil, expansão da defesa antimísseis e contenção da influência chinesa no Hemisfério Ocidental, inclusive em regimes alinhados a Pequim, como o de Nicolás Maduro.

Ao mesmo tempo, Washington passou a distribuir responsabilidades.

Os EUA deixam claro que ajudarão quem demonstra disposição de se defender. Polônia, Japão, Coreia do Sul e Israel são citados como modelos: países que investem pesado, integram suas forças e transformam indústria civil em capacidade militar rapidamente.

“O quanto os EUA ajudarão Taiwan depende do quanto Taiwan mostra que está disposta a se defender”.

Miles Yu

Taiwan: valor estratégico, não apenas moral

Yu faz distinção direta entre a política americana de “uma China” e o princípio chinês de “uma só China”. Washington não reconhece Taiwan como parte da República Popular da China e se opõe a qualquer mudança do status quo pela força.

A importância da ilha vai além da democracia. Taiwan é pilar da indústria global de semicondutores e peça-chave da segurança regional. Se cair, a Primeira Cadeia de Ilhas — fundamental para conter a projeção naval chinesa — fica comprometida.

Yu também desmonta a narrativa de Pequim de que Taiwan é assunto interno. A Resolução 2758 da ONU não definiu soberania, e o Tratado de São Francisco deixou o status final da ilha em aberto.

“Taiwan é uma questão internacional”, afirmou.

Armas, dinheiro e sinalização política

Essa mudança estratégica se materializa em números. Em dezembro, o governo Trump aprovou um pacote de armas de US$ 11,1 bilhões para Taiwan — o maior da história. Inclui sistemas HIMARS, obuses autopropulsados, drones de ataque, mísseis antitanque, softwares militares e modernização de armamentos existentes.

O Pentágono declarou que a venda atende aos interesses nacionais, econômicos e de segurança dos EUA e fortalece a dissuasão regional.

Paralelamente, Taiwan anunciou US$ 40 bilhões adicionais em gastos militares, com foco em defesa aérea e guerra assimétrica, e reafirmou o compromisso de elevar o orçamento de defesa acima de 3% do PIB.

Para autoridades taiwanesas, o pacote sinaliza uma parceria estratégica profunda baseada em “paz pela força”.

Pequim reagiu com acusações de “interferência em assuntos internos”, enquanto analistas militares afirmam que os novos sistemas são cruciais para destruir forças de desembarque chinesas em caso de invasão.

Em resumo:

A virada estratégica iniciada sob Trump redefiniu a lógica americana: Taiwan deixou de ser apenas símbolo democrático e passou a ser ativo central da segurança dos EUA.

A contenção da China agora se apoia em dissuasão coletiva, investimento doméstico e disposição dos aliados de lutar pela própria defesa.

Para Miles Yu, a mensagem é clara: não se trata de provocar guerra, mas de impedir que ela se torne inevitável.

Porque, no Indo-Pacífico, a queda de Taiwan não seria regional — seria sistêmica.

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