
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
A guerra é o uso de armas para resolver diferenças — tribais, políticas, religiosas, culturais e materiais — entre grupos organizados. Isso não muda. As leis gerais do conflito armado permanecem imutáveis, dada a constância da natureza humana.
No entanto, a forma como a guerra é conduzida permanece fluida. Novas armas, táticas e estratégias provocam contra-respostas em um ciclo interminável de tensões entre superioridade defensiva e ofensiva.
Dito isso, o presidente Donald Trump introduziu uma nova maneira de travar guerras ocidentais contra os inimigos externos dos Estados Unidos?
Vimos vislumbres disso durante seu primeiro mandato, quando eliminou o general iraniano e líder terrorista Qassem Soleimani e o chefe do ISIS Abu Bakr al-Baghdadi. No primeiro caso, preferiu atacar a causa — e não os efeitos — do terrorismo iraniano na Síria e no Iraque, deixando claro que não tinha intenção de atacar o território iraniano nem de entrar em uma guerra interminável de retaliações.
Em grande parte, foi bem-sucedido. O Irã nunca conseguiu substituir plenamente o venenoso Soleimani. E, apesar das ameaças cansadas, suas respostas performáticas não mataram nenhum americano, sendo vistas por Trump como simples desabafo — algo que não justificava uma contra-resposta.
No caso da morte de Abu Bakr al-Baghdadi, Trump também mirou o catalisador do terrorismo do ISIS. Mas também bombardeou o grupo até quase extingui-lo no Iraque, pois, ao contrário do Irã, ele não possuía os recursos financeiros e materiais de um Estado patrocinador do terrorismo, nem capacidade independente para fabricar armas ou financiar suas operações.
Em 2018, Trump provavelmente matou mais tropas terrestres russas (mais de 200?) do que os Estados Unidos haviam matado durante toda a Guerra Fria, com sua resposta feroz ao ataque do Grupo Wagner a uma base de Operações Especiais dos EUA perto de Khasham, na Síria. Ainda assim, a derrota dos mercenários russos não levou a um conflito mais amplo.
Nesses três casos, Trump retratou com sucesso seus antagonistas como agressores não provocados, empregou força esmagadora para eliminá-los e declarou os episódios como ocorrências isoladas, sem necessidade de punir com força adicional a fonte ou o patrocinador último da agressão. Em grande medida, ele conseguiu limitar ataques subsequentes contra instalações americanas.
Em seu segundo mandato, Trump ampliou sua doutrina de “dissuasão preventiva”, com operações para remover o líder comunista venezuelano Nicolás Maduro, além de duas campanhas de bombardeio separadas contra o Irã.
Embora a segunda operação contra o Irã ainda esteja em andamento, ela pode se assemelhar às duas anteriores em vários aspectos.
Trump novamente retratou Venezuela e Irã como agressores psicopáticos do passado e do presente que permaneceram impunes. Ele mirou Maduro, amplamente ignorado por Biden, por seu histórico de exportar membros de gangues e criminosos através da fronteira aberta da era Biden e por usar conexões de cartéis venezuelanos para lucrar com mortes de americanos.
Ao justificar os ataques ao Irã, Trump citou os atentados terroristas passados da teocracia contra americanos e aliados dos EUA, suas tentativas de assassinar ocidentais e sua recusa em abandonar os planos de desenvolver uma arma nuclear.
Quais seriam, então, as novas formas de Trump conduzir a guerra?
1. Geoestratégia
Por trás desses eventos aparentemente desconectados — e de outros movimentos não cinéticos, como alertar o Panamá sobre incursões chinesas — estão preocupações estratégicas mais amplas. O denominador comum geralmente é isolar a China de espaços estratégicos, aliados e petróleo — e, em menor grau, a Rússia.
Proxies barulhentos e terroristas de inimigos estratégicos — Cuba, Irã, Venezuela — tornam-se alvos preferenciais. Não apenas são inimigos facilmente identificáveis por seu histórico de violência antiamericana, como também são visados porque sua queda oferece uma demonstração global da fraqueza de seus patrocinadores distantes.
2. Guerras de Acerto de Contas
Trump sempre enquadra seu intervencionismo como reativo e há muito atrasado. Trata-se de uma espécie de “guerra de acerto de contas” por crimes anteriormente ignorados por seus predecessores, mas profundamente marcados na memória americana.
Podem ser guerras “preventivas” ou “preemptivas”. Mas Trump evita esses termos, que carregam o peso histórico da agressão na memória coletiva americana.
3. Guerra em Meio a Negociações
A maneira de Trump fazer guerra geralmente é uma extensão de negociações em andamento — como as sobre armas nucleares do Irã ou sobre subsídios de Maduro ao terrorismo e ao narcotráfico.
Durante essas negociações, ele oferece saídas aos adversários e lamenta publicamente a possibilidade de violência.
Enquanto isso, forças navais e expedicionárias americanas se acumulam para aumentar a pressão. Trump não espera as negociações falharem completamente: ele estabelece um prazo. Quando decide que o inimigo não pretende buscar uma solução pacífica, um ataque ocorre.
4. O Aparato Culpado
Trump prefere uma guerra de cima para baixo. Ou seja, inicia ataques mirando o aparato de poder do inimigo, não seus subordinados.
