
Boa noite! Nesta segunda-feira, 22 de dezembro, trazemos para você:
Câmara cassa mandatos de Eduardo Bolsonaro e Ramagem
Congresso aprova Orçamento de 2026
Suíça avalia banir redes sociais para crianças
Governo Trump suspende projetos eólicos offshore
Lavouras no tabuleiro geopolítico: como o controle das sementes virou questão de segurança nacional
Chorar pela amada Europa?
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Brasil ─ Orçamento de 2026

O Congresso Nacional aprovou nesta sexta-feira (19) o parecer do relator Isnaldo Bulhões (MDB-AL) ao Projeto de Lei Orçamentária de 2026. O texto prevê despesas totais de R$ 6,5 trilhões e meta de superávit de R$ 34,2 bilhões, a ser cumprida com resultado entre déficit zero e superávit de até R$ 68,6 bilhões. O projeto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Do total, R$ 6,3 trilhões vão para os orçamentos fiscal e da seguridade social e R$ 197,9 bilhões para investimentos de estatais. O limite de gastos dos ministérios e demais Poderes ficou em R$ 2,4 trilhões. O relatório aponta que 28% do orçamento fiscal e da seguridade será destinado ao pagamento de juros da dívida pública, o equivalente a R$ 1,82 trilhão.
O salário mínimo em 2026 será de R$ 1.621, e o fundo eleitoral terá cerca de R$ 5 bilhões. O parecer reserva cerca de R$ 61 bilhões para emendas parlamentares, sendo R$ 37,8 bilhões impositivas.
Suíça ─ Redes sociais

A ministra do Interior da Suíça, Elisabeth Baume-Schneider, afirmou em 21 de dezembro que está aberta à criação de um banimento do uso de redes sociais por crianças, após a Austrália se tornar o primeiro país do mundo a adotar a medida. Segundo ela, o governo prepara um relatório e discutirá o tema no início do próximo ano.
Baume-Schneider disse que o debate já ocorre na Austrália e na União Europeia e deve ser levado à Suíça. Entre as opções estudadas estão a proibição direta do uso por menores e medidas contra algoritmos que exploram vulnerabilidades de jovens. Ela afirmou que as plataformas digitais também precisam assumir responsabilidade sobre o conteúdo consumido por crianças e adolescentes.
Uma pesquisa do instituto Sotomo, divulgada em maio, indica que 80% dos suíços apoiam a restrição para menores de 16 anos.
EUA ─ Projetos eólicos

O governo Trump suspendeu a construção de todos os cinco grandes projetos de energia eólica offshore em andamento nos Estados Unidos após o Pentágono apontar riscos à segurança nacional. Segundo o Departamento do Interior, turbinas eólicas podem interferir em sistemas militares de radar, gerando sinais falsos ou ocultando alvos reais.
A medida afeta projetos da GE Vernova, Orsted, Dominion Energy e Equinor, e prevê a suspensão temporária dos contratos para avaliação de possíveis formas de mitigação. O secretário do Interior, Doug Burgum, afirmou que os projetos são caros, dependem de subsídios e representam vulnerabilidades por estarem próximos a centros populacionais da costa leste.
Autoridades federais reconhecem que grandes turbinas podem causar “ruído” em radares, dificultando a detecção e o rastreamento de alvos, apesar de estudos em andamento para reduzir esses impactos.
Brasil ─ Eduardo Bolsonaro e Ramagem

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decidiu cassar os mandatos dos deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ). Os atos foram publicados nesta quinta-feira (18) em edição extra do Diário da Câmara dos Deputados e assinados pelo presidente da Casa, Hugo Motta, e demais integrantes da Mesa.
No caso de Alexandre Ramagem, a cassação decorre de decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento da intitulada tentativa de golpe de Estado. Ex-diretor da Abin no governo Bolsonaro, ele foi condenado a 16 anos de prisão. A Câmara informou que não foi comunicada sobre sua saída do país nem autorizou missão oficial no exterior.
Eduardo Bolsonaro teve o mandato cassado por faltas, após deixar de comparecer a mais de um terço das sessões deliberativas. Ele se licenciou em março ao ir para os Estados Unidos, não retornou ao Brasil após o fim da licença em julho e acumulou ausências não justificadas.
Rússia ─ General morto

