Manifestantes confrontam agentes federais em frente ao Edifício Federal Bispo Henry Whipple em Minneapolis, em 9 de janeiro de 2026. Os protestos eclodiram após Renee Good ser baleada e morta durante uma operação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). (John Fredricks/The Epoch Times)
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
Vamos dispensar a ficção conveniente: a Imigração e Alfândega (ICE) não é a principal ameaça às nossas comunidades. O verdadeiro perigo reside na crescente normalização da desordem, intimidação e ilegalidade — muitas vezes envolta na linguagem da “justiça”, mas impulsionada por algo muito menos nobre. O que estamos testemunhando não é uma agitação cívica espontânea. Trata-se de uma estratégia sustentada de divisão, possibilitada por um ativismo progressista desvinculado da responsabilidade e amplificado por legados e ecossistemas de rede social que recompensam a indignação em detrimento da verdade.
Não é assim que uma nação é conquistada pela força. É assim que ela é esvaziada por dentro.
Nos últimos anos, os protestos têm cada vez mais ultrapassado a linha entre a expressão e a coerção — bloqueando ruas, vandalizando propriedades, intimidando cidadãos e provocando confrontos com as autoridades.
Com frequência, líderes e ativistas progressistas se recusam a traçar uma linha firme entre protesto e caos. O silêncio se torna endosso. A justificativa se torna combustível. O resultado é uma cultura em que a perturbação é valorizada e a moderação é tratada como cumplicidade. Quando erros raros e trágicos ocorrem nas forças da lei, eles não são tratados como momentos para uma análise sóbria ou reforma. Eles são instantaneamente transformados em armas. O contexto é removido. Os fatos são subordinados à narrativa. A dor é transformada em influência política.
O objetivo não é a justiça, mas sim acender a faísca da agitação, deslegitimar instituições e esgotar a confiança pública.
Aqui está uma verdade inconveniente: continua sendo extremamente raro que policiais disparem suas armas no cumprimento do dever. A esmagadora maioria — bem mais de 90% — nunca dispara uma arma de fogo. A maioria dos confrontos é resolvida por meio da desaceleração, do bom senso e do profissionalismo sob imensa pressão. Essa realidade raramente sobrevive ao ciclo da mídia.
Os meios de comunicação tradicionais, outrora encarregados de informar o público, muitas vezes atuam como aceleradores, em vez de moderadores. Incidentes complexos são simplificados em peças morais. As manchetes são escritas para inflamar, em vez de informar. Narrativas progressistas são repetidas acriticamente, enquanto fatos inconvenientes são enterrados ou ignorados completamente. O resultado é uma compreensão pública distorcida que corrói a confiança nas autoridades policiais e encoraja aqueles que buscam o confronto.
As redes sociais pioram a situação. Os algoritmos não recompensam as nuances; eles recompensam a raiva. Vídeos virais divorciados do contexto se espalham mais rápido do que as correções jamais poderiam. Os ativistas entendem isso e exploram essa situação, provocando confrontos destinados a produzir imagens que inflamam em vez de esclarecer. As plataformas lucram. O país paga o preço.
Vimos esse padrão claramente nos campi das universidades da Ivy League, onde os protestos se transformaram em intimidação e desordem. Os administradores hesitaram. Os meios de comunicação romantizaram a agitação. Os líderes progressistas o justificaram. Somente depois que o caos se tornou inegável é que a ordem voltou — a um custo significativo para a credibilidade institucional. A lição deveria ter sido óbvia. Em vez disso, foi ignorada. Hoje, essas mesmas forças se aproveitaram da fiscalização da imigração como seu próximo ponto de conflito. O envio de agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) pelo presidente Donald Trump se tornou um novo grito de guerra — não porque represente uma ameaça sem precedentes, mas porque oferece outra oportunidade de provocar confrontos e amplificar as queixas. Não se trata de discordância política.
Trata-se de poder: quem controla a narrativa, quem dita os termos do debate público e quem se beneficia quando a aplicação da lei entra em colapso sob pressão.
Dito isso, a responsabilidade não recai apenas sobre um lado.
Trump, apesar de toda a sua ênfase na lei e na ordem, tem o dever de moderar sua retórica. As palavras são importantes, especialmente quando proferidas pelo mais alto cargo do país. A aplicação da lei deve ser firme, mas também deve ser sensata. A precisão, e não a provocação, fortalece as instituições. Um tom que incentive a moderação, o bom senso e o profissionalismo contribui mais para a manutenção do Estado de Direito do que qualquer retórica bombástica.
Da mesma forma, a liderança da aplicação da lei deve continuar enfatizando a desaceleração como a norma, não a exceção. Os policiais já fazem isso todos os dias, muitas vezes sem reconhecimento. Nos raros momentos em que a força letal é usada, a expectativa deve ser clareza, responsabilidade e transparência — não bodes expiatórios políticos ou condenação reflexiva.
O movimento progressista, no entanto, deve confrontar sua própria cumplicidade. Uma filosofia que trata a aplicação da lei em si como opressão, que desculpa a desordem como ativismo e que depende da distorção da mídia para promover seus objetivos não é reformista — é corrosiva. Uma sociedade não pode funcionar quando as leis são opcionais, a autoridade é demonizada e o caos é reestruturado como consciência.
A história é implacável com as nações que confundem indignação com virtude e divisão com progresso.
As democracias não entram em colapso porque as leis são aplicadas. Elas entram em colapso quando a aplicação da lei é deslegitimada, as instituições são minadas e a verdade se torna subordinada à narrativa.
Se levamos a sério a justiça, a reforma e a coesão social, então a restrição deve se aplicar a todos — ativistas, mídia, líderes políticos e autoridades policiais. Qualquer coisa menos do que isso não é resistência. É rendição ao caos.
E o caos, uma vez normalizado, nunca se limita às causas que o desencadearam inicialmente.






