O presidente americano Donald Trump (à esquerda) caminha para embarcar no Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, em 16 de janeiro de 2026. (Anna Moneymaker/Getty Images)

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

ZURIQUE — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viajou para a Suíça no dia 20 de janeiro para participar do 56º Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) na vila alpina de Davos, em um momento de tensões geopolíticas intensificadas entre os Estados Unidos e vários países europeus devido aos seus esforços para adquirir a Groenlândia.

Esta será a terceira visita de Trump a Davos como presidente.

Ele deve fazer um discurso e se reunir com líderes estrangeiros e empresariais durante a reunião anual do WEF, que acontecerá de 19 a 23 de janeiro.

O encontro deste ano, com o tema “Um Espírito de Diálogo”, deve atrair cerca de 3.000 participantes de 130 países, incluindo um número recorde de 65 chefes de Estado e de governo, de acordo com um comunicado do WEF.

Aqui está o que esperar da reunião anual deste ano da elite global.

A agenda de Trump

A presença de Trump em Davos segue sua oposição contínua à diversidade, equidade e inclusão (DEI) e às iniciativas de zero emissões líquidas defendidas pelo WEF. Ele frequentemente criticou o fórum pelo que descreveu como políticas climáticas e ambientais extremas, referindo-se aos seus participantes como “profetas da desgraça”.

O 47º presidente há muito tempo considera a agenda globalista do WEF incompatível com sua plataforma “America First” (América em primeiro lugar).

Como nos anos anteriores, espera-se que ele faça um discurso promovendo sua agenda econômica e incentivando os líderes empresariais a investir nos Estados Unidos.

O WEF foi fundado em 1971 por Klaus Schwab, um engenheiro mecânico e economista alemão. Em abril de 2025, Schwab renunciou ao cargo de presidente executivo do fórum. O Fórum Econômico Mundial informou em 22 de abril de 2025 que iniciou uma investigação após alegações de má conduta por parte de Schwab terem sido enviadas ao seu conselho.

O conselho concluiu em agosto de 2025 que não havia evidências de irregularidades materiais por parte de Schwab.

“Também não há evidências de qualquer má conduta por parte de Hilde Schwab, que apoiou o Fórum por mais de cinco décadas sem qualquer remuneração”, afirmou o conselho em comunicado divulgado em 15 de agosto de 2025.

“Pequenas irregularidades, decorrentes da linha tênue entre contribuições pessoais e operações do Fórum, refletem um profundo compromisso, e não uma intenção de má conduta".

O fórum é agora liderado pelos copresidentes interinos Larry Fink, da BlackRock, e André Hoffmann, bilionário suíço, vice-presidente da Roche e um dos principais acionistas da empresa farmacêutica.

Ao chegar a Davos em 21 de janeiro, Trump participará de uma reunião privada com Fink e Hoffman. Em seguida, ele fará um discurso especial para o Fórum Econômico Mundial às 14h30, horário local (8h30, horário da costa leste dos EUA), seguido de reuniões com líderes estrangeiros e uma recepção com executivos de empresas.

O CEO da BlackRock, Larry Fink, discursa na Cúpula de Energia e Inovação da Pensilvânia, em Pittsburgh, em 15 de julho de 2025. (Samira Bouaou/The Epoch Times)

No segundo dia, Trump deve participar do “anúncio da Carta do Conselho da Paz” às 10h30. Ele deixará Davos após o evento.

Tensões geopolíticas

O fórum ocorrerá em meio a tensões crescentes com líderes europeus.

Trump intensificou recentemente os esforços para adquirir a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca.

Em 17 de janeiro, Trump disse que imporia tarifas de 10% à Dinamarca e a outros sete países europeus — Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia — até que um acordo fosse fechado para adquirir a ilha.

A ameaça tarifária de Trump veio depois que esses aliados da OTAN enviaram pequenos contingentes de pessoal militar para a ilha.

O presidente acusou a Dinamarca de não fazer o suficiente para proteger a ilha ártica.

“ A OTAN vem dizendo à Dinamarca, há 20 anos, que ‘vocês precisam afastar a ameaça russa da Groenlândia’. Infelizmente, a Dinamarca não conseguiu fazer nada a respeito”, escreveu ele em uma postagem de 18 de janeiro no Truth Social.