O tenente-general Fanil Sarvarov, alto oficial do Exército russo, morreu em 22 de dezembro após a explosão de uma bomba colocada sob seu carro em uma rua de Moscou. A morte foi confirmada pelo Comitê de Investigação da Rússia, que abriu inquérito por homicídio e tráfico ilegal de explosivos.
Segundo as autoridades, investigadores apuram diferentes linhas de investigação, incluindo a possibilidade de envolvimento de serviços de segurança ucranianos. Sarvarov, de 56 anos, chefiava a Diretoria de Treinamento Operacional do Estado-Maior das Forças Armadas russas e havia sido condecorado por sua atuação militar.
O caso soma-se a outros ataques recentes contra membros do alto comando russo. Nos últimos meses, outros generais foram mortos em atentados semelhantes na região de Moscou.
Histórias e dramas reais de uma crise criada por narrativas ideológicas
Jovens corajosos rompem o silêncio, através de entrevistas e reconstituições, e trazem fatos e realidades sobre a transição de gênero possíveis apenas para quem viveu na própria pele essa situação. Cada uma de suas histórias é um relato poderoso de verdades não contadas.
Este é um documentário dramático que merece sua atenção e que está disponível na EpochTV Brasil, nossa plataforma de streaming.

Chorar pela amada Europa?

Alunos do ensino fundamental sentam-se ao redor de mesas lendo livros na biblioteca de uma escola primária nos EUA, por volta de 1975. FPG/Archive Photos/Getty Images

Victor Davis Hanson ─ Autor, The Epoch Times
Nada incomoda mais a elite europeia do que conservadores americanos elogiando os fundamentos europeus de sua civilização ocidental compartilhada — mas ameaçada. Os europeus ressentem-se especialmente de ver seu sistema de Estado de bem-estar social ser criticado por americanos considerados grosseiros e presunçosos.
A irritação aumenta diante da ideia de que os Estados Unidos poderiam oferecer conselhos construtivos ou ajudar a Europa a seguir qualquer aspecto do “modelo americano”.
Os americanos, por sua vez, temem que a Europa esteja não apenas estagnada, mas em declínio permanente, com consequências para todo o mundo ocidental. Apontam como sintomas a queda contínua da participação europeia no PIB mundial e a taxa de fecundidade de apenas 1,39, que garante uma população nativa menor, mais envelhecida e mais onerosa.
Mais de 10% da população europeia é hoje composta por estrangeiros — cerca de 45 milhões de pessoas. Diferentemente da América, a Europa não possui uma tradição robusta de assimilação no estilo do caldeirão cultural.
Ao contrário dos imigrantes americanos, majoritariamente oriundos de países cristãos, os imigrantes europeus vêm sobretudo do Oriente Médio e do Norte da África, são em grande parte islâmicos e cada vez mais antiocidentais. Muitos demonstram pouco desejo de se integrar a uma cultura que consideram decadente, embora não queiram deixá-la.
A Igreja cristã, pilar da civilização ocidental, nasceu na Europa. Ainda assim, em nenhum outro lugar o ateísmo, o agnosticismo e a hostilidade aberta à cristandade crescem com tanta força. A Europa, berço de uma tradição militar dinâmica, esteve até recentemente virtualmente desarmada, incapaz de proteger suas fronteiras ou interesses.
A hiper-regulamentação, a guerra contra os combustíveis fósseis e um generoso Estado de bem-estar social resultaram em baixa arrecadação e em dependentes excessivamente custosos.
Os americanos se atrevem a advertir a Europa porque as mesmas patologias — fronteiras abertas, imigração não assimilada, queda da fecundidade, fanatismo verde, déficits e dívida — também ameaçam os Estados Unidos. A diferença é que milhões de americanos tentam reagir antes que seja tarde demais.
Entre as ameaças apontadas está o fanatismo verde, que levou a Europa a ignorar seus próprios recursos energéticos e a desmontar usinas de carvão, nuclear e gás. O resultado foi energia cara, exportações menos competitivas e empobrecimento da classe média.
Enquanto isso, a China financia causas verdes no Ocidente, exporta equipamentos abaixo do custo e constrói usinas de carvão e nucleares em ritmo acelerado, garantindo energia barata.
Outras ameaças são os mandatos de diversidade, equidade e inclusão (DEI), que priorizam afinidades tribais em detrimento de valores nacionais compartilhados, minam a meritocracia, inflam tensões e elevam custos administrativos.
Os Estados Unidos alertam ainda que apenas cortes em benefícios insustentáveis permitirão à Europa reconstruir forças armadas capazes de dissuadir a Rússia, proteger rotas estratégicas e combater o terrorismo.
Se a Europa rejeitar o diagnóstico americano, a América pode concluir que não pode continuar protegendo fronteiras europeias enquanto luta para garantir as próprias.
Soma-se a isso a duplicidade europeia: a União Europeia ataca os EUA em cultura, energia e comércio, enquanto os mesmos países, via OTAN, elogiam a liderança militar americana e pedem sua proteção.
Essa postura de hostilidade cultural combinada com dependência militar não é sustentável. Existe solução? Talvez. A Europa caminha para mais socialismo, censura, globalismo, pacifismo, multiculturalismo, ateísmo e ambientalismo radical. Os Estados Unidos seguem uma contrarrevolução em direção a menos governo, menos regulações, mais energia fóssil, forças armadas mais fortes, menos DEI, fronteiras mais seguras e fé renovada.
Apenas uma dessas soluções resolverá a crise da civilização ocidental. Esperemos que o remédio eficaz seja adotado por ambas.

