
Boa noite! Nesta terça-feira, 23 de dezembro, trazemos para você:
Trump afirma que a Groelândia é necessária para os EUA
China cobra desarmamento nuclear americano
Lula tenta se aproximar de evangélicos
Cirurgia de Bolsonaro é autorizada pelo STF
Como sindicatos chineses relacionados com o PCCh tomaram o controle do mercado negro de maconha nos EUA
Uma suposição perigosa na política
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Brasil ─ Cirurgia de Bolsonaro

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, autorizou hoje o ex-presidente Jair Bolsonaro a fazer cirurgia de hérnia na quinta-feira, 25 de dezembro.
Os advogados de Bolsonaro pediram na segunda internação no hospital DF Star para exames na quarta e a cirurgia no dia seguinte; Moraes já havia autorizado a saída temporária da prisão.
Jair Bolsonaro cancelou hoje uma entrevista ao Metrópoles por motivos de saúde, apesar de autorização judicial. Flávio Bolsonaro disse no mesmo dia que o pai alterna dias melhores e piores.
Brasil ─ Estratégia política

O presidente Lula assinou hoje, no Palácio do Planalto, um decreto que reconhece a música gospel como patrimônio cultural brasileiro. A cerimônia começou às 11h, em Brasília, com presença de cantores, lideranças evangélicas e políticos.
Lula afirmou que atendeu ao pedido da senadora Eliziane Gama (PSD-MA) e que a decisão valoriza o público evangélico. Lula disse também hoje que o governo não deve ter religião nem lado e elogiou Janja por dialogar com mulheres evangélicas.
A última pesquisa PoderData de 27 a 29 de setembro indicou 66% de desaprovação entre evangélicos.
EUA ─ Groelândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira em Palm Beach, que os EUA precisam da Groenlândia por segurança nacional, citando navios russos e chineses na região.
Donald Trump nomeou no domingo, 21 de dezembro, o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para a Groenlândia, e a decisão provocou críticas da Dinamarca e do governo groenlandês.
Jeff Landry declarou no domingo, após a indicação, que apoia a ideia de anexação, disse que atuará de forma voluntária e afirmou que a missão não interfere em seu mandato, iniciado em janeiro de 2024.
China ─ Cobrança aos EUA

A China cobrou hoje que os Estados Unidos assumam “responsabilidade prioritária” pelo desarmamento nuclear, segundo o porta-voz Lin Jian.
A reação veio após um rascunho do Pentágono, visto pela Reuters, dizer que Pequim provavelmente carregou mais de 100 mísseis intercontinentais DF-31 em três campos de silos perto da fronteira com a Mongólia e que não demonstra interesse em negociações de controle de armas.
Lin afirmou não conhecer o relatório, acusou Washington de exagerar para justificar modernização do próprio arsenal e reiterou a política chinesa de “não usar primeiro”.
Austrália/Israel ─ Apaziguamento

O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, afirmou hoje que conversou com o presidente de Israel, Isaac Herzog, após o ataque ao evento judaico de Chanukah em Bondi Beach, ocorrido na semana passada.
Albanese disse ter manifestado choque e tristeza pelo episódio e aproveitou a ligação para convidar Herzog a visitar a Austrália.
Segundo Albanese, Herzog aceitou o convite e lembrou que também recebeu um pedido formal do presidente da Federação Sionista da Austrália. O líder israelense afirmou que pretende ir ao país, e o anúncio foi feito em uma postagem de Albanese na rede X.
Histórias e dramas reais de uma crise criada por narrativas ideológicas
Jovens corajosos rompem o silêncio, através de entrevistas e reconstituições, e trazem fatos e realidades sobre a transição de gênero possíveis apenas para quem viveu na própria pele essa situação. Cada uma de suas histórias é um relato poderoso de verdades não contadas.
Este é um documentário dramático que merece sua atenção e que está disponível na EpochTV Brasil, nossa plataforma de streaming.

Uma suposição perigosa na política

Pessoas se abraçam em um memorial de flores colocado em frente ao Bondi Pavilion, na praia de Bondi, em Sydney, em 15 de dezembro de 2025, um dia após dois homens armados abrirem fogo durante uma celebração de Hanukkah. Foto AP/Mark Baker

