Uma vista aérea mostra a neve cobrindo uma fazenda perto de Belvidere, Illinois, em 9 de dezembro de 2025. (Scott Olson/Getty Images)

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

As pessoas frequentemente me perguntam por que aqueles que vivem fora das cidades tendem a resistir mais instintivamente à regulamentação e à interferência do governo. Muitos presumem que a divisão deve ser política — republicanos versus democratas, conservadores versus liberais, vermelhos versus azuis. No entanto, a verdadeira distinção é muito mais simples e humana: quando se vive no campo, é necessário assumir mais responsabilidades pela própria vida, e a responsabilidade transforma as pessoas.

Em um prédio de apartamentos, condomínio ou comunidade planejada, a infraestrutura é invisível.

A água corre, o aquecimento funciona, as luzes acendem e o lixo desaparece como se fosse algo natural. Quando algo quebra, um sistema de manutenção absorve a interrupção. Aqui, não há absorção. Se meu poço quebrar, ficamos sem água até que eu tenha condições de consertá-lo. Se a bomba falhar, não há linha de backup — ficamos sem água. Não há coleta de lixo municipal onde moro — nós mesmos transportamos nossos resíduos. Não há esgoto centralizado — apenas a fossa séptica que nós mesmos mantemos. Não há tubulação de gás natural — apenas o tanque de propano que enchemos quando fica vazio. Até a eletricidade tem limites: temos energia, mas não trifásica, e instalar um serviço trifásico de nível comercial na fazenda custaria cerca de um quarto de milhão de dólares. Quando a infraestrutura falha aqui, o sistema não entra em ação. Nós entramos. Ou ficamos com as consequências do atraso.

E a escassez de serviços gera habilidades. Pode levar semanas para conseguir um veterinário aqui — se é que você consegue encontrar um. Então, aprendemos a cuidar dos animais nós mesmos. Tratamos infecções, suturamos feridas, fazemos partos de bezerros e estudamos saúde animal, não porque queremos brincar de veterinário, mas porque esperar não é uma opção quando uma vida depende disso. Cultivamos nossa própria comida porque as lojas ficam longe. Consertamos tratores e equipamentos porque os mecânicos estão mais distantes. Resolvemos problemas não porque romantizamos a autossuficiência, mas porque a vida exige isso.

Essa diferença de responsabilidade não é nova — é geracional. Antes de 1936, a maior parte da América rural não tinha rede elétrica. A Lei de Eletrificação Rural mudou isso ao financiar linhas de energia para comunidades fora das cidades. Mas, quando foi aprovada, as famílias urbanas já desfrutavam do serviço de eletricidade há quase 50 anos. As cidades foram eletrificadas primeiro por empreendimentos privados e municipais. As áreas rurais receberam eletricidade mais tarde, por meio de subsídios do governo. O país não inventou a eletricidade, mas manteve a memória de como era a vida antes que os sistemas fossem centralizados, mantidos e considerados garantidos. E a memória é importante. Quando você já teve que se sustentar, mesmo que de forma imperfeita, entende que liberdade e responsabilidade não são opostos — elas são a mesma espinha dorsal.

A responsabilidade ensina a propriedade. A propriedade ensina a consequência. E a consequência molda a forma como você vê o mundo. Quando você é responsável pela sua própria água, energia, terra, animais, resíduos, reparos e alimentos, você começa a entender uma verdade mais profunda:

Responsabilidade é igual a liberdade, porque remove a ilusão de que outra pessoa irá salvá-lo do custo da sua própria vida.

É também por isso que acredito que a propriedade de uma casa é importante muito além do aspecto financeiro. Quando uma pessoa possui até mesmo um pequeno pedaço de terra ou uma casa, ela sente a consequência de mantê-la. Ela entende que a interferência tem um custo, que a dependência cria fragilidade e que a liberdade requer competência. Quando você não sente auto-responsabilidade— quando a vida parece temporária, atendida e mantida por outra pessoa —, é mais provável que vote pela continuidade do sistema que cuida de você. Não porque você carece de inteligência, mas porque carece de consequência.

À medida que avançamos para um mundo onde cada vez menos pessoas possuem casas próprias e onde a idade média dos compradores de primeira viagem continua aumentando, devemos esperar que a psicologia mude com isso. Se a casa vem mais tarde, o instinto de autocuidado fica mais fraco. E quando o autocuidado é fraco, a dependência parece segura, mesmo quando custa a liberdade.

O campo não o torna nobre. Ele o torna consciente. Ele o lembra de que os sistemas não funcionam sozinhos. Que os animais não se curam por meio de políticas. Que a água não flui por meio de comitês. Que o lixo não desaparece por meio de ideologias. Que os alimentos não crescem por meio de mandatos. E que os tratores não se consertam sozinhos por meio de regulamentações.

Quando você vive responsável pela infraestrutura de sua própria vida, você entende que a liberdade não é concedida — ela é defendida pela capacidade.

A tragédia não é que discordemos. É que muitos se esqueceram de como era ser responsável por sua própria infraestrutura. Criamos gerações que nunca tiveram que consertar sua própria água, transportar seus próprios resíduos ou tratar seus próprios animais. Construímos uma sociedade onde a dependência é invisível — até que ela se rompa.

A solução não é envergonhar a dependência ou mitificar a independência, mas reconhecer o padrão mais profundo: quanto mais responsabilidade assumimos por nossas próprias vidas, mais reverência desenvolvemos pela liberdade que ela protege.

A liberdade não é a ausência de estrutura — é a presença de consequências.

E as consequências, ao contrário das narrativas, não podem ser ocultadas. Elas são vividas.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

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