Lavouras no tabuleiro geopolítico: como o controle das sementes virou questão de segurança nacional

Para agricultores, analistas de segurança nacional e legisladores, a concentração corporativa no controle das sementes agrícolas transformou-se em um dos pontos mais sensíveis — e menos discutidos — da segurança alimentar dos Estados Unidos.
O que antes era um mercado fragmentado, com milhares de fornecedores independentes, hoje está concentrado em apenas quatro gigantes globais: Bayer, Corteva, Syngenta Group e BASF.
Juntas, essas empresas controlam entre 50% e 60% do fornecimento mundial de sementes. Nos Estados Unidos, Bayer e Corteva responderam por mais da metade das vendas de sementes de milho, soja e algodão entre 2018 e 2020, segundo o USDA. Trata-se do primeiro elo da cadeia alimentar americana — e, cada vez mais, de um gargalo estratégico.
De propriedade à licença: a mudança silenciosa no campo
Para muitos agricultores, comprar sementes deixou de significar propriedade. Hoje, o modelo dominante é o de licenciamento: sementes patenteadas com pacotes genéticos e químicos atrelados, proibidas de serem guardadas, replantadas ou cruzadas sem autorização corporativa.
Esse sistema redefine a relação entre produtor e fornecedor. O agricultor deixa de ser decisor e passa a operar dentro de contratos rígidos, que regulam desde o uso das sementes até a integração de tecnologias no manejo da lavoura.
Ao mesmo tempo, programas públicos e independentes de melhoramento genético encolheram ao longo das últimas décadas, concentrando pesquisa, inovação e desenvolvimento quase exclusivamente nas mãos das grandes corporações.
Sementes como questão de segurança nacional
Essa concentração levou o governo dos EUA a tratar formalmente a agricultura como tema de segurança nacional. Em julho, o USDA lançou o National Farm Security Action Plan, que identifica a cadeia agrícola como vulnerável a interferências externas, sabotagem econômica e riscos geopolíticos.
O plano prevê endurecimento de controles de importação, proteção de pesquisas financiadas com recursos públicos contra influência estrangeira e bloqueio de colaborações com países considerados adversários.
Um ponto sensível destacado pela Casa Branca é a propriedade estrangeira. Entre as quatro gigantes, apenas a Corteva tem sede nos Estados Unidos. A Syngenta Group pertence à estatal chinesa ChemChina — fator que ampliou o debate sobre soberania alimentar.
“Quando você controla a semente, você controla a comida”, resumiu Peter Navarro, conselheiro comercial da Casa Branca, ao alertar que Pequim passou a deter uma peça-chave do sistema alimentar global.
Concentração, eficiência — e fragilidade sistêmica
Especialistas em risco e segurança alertam que a consolidação não é apenas um problema concorrencial, mas estrutural. Quando poucas empresas controlam a base genética de culturas como milho e soja — que sustentam alimentos, ração animal, biocombustíveis, insumos industriais e exportações — a resiliência do sistema diminui.