Ben Shapiro ─ Autor, The Epoch Times
Um dos erros mais persistentes da política moderna é a insistência em achatar todas as ideologias — fingindo que todos os seres humanos pensam da mesma forma, querem as mesmas coisas e são movidos pelas mesmas forças. Sempre que formuladores de políticas caem nessa armadilha, o resultado não é compaixão nem clareza, mas políticas públicas desastrosas.
Essa suposição costuma começar com uma premissa reconfortante, porém falsa: a de que todas as pessoas abrigam o mesmo anseio por liberdade, da mesma maneira. Essa crença orientou grande parte da política externa do governo George W. Bush, quando o presidente declarou que a missão dos Estados Unidos era acabar com a tirania no planeta.
Por mais nobre que soasse, essa ideia nunca foi sustentável, pois presumia que todas as sociedades compartilham os valores e instintos políticos americanos. A história mostrou o contrário.
O mesmo impulso de nivelamento surge sempre que a violência é discutida. Em vez de examinar causas específicas — quem cometeu o ato, por que o fez e quais ideias o justificaram — muitos comentaristas recorrem a generalidades vagas. Violência é ruim, dizem. Todas as pessoas sabem disso. E, com isso, a análise termina.
Encerrar a investigação nesse ponto, porém, garante que soluções reais nunca comecem.
Quando formuladores de políticas e líderes culturais se recusam a reconhecer que algumas ideias são piores do que outras e que certos arcabouços ideológicos são mais propensos à violência, ignoram um dos principais motores do comportamento humano.
O resultado é uma política pública cega, que trata coisas diferentes como se fossem idênticas e aplica soluções indiscriminadas — muitas vezes injustas.
Um exemplo recente veio do programa The View. Ao comentar um ataque a tiros em Bondi Beach, em Sydney, que teve judeus como alvo e foi cometido por islamistas, a coapresentadora Sunny Hostin lamentou uma suposta disseminação global de “doença e ódio”. Ela agrupou esse ataque com um tiroteio não relacionado na Universidade Brown, perguntando por que esse tipo de violência parecia estar acontecendo em toda parte.
No nível da indignação moral, a reação é compreensível. No nível da análise, é infantil.
Grupos ideológicos diferentes cometem tipos diferentes de crimes. Alguns promovem a paz. Alguns quase não cometem crimes. Outros endossam explicitamente o terror e a violência em massa.
O islamismo radical se enquadra nessa última categoria. Reduzir um ataque antissemita motivado por ideologia a apenas mais um episódio de “violência” genérica, ou focar apenas no instrumento utilizado, apaga os fatores que poderiam ajudar a prevenir o próximo ataque.
O motivo importa. A ideologia importa.
Em Sydney, o motivo ideológico era claro, e essa clareza aponta respostas igualmente claras: limitar a entrada de indivíduos radicalizados, monitorar instituições extremistas, reforçar a segurança e recusar legitimidade a argumentos islamistas radicais. Essas medidas lidam com um problema específico enraizado em um sistema específico de crenças.
Nada disso é possível quando cada incidente é nivelado e rotulado apenas como “violência armada”. A abstração torna-se uma desculpa conveniente para a inação.
Essa divisão — entre os que veem as ideias como motores centrais do comportamento humano e os que não veem — marca boa parte do conflito entre a Direita tradicional e a Esquerda. O pensamento conservador clássico sustenta que os seres humanos são moldados pelas ideias que abraçam e que a natureza humana é profundamente falha.
Esse entendimento está na fundação americana. No Federalist No. 51, James Madison observou que, se os homens fossem anjos, nenhum governo seria necessário. O sistema constitucional parte da premissa oposta: a de que seres humanos são imperfeitos e devem ser governados de acordo com essa realidade.
Aceitar isso permite políticas mais honestas. Ideologias perigosas podem ser nomeadas e combatidas. Recusar-se a fazê-lo não torna a sociedade mais humana — apenas garante políticas públicas ruins e, muitas vezes, muito estúpidas.

Como sindicatos chineses relacionados com o PCCh tomaram o controle do mercado negro de maconha nos EUA