O objetivo é interromper comando e controle e separar o líder inimigo de uma população que não é necessariamente considerada culpada.
Seus alvos — al-Baghdadi, Khamenei, Maduro, Soleimani, o Grupo Wagner — são amplamente vistos como odiosos, o que reforça o caráter preventivo ou reativo da ação.
Mesmo entre seus críticos, torna-se difícil gerar empatia por essas figuras.
5. Não ao Nation-Building
Não há reconstrução nacional. Trump vê os Estados Unidos como responsáveis apenas por acender o estopim da revolução, dando aos oprimidos a chance de construir algo melhor — se não perderem a oportunidade de mudança de regime.
6. Sem Tropas no Terreno
Há poucas tropas terrestres envolvidas — evitando riscos como escândalos do tipo Abu Ghraib, retiradas humilhantes como Kabul, ou americanos mutilados por IEDs.
É muito mais difícil matar americanos no ar ou no mar.
Sem ocupação prolongada nem reconstrução institucional direta, as baixas são mínimas. Trump equipara grandes contingentes terrestres no Oriente Médio à imbecilidade.
Armas preferidas de terroristas — IEDs, rifles de precisão, coletes suicidas e foguetes — tornam-se muito menos eficazes contra uma guerra baseada em poder de fogo esmagador, tecnologia e mobilidade aérea e naval.
Trump prefere força excessiva ao conceito de “choque e pavor” ou ao uso de forças mínimas.
O impacto visual também importa: a destruição do inimigo serve como demonstração global do poder americano — especialmente para Rússia, China e Coreia do Norte.
7. Estratégia de Saída
Existe uma estratégia de saída — em parte retórica, em parte real — geralmente declarada arbitrariamente pelo próprio Trump.
Ele decide quando a guerra começa e quando termina.
Como Trump é mais transacional do que ideológico, guarda poucos ressentimentos. Assim, após atacar instalações nucleares iranianas no verão de 2025, pôde declarar que desejava “tornar o Irã grande novamente”.
Ou elogiar o povo venezuelano enquanto promete restaurar a rentabilidade e a transparência da indústria petrolífera — mesmo invadindo o palácio presidencial.
Se o inimigo continuar resistindo, Trump presume que eventualmente cederá.
8. Não ao Internacionalismo
Trump ignora condenações da ONU, que considera moralmente falida e sem credibilidade.
Fora da Europa, raramente consulta a OTAN, muito menos a União Europeia.
Ele presume que todos seguirão o mesmo roteiro: críticas iniciais, hesitação à medida que o rumo da guerra muda, e depois elogios ou tentativa de compartilhar o sucesso.
Também não se preocupa muito com ameaças veladas da Rússia ou da China.
9. Demonstrações de Dissuasão
Trump usa seus ataques como lembretes globais do poder militar americano.
Ele exibe ativos como o USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões da história.
Mapas midiáticos mostram forças navais americanas espalhadas por quatro mares ao redor do teatro iraniano — Mediterrâneo, Mar Vermelho, Golfo Pérsico e Oceano Índico.
Novas armas são exibidas: uma misteriosa arma sônica no palácio de Maduro, drones kamikaze rumo ao Irã ou novos porta-aviões gigantescos.
10. Interesse Nacional Americano
Trump não age a menos que o público possa ver claramente o interesse nacional americano — e haja uma boa chance de sucesso.
Ele não tem interesse em libertar e reconstruir outro Iraque ou Afeganistão, cujas populações podem odiar os americanos tanto quanto seus próprios opressores.
Ele via a base aérea de Bagram como estratégica e defensável, mas não como justificativa para reconstruir um país inteiro.
Não é coincidência que Venezuela e Irã tenham petróleo — oferecendo recursos para sua própria reconstrução sem financiamento americano.
Derrubar petroditaduras alinhadas à China e à Rússia enfraquece ambas.
O que Trump diz e o que faz às vezes divergem. Financiar a Ucrânia enfraquece a Rússia, o que serve aos interesses dos EUA, então Trump encontra maneiras de manter o fluxo de armas — geralmente sem comentários.
Permitir que Israel “cuide do assunto” e depois entrar na guerra para humilhar o Irã no verão passado desencadeou forças que derrubaram o regime Assad na Síria — e finalmente expulsaram a Rússia do Oriente Médio.
O atual conflito com o Irã é o maior desafio enfrentado por Trump em seus dois mandatos.
Mas, dado seu histórico, há uma boa chance de que ele eventualmente livre o Irã de sua teocracia — algo que escapou aos últimos oito presidentes americanos.
Durante cinco décadas, as ruas iranianas e sua teocracia descontrolada aterrorizavam o Oriente Médio com gritos de “Morte à América”, promessas de destruir Israel, bravatas nucleares e ameaças de desestabilizar o Golfo dominado por sunitas.
Mas Trump, com ajuda de Israel, finalmente expôs a teocracia como uma cleptocracia incompetente digna de Keystone Kops.
Os aiatolás gritavam “Morte à América!”, mas foi a América de Trump que, no fim, levou a morte até eles.
As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as opiniões do The Epoch Times.