Uniformidade genética aumenta eficiência, mas também amplia vulnerabilidades: pragas, falhas tecnológicas, ataques cibernéticos, interrupções logísticas ou tensões geopolíticas podem gerar efeitos em cascata.
Além disso, grande parte das cadeias de pesquisa e produção é globalizada, sujeita a sanções, controles tecnológicos e disputas entre Estados.
Impacto direto sobre os agricultores
No campo, o efeito é sentido no bolso e na autonomia. Dados do USDA mostram que, entre 1990 e 2020, os preços médios das sementes subiram 270%, enquanto os preços das commodities agrícolas cresceram apenas 56%. Para culturas dominadas por sementes geneticamente modificadas — mais de 90% do milho, algodão e soja — o aumento chegou a 463%.
Embora parte dessa alta acompanhe a inflação geral, agricultores e organizações rurais afirmam que o poder de mercado das grandes empresas pesa decisivamente.
Além disso, como essas companhias também são grandes fabricantes de defensivos químicos, sementes e insumos frequentemente são vendidos em pacotes fechados, reduzindo alternativas técnicas e regionais.
Para agricultores como Joe Maxwell, produtor rural e cofundador do Farm Action Fund, o problema vai além do preço: há perda de capacidade de decisão, escassez de pesquisa voltada a climas locais e pouco avanço em sementes resistentes a eventos extremos — justamente quando secas e enchentes se intensificam.
Diversidade em declínio, dependência em alta
A preocupação com a diversidade agrícola antecede o debate sobre organismos geneticamente modificados. Segundo a FAO, cerca de 75% da diversidade de cultivos foi perdida ao longo do século XX, à medida que variedades locais foram substituídas por tipos uniformes e de alto rendimento.
Os OGMs elevaram a produtividade — estudos apontam ganhos de até 25% no milho — mas também reforçaram a dependência de poucas linhagens genéticas controladas por poucas empresas.
Hoje, até 70% das sementes de hortaliças também estão sob controle dessas quatro corporações, ampliando o alcance da concentração.
Um raro consenso político
O tema rompe divisões partidárias. No Senado, o republicano Chuck Grassley alertou que agricultores muitas vezes não têm escolha real ao comprar insumos básicos. O democrata Cory Booker foi ainda mais direto, descrevendo o setor como um caso de “captura corporativa do primeiro elo da cadeia alimentar”.
Ambos convergem em um ponto: quando o controle da semente se concentra, o poder sobre a comida — e sobre quem a produz — também se concentra.
Em resumo:
A consolidação do mercado de sementes elevou a produtividade agrícola americana, mas ao custo de diversidade, autonomia do produtor e resiliência sistêmica. O que antes era apenas uma questão de concorrência passou a ser tratado como vulnerabilidade estratégica.
Num mundo de tensões geopolíticas, cadeias globais instáveis e clima imprevisível, quem controla a semente controla mais do que a lavoura. Controla o ponto de partida da segurança alimentar — e, cada vez mais, da segurança nacional.






