
Edifícios danificados de acesso para pessoal e veículos na Usina de Enriquecimento de Urânio de Natanz, juntamente com fotos tiradas do solo mostrando como eram antes do ataque. Condado de Natanz, Irã, em 4 de março de 2026. isis-online.org
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
Na mais recente rodada de ataques contra a infraestrutura nuclear do Irã, os locais atingidos até agora incluem Natanz, Minzadehei, Isfahan e Lavisan 2/Mojdeh.
A guerra de grande escala de junho de 2025 agora ficou para trás. Os Estados Unidos e Israel desferiram um duro golpe no programa nuclear do Irã, e parecia que esse capítulo — ao menos por enquanto — havia se encerrado.
Edifícios foram bombardeados, instalações foram danificadas, e a mensagem foi inequívoca: o caminho de Teerã para obter uma bomba havia sido bloqueado.
No entanto, abaixo da superfície — quase literalmente — um quadro mais complicado começou a surgir. O Irã retomou atividades, não necessariamente por meio dos locais bem conhecidos que já haviam sido atacados, mas por meio de remanescentes, laboratórios, infraestrutura relocada, instalações reconstruídas e cientistas que permaneceram ativos. Como no rescaldo de um terremoto, alguém entre os escombros estava tentando reunir as peças e remontar um mecanismo perigoso.
Segundo Andrea Stricker, da Foundation for Defense of Democracies (FDD), especialista em proliferação nuclear e contraproliferação que se dedica ao programa nuclear iraniano, esse foi o momento em que Israel e os Estados Unidos voltaram a agir. Não mais um único ataque contra uma instalação famosa e amplamente conhecida, mas uma série de ataques precisos, quase cirúrgicos, contra cerca de cinco locais até agora.
Um deles é um local clandestino conhecido como Minzadehei, a nordeste de Teerã — um complexo subterrâneo onde, segundo avaliações israelenses, um componente crítico para uma arma nuclear estava sendo desenvolvido.
Autoridades de segurança de alto escalão disseram que uma equipe de cientistas nucleares estava operando ali, reunida novamente entre aqueles que sobreviveram, e trabalhando para acelerar o chamado projeto Weapon Group — um esforço destinado a desenvolver o detonador da bomba e adaptá-lo para instalação em um míssil balístico.
“Os iranianos parecem ter começado a usar esse local para fins de armas nucleares após os ataques de junho de 2025, portanto Israel pode não ter visto necessidade de atacá-lo antes”, disse Stricker em entrevista ao autor deste relatório.
Ao mesmo tempo, Natanz foi atingido — mas não o coração da instalação, e sim suas entradas. Esse detalhe tornou o episódio particularmente intrigante. No final da guerra de junho, os Estados Unidos atacaram a usina de enriquecimento de Natanz com duas bombas perfuradoras de bunker Massive Ordnance Penetrators (MOPs), uma medida que provavelmente tornou as partes subterrâneas do local inoperantes.
Assim, quando três entradas do complexo foram atingidas no início de março, o objetivo, explicou Stricker, não era necessariamente destruir novamente o núcleo da instalação, mas muito provavelmente bloquear o acesso.
“O objetivo parece ter sido impedir que pessoal iraniano entrasse para mover equipamentos ou material nuclear para dentro ou para fora da instalação”, disse ela. “Israel pode ter tentado impedir a remoção de equipamentos de centrífugas, ou até mesmo de urânio enriquecido que possa ter sobrevivido em recipientes.”
“Isso também envia uma mensagem clara ao Irã para que se mantenha afastado dessas instalações, já que Israel está observando do céu.”
Stricker afirmou que, em um possível cenário de colapso do regime no Irã, existe também o risco de que esses ativos caiam em mãos erradas.
“Combustível para uma arma nuclear pode acabar com organizações terroristas ou outros atores que busquem vendê-lo no mercado negro”, declarou. “Israel e os Estados Unidos também precisam levar em conta estados proliferantes — países que poderiam tentar obter tais materiais.”
Depois há Isfahan. Imagens de satélite do ataque mais recente ainda não foram publicadas, mas Stricker observa que edifícios-chave para conversão de urânio, produção de metal de urânio e fabricação de combustível nuclear já haviam sido atingidos ali em junho — elos centrais na cadeia de produção nuclear do Irã.
“É difícil dizer o que ainda permanece vital ali, já que as instalações principais já foram destruídas”, disse Stricker. “Mas o complexo de Isfahan contém muitos edifícios. Israel pode ter identificado novas atividades ali, ou pode não ter eliminado completamente todas as atividades preocupantes no local em junho de 2025.”