Sindicatos criminosos chineses tomaram o controle do mercado ilegal de maconha nos Estados Unidos, transformando o que deveria ser um experimento regulatório em um negócio transnacional avaliado em centenas de bilhões de dólares — com indícios crescentes de conexões com o Partido Comunista Chinês (PCCh), exploração de trabalho humano e riscos diretos à segurança nacional americana.
Estimativas de autoridades federais indicam que grupos chineses controlam hoje cerca de 75% do mercado negro de maconha nos EUA, em uma indústria clandestina que movimenta até US$ 300 bilhões por ano e opera à sombra da legalização em dezenas de estados.
“Isso não é só droga para consumo interno. É exportação global.”
Da promessa da legalização ao domínio do crime organizado
Quando estados como Califórnia, Colorado e Oklahoma legalizaram o cultivo medicinal e recreativo da maconha, a promessa era clara: enfraquecer o crime organizado, arrecadar impostos e substituir o mercado ilegal por um sistema regulado.
O efeito foi o oposto.
Segundo autoridades federais e estaduais, a legalização criou um ambiente ideal para operações criminosas se esconderem entre produtores legais, aproveitando leis brandas, fiscalização reduzida e queda drástica no esforço policial.
“Eles aprenderam a se parecer com negócios legítimos. A regra número um é ‘pareça legal’.”
Durante anos, cartéis mexicanos dominaram o tráfico de maconha nos EUA, sobretudo via fronteira sul. Hoje, especialistas afirmam que esse controle mudou de mãos — silenciosamente.
“Em algum momento, o controle simplesmente passou dos cartéis mexicanos para grupos ligados ao PCCh.”
O enigma da convivência criminosa
Um dos aspectos mais intrigantes dessa transformação é a ausência de guerra entre cartéis mexicanos e sindicatos chineses — algo incomum no submundo do crime organizado.
“Por que não vemos violência entre eles? Normalmente é hispânico contra hispânico, chinês contra chinês.”
A explicação mais aceita entre investigadores é uma aliança estratégica: sindicatos chineses passaram a oferecer serviços de lavagem de dinheiro baratos, rápidos e eficientes para cartéis latino-americanos — assumindo o papel de “back office financeiro” do narcotráfico.
“O PCCh hoje faz a maior parte da lavagem de dinheiro para cartéis mexicanos.”
Segundo o Tesouro americano, organizações chinesas de lavagem de dinheiro se tornaram atores centrais do crime financeiro global, usando aplicativos como WeChat e criptomoedas para movimentar recursos fora do alcance das autoridades.
Oklahoma: laboratório do caos
Poucos lugares ilustram melhor esse fenômeno do que o estado de Oklahoma.
Após legalizar a maconha medicinal em 2018, Oklahoma oferecia:
• terras baratas
• licenças acessíveis
• pouca fiscalização
• e permaneceu “aberto” durante a pandemia
O resultado foi explosivo.
Entre 2019 e 2022, o número de fazendas de maconha saltou de 2.000 para mais de 8.400. Investigações posteriores revelaram que até 85% das operações ilegais no pico tinham ligações com o crime organizado chinês.
“Foi a tempestade perfeita.”
Auditorias mostraram que, em um único ano, 87 milhões de libras de maconha foram cultivadas, mas apenas 1,9 milhão foram vendidas legalmente.
Mais de 85 milhões de libras simplesmente desapareceram — destinadas ao mercado negro.
Exploração humana e tráfico de pessoas
Por trás da logística eficiente, existe um custo humano brutal.
Autoridades encontraram imigrantes ilegais vivendo em barracos improvisados, trailers degradados e acampamentos insalubres, muitos sob coerção, dívida ou ameaça direta a familiares na China.
“Eles tratam seres humanos como lixo.”
Testemunhos indicam trabalho forçado, retenção de documentos, jornadas exaustivas e medo constante de represálias transnacionais — um padrão típico de redes criminosas com alcance internacional.
Dinheiro, armas e infraestrutura crítica
O problema vai além das drogas.
Autoridades de Oklahoma relataram que algumas plantações ilegais estavam localizadas próximas a bases militares, oleodutos e infraestrutura crítica.
“É minha convicção que o PCCh mantém acesso a esses locais.”
Investigadores também documentaram transferências financeiras para o Bank of China e conexões com empresas ligadas ao regime chinês — indícios que, embora muitas vezes classificados, reforçam preocupações de segurança nacional.
“Num país tão vigiado quanto a China, é difícil acreditar que o PCCh não saiba.”
Violência aberta: quando o disfarce falha
Embora a regra seja “não chamar atenção”, o verniz de legalidade às vezes se rompe de forma brutal.
Em 2022, Chen Wu, ligado ao crime organizado chinês, foi cobrar US$ 300 mil de uma plantação ilegal em Oklahoma. Ao não receber o dinheiro, executou quatro trabalhadores a tiros e feriu um quinto.
“Ele disse que seria morto pela máfia se voltasse.”
Wu foi condenado à prisão perpétua em 2024. O caso expôs o nível de violência latente por trás dessas operações “legais”.
RICO, inação e o custo político
Especialistas afirmam que o governo federal possui instrumentos legais suficientes, como a lei RICO — criada para derrubar a máfia italiana — para desmontar essas redes.
“O problema não é falta de ferramentas. É falta de vontade.”
Promotores frequentemente evitam casos ligados à maconha por receio político, enquanto o mercado ilegal esmaga produtores legais, que pagam impostos e cumprem regras.
“Na Califórnia, o mercado negro simplesmente atropelou o legal.”
Em resumo:
O mercado ilegal de maconha nos Estados Unidos deixou de ser um subproduto da proibição. Ele se tornou um sistema criminoso sofisticado, transnacional, integrado a redes de lavagem de dinheiro, exploração humana e possivelmente à estratégia de influência do PCCh.
A legalização, longe de eliminar o crime, ofereceu cobertura perfeita para que ele se expandisse “à vista de todos”.
O resultado é um Estado enfraquecido, comunidades exploradas, produtores legais sufocados — e uma economia paralela que cresce, armada, silenciosa e cada vez mais difícil de desmontar.