Um navio da Marinha Real Dinamarquesa se prepara para atracar na cidade de Nuuk, na Groenlândia, em 4 de maio de 2025. (John Fredricks/The Epoch Times)

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse em uma postagem no X em 18 de janeiro que convocaria uma “reunião extraordinária” de todos os 27 líderes da União Europeia no final desta semana em resposta às recentes tensões.

Trump expressou repetidamente seu interesse em que os Estados Unidos assumam o controle da Groenlândia, citando as crescentes ameaças da Rússia e da China no Ártico.

Ele também disse que consideraria o uso da força militar, se necessário, para assumir o controle da ilha.

Tanto o governo Trump quanto o governo Biden alertaram sobre os riscos crescentes no Ártico nos últimos oito anos. Nos últimos anos, o regime comunista chinês vem desenvolvendo ambiciosamente suas capacidades comerciais e militares no Ártico. Navios de guerra russos e chineses também estão operando juntos com mais frequência na região do Ártico.

Anúncio de política

Como nos anos anteriores, espera-se que Trump antecipe algumas de suas políticas para o próximo ano durante seu discurso em Davos.

No início deste mês, ele disse em uma postagem no Truth Social que planejava discutir novas propostas de habitação e acessibilidade.

“Por muito tempo, comprar e possuir uma casa foi considerado o ápice do sonho americano. Era a recompensa por trabalhar duro e fazer a coisa certa, mas agora, devido à inflação recorde causada por Joe Biden e os democratas no Congresso, esse sonho americano está cada vez mais fora do alcance de muitas pessoas, especialmente dos americanos mais jovens”, escreveu Trump.

“Discutirei esse assunto, incluindo novas propostas de habitação e acessibilidade, e muito mais, em meu discurso em Davos, daqui a duas semanas".

O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, fala com repórteres na Casa Branca, em Washington, em 14 de abril de 2025. (Reuters/Kevin Lamarque/ Foto de arquivo)

Uma ideia que está sendo cogitada é permitir que os americanos retirem fundos de suas contas 401(k) para usar como entrada na compra de uma casa. Em uma entrevista concedida à Fox News em 16 de janeiro, o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, disse que o presidente apresentará esse plano durante seu discurso em Davos.

Nas últimas semanas, o governo Trump apresentou uma série de propostas para reduzir os preços das casas, incluindo a proibição de grandes investidores institucionais comprarem propriedades residenciais adicionais.

Conselho de Paz

No segundo e último dia de sua visita, Trump deve anunciar o estatuto do Conselho de Paz, que faz parte da segunda fase de um acordo de cessar-fogo apoiado pelos EUA entre Israel e o grupo terrorista Hamas para encerrar a guerra em Gaza.

Trump presidirá o conselho, que inclui o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, o genro de Trump, Jared Kushner, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o executivo de private equity Marc Rowan, o presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, e o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Robert Gabriel.

Dezenas de países foram convidados a participar do conselho, que terá a tarefa de supervisionar a próxima fase em Gaza. Marrocos, Vietnã, Cazaquistão, Hungria e Argentina estão entre os países que manifestaram interesse em participar. O presidente russo, Vladimir Putin, também recebeu um convite.

Os membros terão a tarefa de gerenciar a “capacitação governamental, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em grande escala e mobilização de capital” da Faixa de Gaza, de acordo com a Casa Branca.

O presidente francês Emmanuel Macron fala durante uma coletiva de imprensa na Cúpula da União Europeia em Bruxelas, Bélgica, em 19 de dezembro de 2025. (Geert Vanden Wijngaert/AP Photo)

Não está claro se o presidente francês Emmanuel Macron aceitará a oferta de Trump para se juntar ao conselho.

“Bem, ninguém o quer porque ele vai deixar o cargo muito em breve”, disse Trump aos repórteres em 19 de janeiro. “Vou aplicar uma tarifa de 200% sobre seus vinhos e champanhes, e ele vai se juntar. Mas ele não precisa se juntar".

Tom Ozimek e Aldgra Fredly contribuíram para esta reportagem.

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