Por fim, Lavisan 2/Mojdeh — um local de particular interesse devido à sua ligação com a Organization of Defensive Innovation and Research (SPND), o órgão responsável por pesquisa e aquisição relacionadas a armas nucleares e seus sistemas de entrega. Segundo o Institute for Science and International Security, uma organização de pesquisa dos Estados Unidos que acompanha o programa nuclear iraniano, um “edifício semelhante a um laboratório” ali foi destruído. Ele abrigava instalações pertencentes à liderança administrativa da SPND em uma estrutura que Teerã havia começado recentemente a restaurar.
Forças de Comando
Mas isso é apenas metade do quadro. A outra metade diz respeito não ao que já foi atingido, mas ao que permanece intacto. E aqui Stricker aponta para o alvo mais preocupante de todos: a Montanha Pickaxe, perto de Natanz — um complexo enterrado a uma profundidade de até cerca de 100 metros abaixo do solo.
Esta não é apenas mais uma instalação que pode ser facilmente identificada em imagens de satélite e destruída a partir do ar. Trata-se de um local que parece ter sido projetado desde o início para resistir a um ataque do mundo exterior, e por isso foi enterrado excepcionalmente fundo.
Segundo as avaliações citadas por Stricker, o local é comparável em profundidade a Fordow — estimado em cerca de 80 a 90 metros subterrâneos — e pode ser ainda mais profundo. Se for tomada a decisão de neutralizá-lo, disse ela, munições convencionais não serão suficientes. Seriam necessários bombardeiros B-2 transportando bombas perfuradoras de bunker GBU-57. E talvez até equipes de comandos capazes de penetrar no complexo e destruí-lo por dentro.
“Os serviços de inteligência ocidentais temem que a instalação na Montanha Pickaxe possa servir como uma nova usina de enriquecimento ao estilo Fordow — apenas protegida ainda mais profundamente”, disse ela.
“O Irã, por sua vez, afirma que se trata de uma nova instalação de montagem de centrífugas destinada a substituir a unidade de montagem acima do solo em Natanz que foi destruída em 2020.”
Um relatório de novembro de 2025 do Institute for Science and International Security afirmou que os ataques israelenses e americanos em junho daquele ano não danificaram o local.
“Minha avaliação é que os Estados Unidos e Israel o deixaram intocado porque ele ainda não estava próximo de se tornar operacional”, disse Stricker. “Mas a construção continuou desde então, e os iranianos reforçaram a segurança e as entradas do complexo.”
Se Washington e Jerusalém conseguirem penetrar na instalação e destruí-la por dentro, afirmou ela, isso pode se mostrar mais confiável do que depender exclusivamente de MOPs, pois permitiria garantir que todos os ativos no interior fossem destruídos.
Na verdade, acrescentou Stricker, a mesma incerteza também se aplica a Fordow e Isfahan. “Ainda não está claro se urânio altamente enriquecido sobreviveu em Fordow e nos túneis de Isfahan”, disse ela.
Sob o complexo de superfície em Isfahan, um local subterrâneo vinha operando, escavado na montanha adjacente. A Reuters informou em 27 de fevereiro que parte do urânio enriquecido a níveis de até 60% estava armazenado ali. Segundo a reportagem, a informação se baseava em um relatório confidencial que a Agência Internacional de Energia Atômica enviou aos Estados-membros e que a Reuters obteve.
Stricker estima que os Estados Unidos e Israel pretendem eventualmente tratar desses locais, bem como de outros ativos, que ainda não foram abordados. “Neste estágio, eles preferem concentrar-se nas ameaças imediatas — mísseis, drones, lançadores, os militares e a liderança”, disse ela.
Para garantir que o caminho para uma arma nuclear tenha sido fechado de vez, ela enfatizou que todos os “ativos nucleares” terão de ser assegurados — materiais, instalações, equipamentos e documentação.
“Este pode ser um processo de vários anos para localizá-los e garantir sua eliminação”, disse ela. “Também é necessário considerar redirecionar cientistas iranianos para trabalho civil e impedir que o conhecimento nuclear vaze para outros estados ou para organizações terroristas.”
“Felizmente, a AIEA e outros organismos internacionais tiveram sucesso em missões semelhantes no Iraque, na Líbia, na África do Sul e na antiga União Soviética.”
“Há, portanto, experiência acumulada na desmontagem de programas de armas nucleares e no tratamento de ativos sensíveis desse tipo.”
As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as opiniões do The Epoch Times.





